O leitor escreve
Artigo (1)
A respeito de críticas publicadas neste conceituado jornal no dia 11, direcionadas aos professores: parece que se tem esquecido de considerar que os alunos chegam à escola trazendo consigo toda sorte de problemas que, aos olhos de quem está ‘‘de fora’’, fica difícil imaginar. Só quem trabalha no magistério, mais especificamente no 1º Grau, ou quem acompanha de perto o dia-a-dia de uma escola pode avaliar quão árduo e muitas vezes desvalorizado é o papel do professor, hoje. Como professora da rede pública do Paraná, há alguns anos, posso observar que de modo geral temos professores bem preparados, esforçados, dedicados, realmente empenhados nas causas da educação e aptos a exercer com dignidade a sua profissão.
Então, onde é que podem estar as falhas do ensino? Creio estar na hora da sociedade repensar o papel da escola na vida das pessoas e, principalmente, rever o papel da família na vida de nossas crianças, para que não ocorra o que já podemos sentir ‘‘no ar’’, e que pode estar acontecendo: a escola culpada pelo fracasso da sociedade. Afinal, alguém tem de pagar por erros passados. Verificar como é, concretamente, a atuação da família na vida das crianças e, principalmente, a ‘‘parceria’’ que deveria existir entre escola e família, para que se chegue a um resultado positivo em termos de educação, com certeza contribuirá, em muito, para esclarecer àqueles que acusam por não terem consciência de sua própria culpa.
- LUCÍLIA MARIA CASAGRANDE GALLERANI, professora, Londrina
Artigo (2)
A propósito de dois artigos publicados neste jornal, ambos de autoria do jornalista Walmor Maccarini (dias 11 e 18), e da resposta da APP/Sindicato: não concordo com pontos de vista ali expostos, mas não tenho intenção de polemizar. Equivoca-se o articulista quando dá excessiva importância a assuntos menos significativos. Como criticar a orientação do professor para que o aluno encape seus livros e cadernos. Não estaria adquirindo noções de zelo, organização etc? Ao enfatizar aspectos de menor importância, como falhas gritantes, o articulista deixa transparecer que a escola é instituição que faliu nos objetivos. Esta visão é absolutamente errada, pois se existe instituição que funciona no País ela é a escola, que recebe a criança como massa bruta e a molda, ensinando-lhe a ler, escrever, calcular, expressar, ter poder crítico. E aquele pequeno ser, que sequer sabia o caminho da escola, anos despois transforma-se em médico, advogado, jornalista.
Por outro lado, não posso concordar com a posição de membros da APP/Sindicato pois atribui o mau desempenho do professor às más condições de trabalho e aos salários defasados. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, como querem Maccarini e a APP/Sindicato. Falhas existem, recursos materiais inexistem, mas a criatividade e dedicação dos verdadeiros professores é uma realidade. A escola é uma boa e indispensável instituição neste País, tão carente de coisas que funcionem. Que viva a escola.
- MOISÉS ANTONIO AGOSTINHO, Maringá
Estranho cristianismo
Acompanho espaçadamente o varejo das opiniões, pois não vejo graça em detalhes insossos que alguns repisam obsessivamente, tipo ‘‘o novo século não vai começar em 2000, mas em 2001’’, não percebendo que o dia começa ao nascer do sol e quando as pessoas se levantam, sendo a meia-noite mera convenção. Mesmo com essa distância entediada, pois meu gosto se concentra em leituras sérias, elevadas e eruditas, dá para perceber que o caráter democrático do espaço do leitor é frequentemente distorcido. Algumas figuras carimbadas, julgando-se ‘‘reis da cocada preta’’ da seção de cartas, aproveitam-se dela para tocaiar opiniões que desagradam sua mediocridade, valendo-se, para aparecer, de adulações acompanhadas de auto-elogios dos mais deslavados, como aquele coitado que se declarou ‘‘com poderes de exorcismo’’ e do outro que, entre outras incontáveis palhaçadas, uma vez vestiu a carapuça de ‘‘bom ladrão’’. Foi o que aconteceu novamente na reação à carta de um leitor que, coberto de bom senso, disse que a Terra continua até hoje a girar em torno do Sol, a despeito das opiniões contrárias.
Sem captar o espírito da questão levantada (muito mais que uma foto polêmica e estranha) e, portanto, sem respondê-la, esse ‘‘bom ladrão’’ ignorante, bancando o ‘‘professor de Cristo’’, reagiu com o mais bitolado intelectualismo bíblico de almanaque (ainda se fosse um estudioso sério da religiosidade e dos textos sagrados, com conhecimento esotérico de base, mereceria total respeito). Que espiritualidade é essa que esquece a ética e nega outras manifestações da crença, pondo na mesma vala Allan Kardec e o reverendo Moon? Que cristianismo esquisito é esse que mais se preocupa com a letra morta que com a captação íntima da verdade cósmica que foi pregada de acordo com a receptividade psicológica de uma era que já vai longe? Não, não precisam responder, pois já conheço de cor a cartilha desse fanatismo ignorante.
Esses missivistas - os que usam a seção com parcimônia que me perdoem - possuem os parafusos da ignorância e da hipocrisia muito bem apertados para pensar seriamente em se emendar e procurar o que fazer e o que estudar, antes de ativar seu vômito de asneiras, saído de seu - como define a conscienciologia - ‘subcérebro abdominal’. Não é por eles que me manifesto, mas em respeito ao leitor de bom senso, pois aqueles, endurecidos na mediocridade, vão ainda chafurdar muito tempo na lama de sua própria ignorância, usando o espaço do leitor para tentar estimular o que há de pior na psicologia coletiva, tentando tapar o sol com sua peneira ociosa, não percebendo que são ainda muito mais pequenos e medíocres do que imaginam.
- CARLOS JOSÉ RIBEIRO, Londrina
Emprego
Sem trabalho, por quê? Não há desemprego, há medo de se dar emprego. Nossas leis trabalhistas e sindicais devem ser revistas.
- RUBENS VERPA, Porecatu
Correção
Ao contrário do que informa a notícia ‘‘Milli Boss rompe com o Nacional’’, publicada ontem na página 11 do Primeiro Caderno, o Nacional, de Rolândia, equipe da Série A-2 do futebol paranaense, já garantiu 95% do processo para transformar-se em um clube-empresa como exige a Lei Pelé. A frase correta dita por José Antônio Martins, presidente do Nacional, é: ‘‘Falta apenas 5% para sacramentar esse processo (transformação em clube-empresa).’
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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