O Leitor Escreve
O Leitor Escreve
Advogada no céu
Querido José Fernando da Silva. Nem conheço você, como também você não me conhece e nem conhecia Alexandra, mas permita-me chamá-lo assim, pois lendo o Espaço aberto dia 12, percebi quão grande é a sua sensibilidade. A Alexandra também tem a alma muito sensível. Lá no céu ela estará intercedendo para que a justiça seja feita por Iracema (a empregada doméstica que morreu no dia seguinte, e que foi citada no artigo). O nome de Alexandra, escolhido pelo pai, significa defensora dos oprimidos, e Greice, minha escolha, significa graça, graciosa, iluminada. O nome fez jus à pessoa, pois ela era realmente tudo isso. Aqui na terra os pobres tinham nela uma advogada dedicada. Lá do céu ela continuará sendo.
José Fernando, aproveitando esta coluna e inspirada nesses seus comentários, tomei a liberdade de mostrar este perfil de minha filha, que não era só uma boneca de carne, mas uma mulher forte e corajosa, uma verdadeira Alexandra. Apesar da tristeza do seu velório, tive a felicidade de receber inúmeros cumprimentos e solidariedade de pessoas pobres e humildes para os quais ela advogou. Não só você como também não consigo entender o porquê de tamanha fatalidade. O porquê da Alexandra estar ali naquela hora, cercada de bandidos, sentada naquela cadeira e naquele horário. Que razões tem o nosso Deus?
Passarão anos e talvez nunca cheguemos a uma conclusão, mas acredito que, com aquele coração dócil, mais tempo ela vivesse, mais sofrimentos ela teria, diante do sistema que tão bem você colocou no seu artigo. Realmente ela varou madrugadas para encontrar soluções para os problemas das pessoas, e se bem a conheço, lá no céu ela estará na cola de Deus, clamando por justiça e defendendo não só a Iracema, mas sim todos nós, e de graça. Que Deus a tenha.
- MARIA ELIZA BLANCO DISSERÓ, mãe da Alexandra
NR. A advogada Alexandra Disseró foi assassinada em Londrina no dia 4.
Pãozinho famoso
Li no jornal catarinense A Notícia de Joinville, através da Internet, que em diversas localidades de Santa Catarina, o famoso pãozinho de 50 gramas já está sendo vendido por R$ 0,12. Se compararmos o preço que estava, R$ 0,9 ou R$ 0,10, verificaremos que, em termos percentuais, a elevação do preço desse indispensável alimento foi de 20%, o que se trata de mais um absurdo advindo do descontrole e da incompetência de nossos desgovernantes. Tudo por causa do famigerado dólar, a mola-mestra que rege nossa débil economia, também conduzida por débeis economistas, cuja única coisa forte é o que desaba sobre o povo que são os sucessivos e incontroláveis aumentos de preços em todo tipo de mercadoria.
O problema crucial, que repercute no nosso pãozinho, está na ridícula importação de trigo, num país onde se plantando tudo dá, e jamais necessitaria importar trigo; pelo contrário, deveríamos exportar o cereal, mas, como dizia o Barão de Itararé, figura legendária do folclore brasileiro, existem muito mais coisas entre o céu e a terra do que simples aviões de carreira. Está na cara que alguém está levando algum para que essa esdrúxula situação exista.
- FERNANDO EGYPTO BEZERRA, Petrópolis
Dengue
Tem aumentado muito o índice de larvas do mosquito Aedes aegypti em Londrina. Todos sabemos que o mosquito da dengue se reproduz em água limpa e já está criando resistência em água suja. Alguns não dão importância para a doença. Um agente de Controle da Dengue disse-me que muita gente relaxada não dá importância para a doença. Uns não querem recebê-lo para a vistoria e em várias residências já houve reincidência de larvas.
Já foi encontrado lixo no quintal de moradores que já haviam sido orientados sobre o assunto. Varrem o lixo dentro dos bueiros, terrenos baldios em que as pessoas jogam lixo na calada da noite. Há borracharias que ainda deixam água em pneus e ferros-velhos em que não se dá muita importância ao problema, embora tenham recebido orientação.
O mesmo agente sanitário informou que cada um deles recebe R$ 170, mais R$ 26 de insalubridade por mês. Além do salário muito baixo, eles têm que aguentar um calor de mais de 35 graus, com sol ardendo. A Prefeitura deveria pagar um pouco melhor nossos agentes de saúde da dengue, pois indiretamente ela está desprezando a saúde da população.
- VITOR PALMA, Londrina
Visitante em casa
Não sei se foi boa a privatização das telefônicas. Lembro-me que nos anos 74/75, amigos da vizinha Ourinhos (SP), para telefonar para São Paulo ou para seus interurbanos urgentes, vinham ao Patrimônio Marques dos Reis (situado à margem do Rio Paranapanema, junto a Ponte Mello Peixoto), de onde faziam uso do serviço telefônico da noviça Telepar (então padrão de telefonia no Brasil). Hoje, quando se tenta fazer uma ligação via celular estando em Andirá, Cambará, Barra do Jacaré, Patrimônio Marques dos Reis, uma gravação da Telesp lhe avisa que você é um visitante, portanto precisa fazer uso dos números iniciais do DDD, isso naturalmente se estiver fazendo uso de aparelho celular Telepar. O bom disso é que se estando em qualquer das cidades paranaenses mencionadas e usando celular da Telesp para ligação para Ourinhos paga-se ligação local. O absurdo é a gravação avisar que você é visitante em sua casa.
- JOÃO BAPTISTA RIBEIRO MACHADO, serventuário da Justiça, Cambará
Má comparação
Perdoe-me o jornalista Rubem de Azevedo Lima, de Brasília, por não ter lido mais do que o primeiro parágrafo de seu artigo O dogma da radicalização (publicado na segunda-feira). Comparar a retenção de recursos praticada pelo Ministério da Fazenda para cobrir os calotes que o governador do Estado de Minas Gerais vem acintosamente dando no governo federal com o cerco econômico praticado pelos Estados Unidos da América contra Cuba, Iraque e Vietnã é demais. Não dá para se acreditar que alguém possa escrever tal despropósito.
- EDUARDO JOSÉ DAROS, consultor, São Paulo
Correção
Ao contrário do que foi publicado na edição do dia 20, o condutor do veículo que atropelou e matou a estudante Vanessa Maia em Londrina foi Marcelo Coutinho e não Edmar Mattos. O acidente aconteceu no dia 15 de agosto de 1997. Na semana passada, o Instituto de Criminalística fez a segunda reconstituição do atropelamento. O condutor do carro, o autônomo Marcelo Coutinho, está sendo denunciado por homicídio culposo (não tinha a intenção de matar) e será levado a júri popular. Edmar é apontado como condutor de outro veículo que, segundo testemunhas ouvidas na época, tirava racha com Coutinho no momento do atropelamento. A Folha pede desculpas à família de Edmar Mattos pelos transtornos causados com a publicação errada da notícia.
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