O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Com quem ficamos?
Ao proclamar a necessidade de eliminar a pena capital, o Papa João Paulo II se opõe diretamente à orientação de Jesus Cristo que, no Apocalipse (13:10), diz nitidamente: Quem mata pela espada deve morrer pela espada. Se Jesus, o mais manso e humano dos legisladores, acha necessário matar a quem mata é que ele vê nessa lei a única maneira de defender a vida dos inocentes contra a perversidade dos assassinos.
Admiro a sensibilidade do Santo Padre e de toda pessoa que condena a pena capital. Matar um de nossos irmãos na humanidade, seja ele quem for, machuca o coração. Mas não devemos, às vezes, silenciar nossa sensibilidade para obedecer à razão? Como pregar o direito à inviolabilidade da vida a favor dos assassinos quando, numa cidade como o Rio de Janeiro, há mais de 24 assassinatos num fim de semana? Ao proteger a qualquer preço a vida dos criminosos, incentivamo-los a tirar a vida de muitos inocentes. E por que devemos incentivar os criminosos a matar os inocentes?
Na sua ânsia de poupar os criminosos, os corações sensíveis esquecem-se da lógica. A proibição de tirar a vida alheia é absoluta ou relativa? Se absoluta, não teremos o direito de nos defender e defender nossos pais e filhos contra um agressor, matando-o. Devemos deixá-lo nos matar e a nossos pais e filhos, porque se ele desobedece a lei, nós não podemos imitá-lo. Da mesma forma, quando um exército estrangeiro invade nosso país, tampouco temos o direito de lutar contra ele.
Basta formular tais hipóteses para ver-lhes o absurdo. Há ocasiões em que o homem pode e deve matar. A proibição de tirar a vida alheia é portanto, relativa e admite exceções, como o proclama o próprio Jesus Cristo. Cabe à sociedade definir essas exceções e aceitar o fato como aceitamos tantas outras realidades lamentáveis da vida.
- MANSOUR CHALLITA, escritor, Rio de Janeiro
Carnaval (1)
Nem tudo foi nudez, nem tudo foi droga, nem tudo foi camisinha no Carnaval de 1999. E o resultado de cinco ou mais dias de folia não foi somente a ressaca braba, ou a conta bancária esvaziada, ou a Aids multiplicada. Afinal, de tudo e de todos pode-se sempre tirar bondades e belezas.
Milhares de curitibanos e de londrinenses e de outos paranaenses pularam um Carnaval diferente, vibrante de entusiasmo e transbordante de alegria bordando a festa com os louvores do Pai Celeste, e a pura e fraterna união de dois corações. E para eles desses dias promanaram copiosos frutos de paz e de alento para a luta jornaleira que continua. Bem agem os que sabem divertir-se com medida, decência e dignidade. Nem foi preciso esbanjar o dinheiro que escasseia, nem mostrar escancarada nudez, nem esvaziar tonéis de chope, nem macetar o pobre corpo saltando como macaco horas e horas a fio, dias e dias seguidos.
Lembrassem todos que o homem nunca é tão homem como quando sabe comedir-se e ser dono de seu nariz. Da mesma forma, nunca a mulher é tão mulher como quando sabe ser bela na dignidade e na simplicidade. Verdadeiramente, o Carnaval é pouquidão na banalidade e na mesmice de tudo e de todos. Ainda bem que a percentagem dos participantes é pequena (em proporção, claro, com a não participação). E melhor: surgem e alastram-se os Gabaons e Sarons e outros que tais, carnavalescos de causa boa e artistas de alegria pura. Há gente para tudo, felizmente.
- EDUARDO AFONSO, professor, Londrina
Carnaval (2)
Ainda bem que parece que está acabando. Segundo os noticiários, o Carnaval deste ano foi frio; os desfiles do Rio e São Paulo pouco entusiasmaram os presentes; Curitiba sepulta o samba; os samba-enredos foram muito ruins. A festa dos cachaceiros está no fim. Tomara que as autoridades de Londrina considerem tudo isso e parem com essa história de realizar Carnaval na cidade. Com os R$ 65 mil que a prefeitura gastou, dava para fazer coisa melhor do que expor pessoas ao ridículo de um desfile mambembe e caricato.
- JOSÉ MACIEL, Londrina
Usinas
Pensar em construir usinas hidrelétricas nos dias de hoje no Paraná, no mínimo é uma falta de respeito com os paranaenses (a propósito da notícia Copel expõe projetos de usina, publicada em Folha Cidades do dia 12). Por que? Pois o Estado é maior exportador de energia do Brasil, talvez da América Latina. E o Estado só consome 30% da energia que produz, conforme um artigo já apresentado neste jornal. Outro ponto é que os prejuízos sociais, econômicos e ambientais serão muito maiores que os benefícios. Então, investir no turismo na Bacia do Rio Tibagi seria uma excelente ação, pois geraria milhares de empregos permanentes e uma verba muito boa aos municípios. O turismo é a atividade que mais cresce no mundo.
- MÁRIO LUÍS ORSI, biólogo, Londrina
Restam os sonhos
Pessoas, algumas apressadas, outras dialogando, muitas preocupadas até falam sozinhas; Não dá para saber seus objetivos e deveres; politicamente falando, não dá para ficar só olhando. Onde é que estão meus líderes políticos? Será que estão preocupados com nossa nação? Estão sendo verdadeiros e honestos? Afirmo que não; se porventura estivessem, fariam verdadeiramente Ordem e Progresso. Mas ainda nos restam sonhos, de vermos em nossa volta pessoas dignas de respeito, com capacidade de respeitar; Que se conscientizem de que, a ordem começa por si próprio e que só assim o progresso surgirá.
- EDERSON LUIS DA SILVA, Londrina
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