O LEITOR ESCREVE
Pote de ouro seco
É como afirmava Monteiro Lobato: somos um país rico em recursos e pobre em vontade. Assim está o raciocínio de grande parte de nossos governadores e prefeitos que esbravejam, gritam, fecham prefeituras e até prometendo dar o calote no governo federal, mas não se ouve ou não se vê nas telinhas das televisões qualquer menção em fazer economia, enxugar máquinas administrativas ou promessa de administrar com austeridade mantendo a idéia fixa de que o pote de ouro de Brasília ainda está transbordando e que não precisam mexer no anacrônico ou empreguismo e também não se preocupam com o fato claro que onde cabem, digamos, mil funcionários, estão agregados cinco mil ou até dez mil, com poucos trabalhando e o resto, afilhados, mandando.
De certa forma estes homens públicos que têm mais capeta do que Deus não deixam de ter um fio de razão constitucional, pois nossa Constituição de 1988 é prolífera em vantagens, benefícios, direitos e alegria, sem contrapartida do trabalho, compromisso ou deveres. Só que todos esqueceram que aquele pote não era e não é de Brasília ou do governo federal e sim dos contribuintes que, exauridos com a carga de sustentar tantos desmandos, foram à lona, quebrando, falindo ou simplesmente desistindo de trabalhar e produzir ou ainda apelando para a sonegação por questão de sobrevivência.
A exaustão, como sempre foi alertado pelos meios de comunicação, chegou, e no bojo o desemprego, baixa produção e a desilusão dos que insistiam em fazer esta Terra de Santa Cruz crescer. Nestes últimos decênios não faltou alerta de jornalistas sensatos e dos próprios editoriais de responsabilidades dos jornais para o buraco que estávamos cavando.
Conheci uma empresa muito eficiente com a qual mantinha negócios, mas me parecia lucrativa demais pelo padrão que seus titulares mantinham, principalmente em suas andanças no exterior. Só após quinze anos de convivência descobri que os titulares eram também funcionários públicos. Parte dos nossos políticos ainda não foram avisados que a gastança exauriu o contribuinte que alimentava o pote de ouro de Brasília que, consequentemente, secou mas ainda insistem em mamar nas tetas que restam alimentadas por contribuintes ainda não extintos.
- EDSON HERINGER, de Londrina
Fraternidade
Eu, particularmente, gostaria que a Campanha da Fraternidade da Igreja Católica do Brasil deste ano estivesse ligada a um assunto que me desse conforto espiritual e não econômico. Não que esse não seja importante para mim, mas num Brasil tão afetado economicamente não vai ser essa campanha que vai acrescentar alguma coisa. Acho que o povo está mais carente das palavras de Cristo do que opiniões econômicas dos seus líderes religiosos, porque já tem muita gente que não entende nada de economia dando opinião a respeito e pouca gente para nos confortar a alma. Dai a César o que é de César. A gente não quer só comida, diversão, balé. A gente quer paz de espírito também.
- JAIME ADILSON MARQUES DE CARVALHO, Amsterdã (Holanda)
Socorro à saúde
Saúde diz reservadamente: ‘‘Socorro!’. Sobre a notícia ‘‘Fazenda elimina alíquotas para material escolar’’, em Geral do dia 19: ‘‘Melhor é a mágoa do que o riso, porque a tristeza do rosto torna melhor o coração.’ Essa frase do Eclesiastes bíblico demonstra a situação que vem ocorrendo no mundo capitalista, que abarca as inter-relações entre os seres humanos. Cortar as verbas de saúde é uma forma satírica de dizer ao doente: ‘‘Fica rindo, pelo menos disfarça a tristeza’’. Sarcasmo de um sistema que caminha com o corpo ‘‘hollywoodiano’’ mas com o coração com os mesmos tormentos que maltrataram as tribos de Israel. Está na hora de unirmos (o povo!) as forças com intuito de juntar os mais modificados sentimentos de ‘‘querer viver’’ para que a possibilidade de vitória possa ser um condicionante aproximativo. Tristeza que somos. Tristeza que sentimos. Tristeza do País. Essa é a luta. Do Eclesiastes à Internet: ‘‘Se tremes perante as injustiças do mundo, então já somos companheiros’’. (Che Guevara).
- TIAGO TONDINELLI, Londrina
O que vejo
Pessoas, algumas apressadas, outras dialogando, muitas preocupadas até falam sozinhas; não dá para saber seus objetivos e deveres. Politicamente falando, não dá para ficar só olhando. Onde é que estão meus líderes políticos? Será que estão preocupados com nossa Nação? Estão sendo verdadeiros e honestos? Afirmo que não; se porventura estivessem, fariam verdadeiramente ‘‘Ordem e progresso’’. Mas ainda nos restam sonhos, de vermos à nossa volta pessoas dignas de respeito, com capacidade de respeitar; que se conscientizem que a ordem começa por si próprio e que só assim o progresso surgirá.
- EDERSON LUIS DA SILVA, Londrina
Maus políticos
O mal do brasileiro não é ter o hábito de deixar tudo para última hora. É aceitar pacificamente tudo aquilo que vem de cima. Somos ‘‘burros’’ demais, num país tão democrático, onde se vota cegamente. Depois de eleitos, os políticos viram as costas e atacam o eleitorado. Se este é o País do futuro, o que diremos do futuro do Brasil? IOF, CPMF, IPTU, IPVA, Kit de Primeiros Socorros, Recadastramento para o CPF, multas à revelia, tudo para ‘‘educar o povo’’.
Não temos guerras, furacões e terremotos, mas temos juros altos, carga fiscal altíssima e governantes bastante criativos, principalmente no tocante à criação de novos impostos. O que resta saber é até quando as empresas e os contribuintes suportarão esse peso, pois toda empresa tem uma capacidade de contribuição e o que exceder fica para a criatividade do empresário. Ele finge que aceita o aumento e encontra um meio para não fechar sua empresa.
- OCIMAR MARTINS, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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