O LEITOR ESCREVE
Itamar
Sou totalmente contrário a duas coisas muito similares: moratórias e perdão de dívidas de impostos. O que acontece em Minas é fruto mais do gasto desenfreado, acima do razoável, em que o governo local recorreu a agiotas (federais ou internacionais). Se o fez, foi com as próprias pernas. Itamar Franco, de ingênuo e iniciante em política não tem nada. Duvido que não soubesse da situação de Minas. Muito do que se passou foi motivo puramente pessoal. Houvesse ele sido paparicado pelo governo federal, hoje seu comportamento diferente seria. Louvo muito mais atitudes como as do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, que iniciaram os protestos pelas dívidas dos Estados ao mesmo tempo em que Minas iniciou, mas rechaçaram de pronto o popular ‘‘calote’’. Buscam caminhos legais e de acerto com urgência de suas casas bagunçadas.
O ‘‘calote’’ inconsequente só atirou no colo do País a conta para pagar. O dinheiro só tem um lugar de onde sair. Dos impostos que todos os assalariados pagam, uma vez que, como os jornais noticiaram bastante neste fim de semana, a maioria das empresas sonega ou se isenta de pagamento. Fosse Itamar à Justiça, comprovando ou a agiotagem do governo, ou a má-fé, ou a desonestidade de governantes anteriores de seu Estado, ou negociatas escusas em contratos de fornecedores e prestadores de serviço, ou qualquer outro caminho legal, muito eu o aplaudiria. Não só se estimularia o caminho da legalidade, mas se pressionaria a Justiça a ser mais rápida e os tribunais de Contas mais atuantes. Em suma, se azeitariam mais as engrenagens democráticas.
Moratória é um direito, é um lema muito fácil de falar e fácil de se declarar. O que realmente atrapalha são as consequências. Neste momento, só Deus sabe o que se vai pelo nosso futuro. Em vez de se estimular moratórias, o que valeria a pena que as entidades que patrocinam este ato é mudar o lema. Apoiar renegociações e uma ordem transitória que facilitasse a oposição iniciar a preparação das campanhas de foro municipal próximas, buscando assim estabelecer um degrau sólido para galgar posições mais fortes. Devemos fugir das soluções mágicas. Isto não existe. Acho que Minas e mais alguns Estados falirem, uma vez que fizeram as despesas com toda a autonomia, talvez seja o preço que eles, e o Brasil precisam pagar.
- LINO F. R. MOREIRA, Rio de Janeiro

Suaves brumas
Pierrô cabisbaixo mas confiança no resultado que buscava, colombina retirando o brilho que na pele já sumia, se entreolharam, buscando as verdadeiras roupas num canto do camarote e da avenida, agora só ecos lúgubres das deslumbrantes baterias, dos aplausos mudos das vazias arquibancadas, e dos dias e noites que se ultrapassaram numa cavalgada quase insana. Num caminho para casa enxergaram o verdadeiro Rio de Janeiro, muito lindo de se olhar dos aviões ou nos dias festivos. As avenidas e ruas sujas, sujas e mal cuidadas, os ônibus e trens da Central do Brasil trafegando como se bois levassem, o trânsito endoidecido, a pobreza desfilando a verdade nos outros 358 dias.
Acabara a visão fantasiosa - numa esquina maltrapilhos, na outra, trombadinhas - acolá acidentes, mas o mar imune ao pior. O poeta não errou quando falou de Ipanema. O Jardim Botânico desfila sobre o calendário, beleza nada perene, mas a realidade voltou com o sol e o silêncio da Sapucaí.
Num canto de rico bairro a ‘‘até então considerada bonita moça’’ rasgou a colombinesca fantasia, deitando-se em posição de espera proporcionou o aborto do que tinha de melhor, apoiada pelo pierrô, que carregava dólares para a criminosa cumplicidade. O crime foi concretizado. No canto dos olhos dela uma página de antiga estória secou junto com sua alma e nos dele, o sorriso pérfido e canalha do: ‘Consegui’. E a vida, como nunca, desafiou-lhes as intenções dos corações, gerou paz derramando-se em suaves brumas no interior de um passageiro da luz que sempre pregara contra todo tipo de mentira e aborto, embora voz solitária no deserto da mediocridade e sordidez.
- LUIZ EDGARD BUENO, Londrina
Desperdício de palavras
Somos professores e, como muitos, sentimos certa tristeza e indignação ao nos depararmos com o artigo do jornalista Walmor Maccarini intitulado ‘‘Professores ensinam desperdício’’, publicado dia 11 de fevereiro neste jornal. Em seguida, acompanhamos também comentários de dois leitores sobre o referido artigo, na coluna ‘O leitor escreve’. Como educadores acreditamos salutar qualquer contribuição dada para a melhoria da qualidade de ensino. Mas não podemos aceitar passivamente a afirmação taxativa no início do artigo: ‘‘Desperdício se aprende na escola’’. Nem podemos aceitar que a culpa pela situação do ensino no país seja imputada ao ‘‘algoz e arcaico’’ professor.
O artigo faz sua análise parcial e simplista da atuação do professor e do ensino no país. A situação da escola é mais complexa do que pedaços de giz e capas de cadernos. Só aquele que acompanha e tem o compromisso com o cotidiano escolar sabe dos desafios que enfrentamos. Aliás. cada vez mais professores e funcionários não medem esforços para trazer as famílias e a comunidade para o seio da escola.
Não podemos avaliar a atuação do professor sem considerar as más condições de trabalho: ‘‘jornadas insanas na escola e em casa, salários aviltantes, salas lotadas, falta de recursos pedagógicos e falta de infra-estrutura adequada. Apesar destas más condições de trabalho, apesar da falta de uma política séria de formação do professor, da falta de uma política de subsídios ao livro didático, descaso e da falta de compromisso da maioria dos governos com a educação, resistimos bravamente e continuamos com dignidade a exercer esta profissão tão nobre.
Avaliamos que o jornalista poderia ter usado melhor o espaço deste jornal fazendo uma análise mais ampla da situação político-educacional do país. Gostaria de tê-lo como aliado para deflagração de uma campanha nacional pela valorização dos trabalhadores em educação. Aliás, segundo pesquisa realizada pela UnB - Universidade Nacional de Brasília e CNTE - Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação, cerca de 60% dos professores da educação sofrem de exaustão emocional. É a síndrome do Burnout, ou seja, queima para fora, perder a energia.
Lembramos aqui do grande escritor Guimarães Rosa: ‘‘Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.’’ Com este espírito encerramos e conclamamos o jornalista, os leitores e a comunidade a somar forças com professores e funcionários na luta por uma educação melhor para nossos filhos. Luta que passa necessariamente pela valorização dos profissionais da educação.
- LUIZ CARLOS PAIXÃO DA ROCHA e LUÍS MARTINS DE LIMA, membros da diretoria da APP Sindicato
A foto da reportagem ‘‘Em Foz, as máscaras voltam ao salão’’, publicada na página 6 do caderno Folha2, na edição de 15 de fevereiro, foi feita no clube Floresta, e não no hotel Mabu, como consta na legenda. Erro foi provocado por problemas na transmissão da foto.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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