O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Especuladores
Os dias são terríveis. A guerra nas Bolsas e a alta do dólar nunca tiveram essa ferocidade, esse estrangulamento de todos os instantes, a armadilha, a emboscada em cada canto. Nessas guerras do dinheiro, sorrateiras e covardes, onde os fracos são estripados pela calada da noite, não há laços, não há parentes, não há amigos. É a lei dos fortes, dos especuladores, dos que devoram para não ser devorados. E o povo paga esse insaciável apetite. A Bolsa dos grandes países tem em mira a grandeza. Eis o segredo. É necessário um projeto vasto cuja amplitude arrebate a imaginação. É preciso um ganho considerável, que duplique, triplique o capital empatado. Então, nas Bolsas as paixões incendeiam-se, a vida flui e cada um traz seu dinheiro. Pode-se então amassar e dominar a Terra. Que mal há nisso? Os riscos corridos são voluntários, divididos por um número pequeno de países, desiguais e insensíveis à fortuna dos demais. Perde-se, mas também há a possibilidade de ganhar. A humanidade não tem um sonho mais obstinado e mais ardente que este, de tentar a sorte, de obter tudo de um seu capricho, e tornar-se rei, deus...
E essa cotovelada das Minas Gerais, no acesso de febre que cresce ao redor da Bolsa, foi a chicotada do Real, o último fôlego, foi lançado à valeta, estropiado. A dificuldade da estabilização surge, prolonga-se por tempo indeterminado, sem que se chegue a uma conclusão sólida. Será de cinco, seis meses, um ano? Os países que controlam a oscilação da Bolsa, que dirigem esse galope chicoteando e estrangulando as bestas pobres, chicoteiam com ferocidade e estratégia extraordinária; embora não os matem, os mantêm fracos, anêmicos, mas não mortos, dão-lhes uma pitada de tisana universal, o remédio real: o dólar. Injetam alguns milhares e sangram impiedosos, sem escrúpulo.
E os estrategistas nacionais? Convencidos da excelência do Plano Real, ou ignorando suas consequências, não cederam terreno antes das eleições. Encheram seu sacos de dólares e deixaram com a sociedade os reais desvalorizados, e sequer tentaram obstruir o caminho dos assaltantes.
- VICENTE DE PAULA PENHA, Londrina
Segurança no trânsito
No início do ano passado, com o novo Código de Trânsito entrando em vigor, a maioria da população sentiu-se tranquila, imaginando que todos estaríamos mais seguros devido a tantas e severas punições aos infratores. Porém, a tranquilidade da família Basso, de Cambé, durou pouco. No dia 16 de fevereiro de 1998, apenas alguns dias após o início do novo código, às 6h30m da manhã, o Sr. João Antônio Basso dirigia-se ao trabalho, caminhando no acostamento próximo do meio-fio, na Av. Roberto Conceição, naquela localidade. Mas foi atropelado e morto pela Belina de placa ADB 1767, conduzida por Ferdinando Vinícius D. Zaparolli, que, em alta velocidade, invadiu o acostamento.
A família da vítima esperava que, devido à gravidade do delito, o autor receberia as punições cabíveis dentro da nova lei, porém embora decorrido um ano, nada foi feito pelas autoridades. Sequer uma multa foi lavrada e nem a habilitação do condutor foi suspensa, estando ele livre e solto para cometer novos crimes, pois não lhe restou nenhuma punição. Talvez carregue algum remorso como consequência.
- ALTAIR MARINHO PREVIATO, Cambé
Deus, Diabo e Clinton
A velha disputa entre o bem e o mal, de um lado um deus todo poderoso com barbas brancas e olhos cristãos puxando um carrinho de mão onde o homem fica sentado sendo atentado pelo demônio e suas orlas com revistas pornográficas e desejos múltiplos vem sendo totalmente massacrada por uma terceira situação fomentada por uma terceira entidade: a alienação. Nenhum sincretismo conseguirá unir esse terceiro sujeito aos outros dois por dois motivos básicos: ele provém de um fator externo sobre o homem e, secundariamente, entra bem lá dentro do ser humano.
A história de Bill Clinton mostrou como essa entidade está eenferrujando as rodinhas do carrinho onde o homem fica sentado. Uma nação dominadora de 90% do capital líquido ou smart money do mundo e formada pelos maiores centros de turismo ao invés de ser tentada continuadamente pelo Satã (à moda Al Paccino em Advogado do Diabo) está martelada pela alienação dos meios de comunicacão e pela política, irmã de sangue do primeiro. Um povo com tamanho poderio ameaçando a sobrevivência de uma política com influências em todo mundo apenas por uma - como se diz nas pontas dos bares - boquetinha. Deus e o Diabo que se entandam.
- TIAGO TONDINELLI, Londrina
Perigo
Temos a vice-governadora, um tri (e espero que fique por aí) prefeito, secretários estaduais, cidade acolhedora que ouve até os estranhos no ninho, como o cidadão de Petrópolis em carta à Folha, um Hospital Universitário necessitado, um aeroporto caduco, um PAI (Pronto-Atendimento Infantil) que quase trouxe a Xuxa para um show, um Lago Igapó que quase foi soterrado, uma Pirambeira sem solução, um Getexcel retirado das mãos da sua fundadora - justiça só na conversa, à revelia das provas - e uma enorme falta de visão de muitos dos que nos conduzem.
Como é que se permite esse movimento absurdo num aeroporto que não dispõe de condições e equipamentos necessários para a segurança de todos? Se a cidade se sentiu lisonjeada com a opinião de minha amiga paulistana, publicada aqui: Tudo bem, é um jardim. Mas para quê o avião descer na área de serviço dos prédios?. Na região do Colégio Canadá, Cesulon, Universitário, Anchieta e outras escolas, um avião quase leva junto o Edifício Serra Negra, em plena Rua Paranaguá. Londrina é bonita, acolhedora, mas já estão deixando de cuidá-la como ela merece.
Será que os responsáveis pelo meio ambiente já tentaram verificar o ruído e perigo a que estamos expostos, não só no trânsito das ruas e avenidas, mas o que está sobre nossas cabeças? Muito mais do que PAIs, necessitamos de paz e segurança. Não globalizem a criatividade, tornando-a refém e receptáculo do que as grandes cidades têm de pior: A não condição de se tornarem ninhos seguros e pacíficos para todos, até para os que se sentem estranhos.
- LUIZ EDGARD BUENO, Londrina
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