O LEITOR ESCREVE
Equívocos
Não posso me calar diante da carta de Raimunda dos Santos Guedes, publicada no dia 31 de janeiro. Depois de referências elogiosas a ilustres personalidades do Rio Grande do Sul - do qual me orgulho de ser filho - a missivista cometeu alguns equívocos. Em momento algum o governador Olívio Dutra fez apologia ao descumprimento da lei, à desordem, à inversão de valores, à arruaça, e tampouco quis tumultuar o País. Ele apenas questiona na Justiça, e isto lhe é permitido por lei, os valores da dívida do Estado junto à União. Se forem pagos, tornarão ingovernável o Rio Grande do Sul.
Quanto ao reconhecimento mundial da liderança do presidente Fernando Henrique Cardoso cabe ressaltar que todas as suas ações governamentais visaram até o momento agradar ao capital especulativo internacional. Tanto que, por imposição do FMI, ele se viu obrigado a trocar o presidente do Banco Central, dando as costas para os problemas brasileiros, situação abordada pelo jornalista Walmor Maccarini no artigo ‘‘A auto-suficiência nos salvarᒒ (dia 5). Para os EUA Europa é extremamente conveniente ter aqui, no Brasil, um chefe de governo que vise tão-somente agradar as grandes potências mundiais. No Rio Grande do Sul temos um governador que governa para os gaúchos, enquanto no Brasil temos um presidente que não governa para os brasileiros.
- JOÃO BATISTA SOARES GONÇALVES, advogado, Florestópolis
Carnaval, festa ou fuga?
O ano mal havia começado e o brasileiro, ainda no ritmo das festas, entrou 99 esquentando os tamborins para o Carnaval. O Brasil é um país atípico, com povo de características sem igual. Deixamos 98 ainda afogados nas dívidas de Natal e Ano Novo e mergulhamos em 99 com a expectativa do ano começar somente em março. Até lá o povo vive momentos antagônicos. Enquanto muitos sucumbem ao desemprego e os efeitos da crise econômica, outros fingem nem perceber o delicado momento e o caos sócio econômico que atravessa o País.
Paradoxalmente, o povo ainda sorri e se entrega ao samba. Uma infinidade de pessoas se dão ao luxo de gastar com fantasias sem luxo os míseros reais que sobram ou que nem possuem. Tudo em nome do Carnaval, festa usada para proporcionar ao povo a fuga da realidade no meio das fantasias. O sexo chega a ser gratuito. Abusam-se das bebidas. A mídia promove a apologia da alegria fácil, insana e da libertinagem. As bandas ousam tocar antigos clássicos que de tão clássicos e repetidos tornaram-se chatos e desafinados. Engolimos bailes onde se misturam Braguinha com ‘‘É o Tcham’’, Jamelão com pagodes sofríveis. Estão matando e entediando nosso Carnaval.
- EDCESAR VICENTE LEITE, Londrina
Povo traído
A cada dia que passa o brasileiro fica mais confuso e intrigado com repentinas e drásticas mudanças no câmbio. Nem o mais conceituado economista pode afirmar com certeza o que esse governo fará amanhã. O povo brasileiro sente-se como brinquedo na mão de crianças irresponsáveis e inconsequentes. O povo não esqueceu as promessas de emprego de FHC em sua campanha. O povo quer saber onde está o dinheiro da privatização das estatais. O povo foi traído porque votou não no homem, mas na estabilidade do real. E quando um furacão chamado Itamar surge com frases nada felizes, o povo fica entregue a políticos totalmente despreparados. O brasileiro não sabe onde está e muito menos para onde vai. Olhares apreensivos de 160 milhões de pessoas se voltam para o horizonte em busca de facho de luz no nebuloso e incerto futuro que nos espera.
- OCIMAR MARTINS, Londrina
Artigo (1)
Cumprimento os jornalistas Paulo Briguet e Walmor Maccarini pelos artigos ‘‘Carta a um jornalista’’ e ‘‘Professores ensinam desperdício’’. Na minha modesta opinião existe uma co-relação entre aqueles artigos. Sabemos que grande parte dos nossos professores, por motivos óbvios, não estão preparados para exercer com ética e dignidade seu trabalho, resultando na sociedade em que vivemos (corrupção, sequestros, assaltos, homicídios, prostituição infantil, trabalho escravo, impunidade) enfim, todos esses males que tiram nosso sono. Porém, conseguiríamos amenizar muitos dos nossos problemas se começássemos a conscientizar nossas crianças desde o berço. É questão de discernimento de valores éticos, morais, cívicos, culturais, religiosos etc.
- SEBASTÃO VICENTE RODRIGUES, Londrina
Artigo (2)
O redator da Folha do Paraná/Folha de Londrina e diretor do Sindicato dos Jornalistas de Londrina, Paulo Briguet, certamente não se lembra, mas conheço-o desde os tempos da UEL (Universidade Estadual de Londrina), onde nossas idéias divergiam quase totalmente e éramos ‘‘adversários’’ dentro da política estudantil. Isto resultou algumas vezes em discussão inflamada, comigo e com meus colegas de curso e do Centro de Ciências da Saúde. Hoje, alguns anos depois, tenho o dever de cumprimentá-lo pelo excelente artigo ‘‘Carta a um jornalista’’, publicado dia 9: texto oportuno, coerente, elegante e ético. Parabéns ao jornalista.
- ANDREA SANCHES FINCK, cirurgiã-dentista, Londrina
Bíblia e Ciência
A respeito da notícia ‘‘Livro ataca a Bíblia e defende a Ciência’’, publicada ontem na Folha2 do Paraná/edição Curitiba e região: o Sr. Aldir Buiar carece de nossas orações, porém diz uma verdade: a Bíblia e a Ciência andam juntas, com esta sempre em desenvolvimento e confirmando as palavras adoradas dos ignorantes que escreveram seus ‘‘sonhos’’ durante o dia, revelados pelo Senhor Deus. Desculpe-me Sr. Aldir, não vou ler seu livro; não tem base científica.
- EDUARDO ALONSO, Londrina
Correção
Nome do prefeito de Campo Largo, Newton Luiz Puppi, foi grafado incorretamente em notícia sobre pedido de intervenção no município, publicada em Folha Cidades de ontem.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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