O LEITOR ESCREVE
A morte no bar
A morte no bar, na fila do banco, na rua, em casa, no trabalho, na escola, no lazer, enfim... a violência toma conta da cidade. A morte no Bar da Mocidade foi apenas um exemplo que se tornou notório, dentre as centenas de assassinatos que vêm sendo praticados. A diferença é que no caso, a Dra. Alexandra era profissional reconhecida que atuava ativamente na Ordem dos Advogados do Brasil, o que chamou, ainda mais, a atenção da imprensa fazendo chocar a opinião pública londrinense.
Nosso sábio secretário de Segurança, ao explicar a falta de atenção para com a cidade, refere-se às dificuldades financeiras que o Estado atravessa, e que até as poderosas empreiteiras não conseguem receber seus créditos por serviços prestados ao governo do Paraná. Ora, e o que nós, pobres mortais, temos a ver com isto? Onde estão o respeito e a sensibilidade social pela integridade de nossa população? Como ficam nossas famílias, ao sairmos de casa sem saber se voltaremos vivos?
Londrina é tida como campeã em estender tapetes vermelhos e perfilar bandas de música para recepcionar as autoridades políticas, que aqui vêm fazer seus inflamados discursos. Felizmente, não é esse o comportamento do Conselho de Segurança de Londrina e Região Metropolitana. Nota-se que sua diretoria, liderada pelo Dr. Jorge Coimbra, não se intimida com a imponência e a arrogância de nossos governantes. Esse Conselho apresenta o mérito de aglutinar forças das demais entidades civis organizadas e da própria comunidade, para que as promessas de campanha do governador se façam cumprir, nem que seja através dos caminhos da Justiça. Espero que esse artifício não seja necessário.
A vida do ser humano pretere às questões financeiras, senhor governador, senhor secretário. Tentem se sentir membros das famílias desesperadas pela perda de seus entes queridos, em função da violência, que esse governo, ‘‘desde a gestão anterior’’, prometeu resolver. Será verdade? Quantas vidas ainda vamos pagar para ver? Será que algum dia voltaremos a ter a tranquilidade de, pelo menos, frequentar um restaurante, sem medo de levar uma bala perdida, que sempre mata as pessoas e nunca o bandido?
- FÉLIX RIBEIRO, dentista, Londrina
Papel do jornalista
Parabéns, e muito obrigado, prezado jornalista (Paulo Briguet, da Folha). Como é bom a gente ler o que a gente gostaria de ter escrito, e o que muitos sentem e gostariam de expressar. Este é o leal e puro papel do jornalista. Sua carta publicada dia 9 - severa sem deixar de ser respeitosa, exata e límpida, arguiu e estigmatizou a manipulação inglória de acontecimentos dolorosos da vida humana por parte de pseudocomunicadores. Era preciso da parte deles mais respeito. Mais delicadeza. Mais amor. A exacerbação doentia de certos ‘‘famigerados’’ apresentadores de TV atinge violentamente o cúmulo da morbidez e da ousadia. É afronta descabida aos brios da comunidade extravasar os limites da decência. Nem sei eu o porquê dessa pertinácia execranda. Como se TV não fosse concessão governamental no objetivo elevado de educar e divertir. Espero que sua carta (embora dirigida, e bem!), tenha alertado e esclarecido a população. E a população se precavenha. ‘‘Ai dos cães que não latem’’, reza a Bíblia. Não iremos sê-lo nem eu nem você, nem muitos outros que detêm a possibilidade de exorcizar os malefícios gerados pela ganância do Ibope e pela alucinação dos malfadados ‘‘dólares’’.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
Descaso
Outra vez o governo federal dá um exemplo e descaso e total falta de respeito com os produtores rurais do País. A Medida Provisória da Terra não passa de mais uma atitude equivocada e sem qualquer justificativa plausível. A não ser que o governo tenha planos de entrar em alguma guerra e esteja escondendo essa intenção da população, é totalmente imoral e absurdo tentar arrancar dos produtores as terras nas regiões de fronteira em nome da ‘‘segurança nacional’’.
Apesar dos agricultores que se encontrem nesta faixa estarem cumprindo seu papel de produzir, correm o risco de perder suas propriedades - cujos títulos foram adquiridos legalmente do Estado - sem direito sequer à indenização.
Felizmente nossos deputados, senadores, governadores e entidades estão atentos. É hora de dar um basta. Os produtores rurais já foram penalizados por demais nestes últimos anos e a duras penas tentam continuar na atividade. Gostaríamos de parabenizar a coragem e a determinação daqueles que estão lutando para impedir mais essa injustiça.
- FRANCISCO GALLI, presidente da Sociedade Rural do Paraná
Dura lex, sed lex
Muitos crimes e outras irregularidades são cometidas ou porque não se toma providência em relação a precedentes ou porque a memória de muita gente é fraca. Não houve recentemente um escândalo envolvendo vereador londrinense, que recebeu cheque de funcionário-fantasma da Comurb, e que o seu próprio assessor denunciou pela imprensa? Não houve também tentativa de extorsão contra famosa cooperativa de Londrina - a Cativa - e outra de Apucarana?
Claro que houve. Mas a cidade quer saber: que providências efetivas e exemplares foram tomadas? O tempo passa, faz-se de conta que nada aconteceu e, pode-se anotar, brevemente fatos semelhantes ocorrerão. Se existe a lei, que ela seja cumprida. Principalmente para valorizar a dignidade de quem a cumpre.
- ANTONIO FUNFAS NETO, médico em Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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