O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Mulher 1
Dizia Vinicius: As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental. Só que não existe mulher feia totalmente. Todas têm um toque de beleza, externa ou internamente. Toda mulher tem algo de flor, qualquer coisa que dança, algo de amor machucado, rosto sereno, algo de sacrossanto. É preciso que ela surja, não venha. Que parta, não vá. Que emudeça de repente, fazendo com que bebam do fel da dúvida. A beleza nem sempre se analisa pelo visual do rosto ou do corpo, mas pelo gesto, pela meiguice, pela doçura e pelas atitudes perante as dores, os problemas e os embates da vida. Tem que haver algo de divino, de brilho, de sol, de luz em todas as mulheres, não só nas Marias, afinal. Deus não lhes deu apenas forma e conteúdo, nem só sensualidade e sexto sentido, sensibilidade e graça. Deu-lhes um coração insuperável. Deu-lhes o dom maravilhoso da maternidade, do companheirismo, do amor. Deu-lhes um pouco da própria luz.
Parabéns a todas pelo seu dia. Saibam, não só hoje, mas sempre, fazer brilhar essa luz divina e maravilhosa, para iluminar o caminho de todos que por vocês passarem ao longo da estrada. Sejam sábias e fortes, pois só assim edificarão seus lares, fortalecerão seus companheiros e saberão educar seus filhos, a missão mais sagrada que Deus lhes confiou.
- CLARICE MACHADO, Londrina
Mulher 2
Sou vida, sou mulher. Geradora de vida, sou mulher. Discriminada, sou mulher. Violada nos meus direitos, sou mulher. Vista como objeto sexual, sou mulher. Como rocha firme, sou mulher. Às vezes submissa, sou mulher. Maria, Joana, Rosa, sou mulher. Na luta do dia-a-dia, sou mulher. Vítima da opressão e da violência, sou mulher. No seio o leite materno, sou mulher. Esperança na procriação, sou mulher. Guerreira sou força, sou mulher. Revolução na sociedade, sou mulher. Nas lutas populares, sou mulher. No campo sou da roça, bóia-fria, sou mulher. Operária, sou bancária, sou mulher. Negra, sou mulata, filha da mãe África, sou mulher. De pele vermelha sou da tribo, sou mulher. Vitoriosa, não temo o perigo, sou mulher. Imigrante ou migrante, sou de terra distante, sou mulher. Trago no ventre a semente da libertação, sou mulher. Simplesmente mulher.
- ROSICLÉ MOREIRA FONSECA, Londrina
Mulher 3
Que belo gesto da Câmara de Vereadores ao homenagear, no Dia Internacional da Mulher, Armanda Lopes, Vera Manella, Iracema Mangoni e Ligia Pupato que, nestes 62 anos de legislatura, lá deixaram seus traços, fazendo um pouco da sua história, lutando por Londrina e trazendo a força da mulher, contribuindo para o crescimento da cidade. Como mulher londrinense agradeço esse gesto, a galeria das mulheres no poder. Uma das homenageadas é minha mãe, Iracema de Melo Mangoni, que tanto lutou pelos sonhos dos outros. Que Deus abençoe Londrina para ter outras Armandas, Veras, Iracemas e Lígias. Que Deus permita que eu possa ser para meus filhos a mãe que ela foi para mim.
- IRACEMA DE MELO VOLOVICKIS, Londrina
UEL sobrevive
Funcionários desestimulados, pessimamente remunerados. Docentes com alto grau de especialização fugindo dos baixos salários. Boa parte dos que ficam são incapazes de, sequer, preparar uma aula. O emprego na UEL vira mero bico. A Universidade não passa de atrativo trampolim político para muita gente, além de ser a maior diversão de um governo que zomba de funcionários, docentes e alunos. Este é o retrato da maior instituição de ensino superior do interior do Estado.
Os funcionários não têm representantes. O sindicato dos servidores ora é dominado pela inútil pelegagem, ora está nas mãos de senhores a quem o Criador não brindou com o dom da inteligência. Resultado desse revezamento perverso: desmobilização, pura e simples. O corpo docente da UEL tem seus valores. Docentes que ainda sabem o significado de contribuir para a formação do indivíduo. Mas são pessoas que não têm condições de se dedicar exclusivamente à instituição. Afinal de contas, ninguém quer morrer de fome!
Outros professores, no entanto, fazem com que a UEL seja apenas a maneira mais cômoda de crescer profissionalmente através da capacitação. Mestrado, doutorado, pós-doutorado e quando mais se espera deles a contribuição para a formação do acadêmico, vem a decepção: senhores da arrogância, muitos de nossos PhDs perdem a noção da realidade. Passam a acreditar que o sol nasce para lhes dizer bom dia. Vestibulares, existem aos montes. Quando os calouros se formarem, o mercado de trabalho que os absorva! Os universitários não conseguem, por mais que se esforcem, uma representação com a firmeza necessária para gritar contra o caos. O movimento estudantil local, tão vigoroso em outras épocas, hoje não consegue resolver divergências internas. É desorganizado, inoperante, radical em suas posições. Acaba servindo de braço político na defesa de ideais muitas vezes nobres, mas ao mesmo tempo ingênuos e utópicos. Com tudo isso junto, o quadro se torna devastador. Reflexo do ensino superior no País, a UEL dá sinais de cansaço. É, nessa história toda, apenas uma das vítimas. É preciso seriedade e mobilização para evitar que o nosso grande orgulho passe a ser motivo de vexame. A UEL hoje é isso. Qualquer descrição melhor terá sido mera ilusão.
- MARCELO ROCHA FERREIRA, Londrina
Baesa
A Baesa, da Pepsi-Cola, está no buraco, com o tamanho de 800 milhões de dólares. Quer dizer, deve pelo menos um bilhão e 300 milhões de garrafinhas da dita cuja. Para obter um lucro de 10% por garrafinha seria necessário bebermos uns 13 bilhões delas para empatar a conta. Pode? Agora uma perguntinha à la precatórios: Como garfaram um terrenaço londrinense, com aval da Prefeitura? Ninguém foi saber como estava a Baesa? Como fica isso? Que fale a administração anterior.
- LINCOLN BRAZIL E SILVA, Londrina
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