O Leitor Escreve
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Ratinho e o racismo
A Constituição contém dispositivo proibindo o racismo. Não por simples ato de liberalidade dos constituintes e sim por ideal de grandeza em que repousam altos interesses de unidade nacional, num país de diferentes raças. E o racismo não se caracteriza apenas por ofensas diretas que redundem em discriminação em bares, hotéis e clubes recreativos ou na contratação de empregados. Piadas e brincadeiras camufladas por demonstrações de amizade também constituem formas definidas de racismo. É das mais ferinas e contém a intenção venenosa de mostrar simpatias que, no fundo, não são simpatias, mas sim zombaria.
Dentro desse estilo irônico é que se extravasa o sentimento racista do apresentador Ratinho. No programa do SBT, desde o início de janeiro ele vem apresentando, à noite, um quadro em seriado, onde prega ostensivamente o racismo contra os nipobrasileiros. Aproveita sempre a participação de um nissei tonto, que faz o papel de tonto, para ser ridicularizado perante a platéia e os telespectadores. É a intenção de depreciar a raça. Na mesma cena, ele chama o nissei alternadamente de Adilson, Japonês e Japa, expressão pejorativa usada em filmes americanos para identificar com ódio os japoneses, que eram os inimigos de guerra deles.
E os descendentes de japoneses não são inimigos de guerra do Ratinho para serem chamados arrogantemente de Japa. Somem-se a esse detalhe outras brincadeiras discriminatórias que, embora de cunho aparentemente pessoal, no programa de TV afetam profundamente toda a colônia, principalmente os descendentes em idade escolar (3ª e 4ª gerações), passando a ser vítimas de chacotas e indignas gozações.
Em razão disso, as lideranças das associações nipobrasileiras, com a colaboração de políticos brasileiros que considerarem justa a causa, deveriam interceder junto às promotorias, a fim de que o Ratinho respeitasse a Constituição, parando de manifestar racismo contra descendentes de japoneses, mesmo que de forma jocosa como vem fazendo. Deixando de usar termos como Japa, Japonês, para designar os nisseis. Por simples questão de igualdade. Já que ele não trata os descendentes de outras origens de Africano, Italiano, Polonês. A insistência do Ratinho na postura racista poderá ofuscar o seu propalado espírito de igualdade de direitos, com vistas aos problemas sociais. Igualdade de direitos não consegue subsistir onde prevalece a parcialidade em função de raça.
- ANTONIO TUNOUTI, advogado e farmacêutico, Londrina
Sexo
Na reportagem Escolas vão falar de sexo no dia-a-dia, publicada dia 5, é certo que o governo do Estado quer dar orientação sexual segura aos adolescentes e até às crianças. Isto serve para evitar os problemas que tanto conhecemos. Louvável a intenção da SEED. Porém, ressalto dois pontos nesta questão: a iniciativa do governo decorre de um problema maior - os pais que não orientam sexualmente seus filhos de maneira franca e correta. E é mais fácil cortar o problema pela raiz. Sugiro, como cidadão, que de alguma forma a SEED incentive os pais a darem esta educação sexual, que é obrigação da família. Palestras, cursos ou outra forma de fazer os pais cumprirem seu papel nessa área.
Também acho difícil um pai de família aceitar que seus filhos de 1ª a 4ª série sejam educados sexualmente por alguém que ele não conhece, mesmo sabendo que, se alguém não fizer isso, ele acabará aprendendo nas ruas e correrendo riscos, como alguma DST (Doença Sexualmente Transmissível) e gravidez indesejada. Mais uma vez, sugiro uma orientação do governo para os pais fazerem, literalmente, o dever de casa. A orienção via escola começaria mais tarde, na 5ª série, quando a maioria dos alunos já estaria informada por seus próprios familiares, sem que houvesse qualquer choque com os costumes de cada família.
- EDUARDO NUNES MILITÃO, Curitiba
Rodovias
Recentemente viajei 6.200 quilômetros por rodovias do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rondônia. O pior trecho rodoviário, em matéria de conservação, se encontra no Paraná (Joaquim Távora-Santo Antonio da Platina-Andirá até o posto fiscal na divisa com São Paulo). No Estado de São Paulo percorri aproximadamente 280 quilômetros em rodovia muito boa, com 3 e 4 pistas e ótima sinalização. Nela encontrei dois pedágios, com cobrança em apenas um sentido. Um pedágio para a ida e outro para a volta.
Inconscientemente, comparei aquele com um trecho de estrada paranaense semelhante que uso com frequência (Jaguariaíva-Curitiba) e pago quatro pedágios duplos, ida e volta). As rodovias federais do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia estão em processo de recuperação e manutenção da sinalização, de boas para ótimas condições de uso. Nelas não encontrei qualquer sinal de possível praça de pedágio.
Novamente não pude deixar de comparar. Aqui os pedágios foram apresentados e aguerridamente defendidos como única condição possível para a manutenção e investimentos nas rodovias federais estadualizadas. Lá a recuperação e a manutenção dessas rodovias deixam visíveis sinais de dinâmica acelerada com ostensiva divulgação através de grandes placas do DNR, indicando utilização de recursos do governo federal.
- DELCINO TAVARES DA SILVA, Londrina
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