O leitor escreve
Juros
A preservação do real, a qualquer custo, foi o grande mote da política econômica adotada nos últimos quatro anos pelo Executivo Federal. Desemprego, inadimplência, encarecimento da dívida interna, perda da competitividade internacional - especialmente nas exportações brasileiras - sucateamento da indústria nacional, nada disso foi considerado como relevante para que se providenciasse qualquer tipo de mudança na política cambial. Desvalorizar o real era absolutamente impossível.
Acontece que o impossível aconteceu! O governo mudou sua política e optou pela desvalorização do real frente ao dólar. Agora, o Brasil ingressa numa nova e delicada fase, inclusive experimentando o denominado dólar flutuante, com o qual a familiaridade ainda é muito pequena. Todavia, a lógica nos indica que o Executivo deve tratar de baixar rapidamente os juros. Se estes forem mantidos altos para não desvalorizar o real, por que então preservá-los em níveis elevados se a desvalorização já é uma realidade?
É preciso aproveitar o momento para corrigir a política monetária. Uma política que sacrificou anos seguidos toda a população brasileira. Lembre-se, ainda, que a redução dos juros é uma forma de compensar, em parte, as empresas que acreditaram na defesa do real e também se endividaram em dólares. Há que se aproveitar mais essa crise para aprender com ela e colocar a política monetária no rumo certo, inclusive contando com as reformas que o Congresso Nacional está finalmente votando, incluindo-se nesse rol a oportunidade de se conduzir a reforma tributária de maneira competente e com a brevidade há tempos exigida por todos os cidadãos.
- WALTER F. LAFEMINA, São Paulo (SP)
Políticos
Outro dia o Fantástico da Rede Globo mostrou as fitas gravadas quando o governo militar decidia a instituição do famigerado AI-5. Foram anos terríveis aqueles da ditadura. É bom nem pensar. Vivemos situação semelhante àquela. O sr. Fernando Henrique Cardoso foi reeleito porque o povo achou que ele deveria continuar conduzindo o País. Todos já sabiam que deveriam ser feitas muitas reformas, e acabar com muitos privilégios que sangram a nação e consequentemente quem sempre sofre é o povo.
Mas tem um agravante, o Legislativo não deixava que as reformas prosseguissem, pois logicamente terão que votar medidas duras, mas necessárias, pois se o País está nesta situação, a grande responsabilidade é deles, pois se as contas públicas estão arrombadas, eles que são fiscais do povo (para isso que foram eleitos) não fazem sua parte, a não ser querer levar vantagens, principalmente ganhar sem fazer nada em benefício coletivo do povo. Já passou da hora de haver um amadurecimento destes políticos, e começar a resolver os problemas gravíssimos que o País enfrenta.
- ALOÍSIO SCHELLER, Centenário do Sul
Inflação
Dólar subindo de cotação (quando escrevia esta carta, a moeda norte-americana estava sendo negociada no paralelo a R$ 2,00), gasolina mais cara (comum a R$ 1,00 o litro), automóveis de todas as marcas tendo seus preços reajustados na faixa de 5%, supermercados fazendo a apoteótica volta da famosa maquininha que não para de trabalhar, enfim, uma gama imensa de provas irrefutáveis de que o sonho do Real acabou.
A inflação bate às nossas portas e assalta nossos bolsos já vazios, já que não temos aumento salarial há cinco anos. A desumanidade de cobrar dos aposentados um percentual sobre suas pensões. O desemprego cada vez maior e a descrença na classe política, tudo isso faz com que afirmemos: Já vimos esse filme e sabemos seu final.
- FERNANDO EGYPTO BEZERRA, bancário, Petrópolis (RJ)
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