O Leitor Escreve
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Kit Brasil de primeiros socorros
Um acidentado grave na calamidade diária de nossas estradas não deve ser removido do local, nem tocado por leigos que acorrerem ao sinistro. O melhor caminho é o do telefone mais próximo para chamar o atendimento especializado de urgência. As lesões leves não precisam de atadura de crepe, esparadrapo, gaze, tesoura sem ponta ou bandagem de algodão triangular. O único item de preservação de quem atende ao acidente é o par de luvas de borracha que evita o contato com sangue eventualmente contaminado.
Em meio à polêmica envolvendo a matéria, cabe a metáfora: seria mais apropriado o caminhão Brasil e seu condutor FHC criarem um kit gigantesco para a Nação. A atadura de crepe pode unir as mãos de governo, empresários e Parlamento em torno de políticas públicas mais incisivas de emprego e trabalho, com desenvolvimento sustentado. O rolo de esparadrapo poderia estancar a sangria de divisas, mesmo tendo que usar a tesoura sem ponta para cortar fundos nos juros altos, que atormentam cidadãos e empresas. A bandagem de algodão se ajustaria à reviravolta na política cambial, armadilha criada pelo próprio Palácio do Planalto, decisiva na reversão de expectativa de redução do PIB. As luvas permitiriam o contato cuidadoso com as situações escabrosas e malcheirosas de compra de votos, assassinato de deputados entre outros escândalos. Quiçá não revividas nos próximos quatro anos.
Se, à semelhança do acidentado comum, deixarmos de levar o paciente Brasil para tratamento especializado e emergente, nem adiantará usarmos os dois pacotes de gaze do kit de primeiros socorros, pois este será o fim de seus sinais vitais.
- VILSON ANTONIO ROMERO, jornalista, Brasília
Itamar (1)
Com referência ao artigo Itamar está no Olimpo, do jornalista Gaudêncio Torquato, publicado no último domingo, gostaria de dizer que quem criou o Olimpo foram os homens, e nada mais simples e complexo que ouvir e ler as opiniões majestosas do Sr. Torquato. Ele seria um arauto da simplicidade e das soluções do País? Quando todos esses arautos acham que os eleitos devem ser subservientes, eis que vêm um arrogante, e desafia o que está estabelecido. Pelo que notei, acho que o divino jornalista e professor não gostou muito dessa intromissão. Penso que estava gostando de sua ilha de moralidade, justiça, probidade e discurso de nosso presidente. Só sua mesmo, pois a maioria do povo nem sabe o que é moralidade, justiça, probidade etc. Olhar para baixo significa, para um deus, olhar para baixo. Mas, para um homem pode significar muitas coisas; e com esse olhar veremos todos os sentimentos humanos, tais como a raiva, a dor, o choro - e aqui cabe colocar o desespero que afeta os menos afortunados. Mas isso os deuses que vivem em ilhas não podem perceber, pois não se consideram humanos. Itamar se parece com um homem comum ou com um deus?
- GILMAR BERTELLI, Mogi das Cruzes (SP)
Itamar (2)
A moratória das dívidas do Estado de Minas Gerais junto ao governo federal anunciada pelo seu governador Itamar Franco repercutiu como uma bomba na mídia. Foi uma ducha fria na confiabilidade que o País vinha conquistando junto ao FMI e outros órgãos oficiais da política monetária mundial, bem como por parte das empresas que viam no Brasil uma boa opção de aqui aplicar recursos dada a nossa importância no mercado mundial.
Ninguém esperava por isso, principalmente de quem veio, um peso pesado da política nacional, que até presidente da República já foi. Daí a nossa indignação diante dessa falta de patriotismo e de irresponsabilidade. De que adianta o País ter um grande potencial, se boa parte das políticos eleitos para comandar seu destino só conseguem enxergar a próxima eleição. Nossa crise é de valores, de patriotismo. Os interesses da Nação e do cidadão estão sendo ignorados e esquecidos, justamente por aqueles que receberam votos de confiança, e que estão recebendo polpudos salários, e portanto deveriam trabalhar com mais amor e dedicação. O Brasil bem que merece.
- SILVÉRIO DA SILVA, Londrina
Itamar (3)
Moratória? É esta a palavrra correta? Brasil endividado. Estados apavorados. É preciso fomentar a economia com trabalho, recursos, criatividade e confiança. Brasil rico com um povo pobre. Chega a ser humilhante. Não o desapego, mas a falta de credibilidade na capacidade do brasileiro. O governador Itamar Franco fecha os portões. Ninguém entra ou sai até a segunda ordem. O que fazer se o dinheiro no mundo tornou-se o centro das atenções? Aquilo que deve ser uma troca normal de compra e venda virou um pesadelo.
Numa economia desgastante em que viver dignamente, um direito de todos, custa muito caro. Estipulam-se um valor exagerado para as coisas. O dinheiro não deixa de ser um objetivo na vida para se adquirir algo. Assim como os degraus dos cursos acadêmicos. Mas será que não existem outros objetivos na vida? Há pessoas que têm como o objetivo o de ser santo. E o objetivo dos governadores, no momento é o de acertar as contas. Só Deus sabe o dilema. A atitude do governador Itamar Franco vira bode expiatório. Tudo em nome da política monetária internacional.
- IRACILDA PRESTES PADILHA, pedagoga, Curitiba
Correção
- Por erro técnico, notícia EUA chamam Israel e palestinos para reunião foi repetida parcialmente na página 9 (Mundo) de ontem.
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