O Leitor Escreve
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de dezembro de 1998
Se eu fosse Papai Noel 
Se num toque de mágica tivesse o poder da transformação, transformava-me num coração puro, alma benfazeja, ouvidos atentos e começaria a ver tudo diferente, percebendo que o óbvio não é tão óbvio. Então, mudaria as coisas. As esperanças renasceriam, nas mentes corrompidas e impuras passaria um rastelo. Perceberia o que se passa com os jovens que perderam a força, vontade de viver e esperança de futuro. Estão infelizes e desesperançados num vôo cego sem luz de um ideal. Vivem num day after sem ter ocorrido a guerra. A maioria, anestesiada pelas drogas. Ninguém faz nada. Cadê as instituições, conselhos tutelares, igrejas, escolas, pais, políticos, autoridades? Extremamente teóricos e hipócritas, não fazem nada, deixando estar para ver como fica. A culpa é de todos os segmentos. Se eu fosse Papai Noel, acabaria com isso, ceifando a permissividade, renovando-os ideológica, espiritual e psicologicamente.
Nessa mágica, procuraria entender o que se passa com os jovens. Por que esta apatia? Há uma desesperança que não se pode comparar com as manifestações e revoltas da década de 60. Brigavam por uma causa justa, certa ou não, em busca de um objetivo de vida e acreditavam no que faziam. Queriam o Brasil livre e democrático. Hoje, não estão preocupados com as questões sociais. Eles não são contra, nem a favor. Tudo isso são lampejos memoriais, vislumbres de imagens reais, efêmeras, tristes que vêm e vão deixando a todos confusos. A magia do Papai Noel iluminaria e colocaria esperança em todos os corações. Varreria esse emaranhado que traz desvios, desafetos, desmandos, erros, enganos. Os pais não derramariam lágrimas de dor e seria só alegria. Acordando do sonho (coisa impossível), ergo os olhos para os céus, e peço ao amigo Jesus que cuide de tudo e que se transforme na sua graça.
- OSVALDO CARDOSO RIBEIRO, professor, Londrina
Luz


