O LEITOR ESCREVE
FILO
Nós, criadores, produtores, atores e técnicos de teatro em Curitiba, queremos apoiar e parabenizar a 30ª edição do Festival Internacional de Londrina - FILO e manifestar nossa crença irrestrita na superioridade da Arte Teatral frente aos obstáculos e desavenças cotidianas que permeiam e dificultam sua realização.
São próprias do Teatro - manifestação artística ancestral da humanidade - a intriga, a trama, a dúvida, assim como a certeza, a poesia e a beleza. Teatro é tragédia. Teatro é comédia. É retrato, denúncia e transcendência. Pode falar de deuses, espíritos e magias, mas é feito por homens de verdade, para homens de verdade e, assim, imperfeito como a própria humanidade. E ainda assim subsiste o Teatro. E com tudo isso subsiste o Festival de Teatro de Londrina. E subsiste o Teatro somente pelo amor ao Teatro.
O FILO é a prova de tudo isso. Em trinta anos enfrentou falta de dinheiro, escassez de espaço, censura, perseguições e toda sorte de dificuldades, para se afirmar como um dos mais eficazes instrumentos da política cultural paranaense, ao promover intercâmbio de grupos de teatro de todo o planeta, valorizando e aperfeiçoando atores e técnicos paranaenses, formando público e levando cultura à nossa população. Vida longa ao FILO!
- GRUPO TEATROCA, CIA. DE ATORES e mais nove assinaturas
Out cry
A iniciativa da Folha de Londrina em publicar resenhas críticas deve ser louvada, pois enseja a oportunidade de discutirmos e divergirmos no campo das idéias. Por isso, na condição de tradutor da peça ‘Out Cry’, de Tennessee Willians - em cartaz no Teatro Zaqueu de Melo - vimos nos manifestar a respeito da crítica do jornalista Francelino França intitulada ‘Um Grito da Criação’ (Folha 2 - 26/2). Não concordamos com o ponto de vista do jornalista de que ‘...dispensáveis, porém, foram os ‘cacos’ inseridos pelo diretor Paulo de Moraes. Algumas citações incluídas na montagem soam como piada particular. Afinal, Tennessee Willians (sic) não escreveu a peça para o Armazém Companhia de Teatro.’
Ora, o jornalista deve saber que o texto teatral é um texto vivo, pois se utiliza de diálogos, de linguagem falada. Ele está sujeito a adaptações que visem contextualizar a peça a fim de que os espectadores tenham uma perfeita compreensão da sua mensagem. Afinal, o Teatro é, em sua essência, uma arte popular. Por outro lado, se a intenção do diretor Paulo de Moraes fosse exibir ‘piadas particulares’ ele não teria encomendado um trabalho de tradução com a advertência de que fosse fiel e claro. De nossa parte, trabalhamos com esta companhia justamente porque temos certeza de que nossas horas de estudo e de aprofundamento no texto original foram e são valorizadas.
Se formos mais longe seguindo o raciocínio do jornalista de que Tennessee Willians não escreveu ‘Out Cry’ para o Armazém Companhia de Teatro, chegaríamos à conclusão de que Brecht não poderia ter sido encenado para contestar o totalitarismo no Brasil. Nem mesmo Beckett, pois seus textos falam do vazio existencial da vida moderna na Europa. Não custa lembrar ainda de que o filme ‘O Grande Ditador’, de Chaplin, foi proibido durante o período da ditadura Pinochet, embora obviamente sequer citasse este general. Realmente, o texto de ‘Out Cry’ não foi escrito para homenagear os dez anos do Armazém Companhia de Teatro de Londrina. Na verdade, ele foi escrito para as pessoas que curtem Teatro em todo o mundo. Nas palavras de seu autor, ‘Out Cry’ celebra a arte de representar. Por isso o texto fala do público e de todos aqueles que exercem a profissão de ator, de atriz, de diretor. Enfim, pessoas que amam, vivem e acreditam na magia do Teatro. Apesar de tudo.
- MAURÍCIO ARRUDA MENDONÇA, Londrina
Sem-terra
O Movimento dos Trabalhadores Sem-terra é assunto extremamente preocupante e toda sociedade organizada deve ter a preocupação de tentar resolver esse grave problema social. A terra tem que
cumprir sua principal função social,
que é alimentar sua população, germinar
vida e estar nas mãos de quem realmente
precisa e faz brotar dela esperança e
não miséria, morte e degradação de
homens, mulheres e crianças.
Infelizmente, por falta de informação ou na busca dela, algumas pessoas chegam a desejar o modo de vida dos sem-terra aos seus próprios filhos, como se eles fossem bem-sucedidos empresários rurais, detentores de bens e que sobrevivem muito bem de sua atividade. Que vida maravilhosa devem levar esses filhos de Deus, morando em acampamentos, debaixo de barracos cobertos de lona plástica, sujeitos a intempéries, sem água tratada e encanada, esgoto, energia elétrica, atendimento médico (sequer do famigerado SUS) enfim, sem infra-estrutura necessária a uma vida humana digna e decente.
Nós, seres humanos sensíveis, não podemos deixar endurecer nossos corações e esquecer de Jesus Cristo, que veio ao mundo para nos dar seu exemplo de lutar por essa gente tão sofrida. O Movimento dos Trabalhadores Sem-terra é corajoso e necessário, pois luta contra todo esse sistema e estrutura injusta que só tem um objetivo: manter como mandamento primordial a lei do mais forte (e fortes são pouquíssimos).
- GILSON ROBERTO DE MARCHI, Nova Esperança
Agradecimento
Nós, a família de Rosimary Garcia Ferreira, londrinense que foi enganada por uma quadrilha de traficantes e por isso está presa há dez meses no Paraguai, agradecemos o apoio recebido dos meios de comunicação, que abriram espaço para nossa voz. Somos gratos também às autoridades de todos os níveis, diplomatas, cônsules, senadores, deputados, vereadores, Polícia Federal e Polícia Civil, que nos têm ajudado na busca de documentos. Nossa gratidão também a Célio Guergoleto, ex-presidente da Câmara de Vereadores, que fez aprovar a lei nº 6.676, que regulamenta a publicação de anúncios enganosos. Ao menos essa situação não se repetirá com outras pessoas. Deixamos nosso agradecimento aos sindicatos que nos têm ajudado de diversas maneiras, parentes e amigos. Enfim, a todos os que são sensíveis à Justiça e nos ajudam através de orações, doação de alimentos e verbas para viagem, etc.
- JORGE CUSTÓDIO FERREIRA, DIVINA MARIA FERREIRA BOAVENTURA, EDITH GARCIA FERREIRA, ROSA HELENA GARCIA FERREIRA e EDITE MARIA FERREIRA NUNES, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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