O LEITOR ESCREVE
Carreira de cartorário
Seria muito bom se, para se resolver questões relativas a ‘‘cartórios’’ houvesse uma carreira de ‘‘cartorário’’, da forma como existe na magistratura, onde ele inicia em uma pequena cidade e vai até a capital. Mas enquanto mantivermos nossa atenção sobre os detalhes, como a lei recém-aprovada, estaremos olhando apenas para as consequências de um problema maior do qual não nos damos conta. A existência de minúsculos distritos com cartórios inviáveis financeiramente, que agora terão que ter titular bacharel em Direito (quem vai querer?), contrastando com cidades grandes com apenas um ou dois cartórios, às vezes ainda acumulando especialidades de serviço, gerando lucros fantásticos, é uma situação que envergonha a instituição. Se queremos realmente melhorar essa importante instituição é preciso criar um modelo menos distorcido, mais transparente e com menos desigualdades. Espero que a lei aprovada venha em contribuição ao que todas as pessoas sérias que trabalham nos serviços notariais e registrais estejam esperando.
Pois o fato de haver ou não permuta de cartórios não faz a menor diferença se nos concursos para os bons cartórios, das grandes cidades, continuar a aprovação de apenas ‘‘figurinhas carimbadas’’ como disse o deputado Quintana. Apesar das críticas da imprensa, considero que o presidente da Assembléia, Aníbal Khury, fez o melhor trabalho possível, dentro das dificuldades existentes.
- ARLEI COSTA JUNIOR, Paranavaí
Assassinato legalizado
Dia 4 deste mês, por volta das 19 horas, o Sr. Luiz Douglas de Araújo, engenheiro do DER, de 52 anos, retornava do trabalho em Ponta Grossa, com destino a Guarapuava, e nas proximidades da cidade, no alto da Serra da Esperança, conduzindo seu veículo na terceira faixa, foi colhido por uma carreta, em excesso de velocidade e conduzida por um jovem de 21 anos, que de maneira imprudente e irresponsável invadiu a pista contrária, ceifando-lhe a vida, sem que ele ao menos tivesse chance de defesa. Estes três relatos justificam o título:
1) A Polícia Rodoviária constatou que o tacógrafo estava com a agulha alterada e que a velocidade apontada não correspondia com a real. Porém, nada pode fazer porque deveria passar o caso à Polícia Civil. 2) A Polícia Civil, após procedimentos de praxe, como a apreensão dos discos do tacógrafo, liberou o motorista infrator e o caminhão para seguir viagem. 3) Após a privatização das rodovias, segundo o patrulheiro rodoviário, as placas de sinalização que indicavam no local do acidente a velocidade máxima de 40 km/h, foram substituídas pela concessionária responsável pelo trecho, por outras autorizando velocidade superior sem nada que justificasse tal procedimento.
Quantas vidas o jovem motorista da Transportadora Pérola Ltda., precisará tirar para que as Polícias Civil e Militar possam ao menos apreender seu caminhão, até que se apure a responsabilidade? E a concessionária tem o direito de liberar carretas para trafegar a 100 km/hora em locais onde, com segurança, no máximo se andaria a 40 km/hora? Não podemos ser coniventes com tal situação e precisamos dar um grito de alerta, um basta, pois caso contrário seremos cúmplices de assassinos irresponsáveis.
- PEDRO EDSON BERTONCELLO, Guarapuava
Contra a natureza e a vida
Difícil é entender como o homem, que se diz o único animal racional do Planeta, consegue degradar, devastar, levar à morte milhares de espécies de animais que estavam no seu habitat, para dar lugar às hidrelétricas a serem inauguradas proximamente, como as de Salto Caxias no Paraná, Porto Primavera nos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, e a de Perna da Mesa, em Goiás. Poucas copas de árvore ainda não submersas, como o Porto Primavera, viraram o último refúgio para as espécies tentarem a sobrevivência, como a família dos macacos bugio, que preferiram a morte a virar prisioneiros na mão dos homens.
Se milhares de animais foram capturados, como pássaros, jacarés, tatus, cobras, lagartos, capivaras, catetos, tamanduás, onças, gambás, entre outras centenas de espécies, milhões morreram ao ver o seu habitat inundado pelas águas aprisionadas pelas comportas e engenharia do homem, que alega que isso é o custo do ‘‘famigerado progresso’’. Com a proximidade da inauguração da Usina de Salto Caxias o reservatório também é inundado. Ali, porém, teremos a perda de uma das sete maravilhas da natureza, que são as Cataratas do Iguaçu, antes visitadas por mais de 10 milhões de pessoas de todo o Planeta, no teste para enchimento do lago. Viraram apenas escombros de rochas vulcânicas, parecendo mais um filme de Hitchcock, do que algo que pudéssemos desfrutar das belezas que o criador nos legou.
O mais triste e estarrecedor é que os engenheiros fizeram as hidrelétricas e esqueceram de instalar as escadas para que os bilhões de peixes pudessem procriar (piracema), pois pela sua formação eles não poderão contrariar as leis da natureza voando por 15 a 20 metros de altura para subir o curso dos rios. Com isso bilhões de peixes perderão a vida pela ganância do homem, truculência dos governantes, interesses financeiros e outras desvirtudes.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, Curitiba
Homenagem a Londrina
O Londrina Golf Club realizou com sucesso, dias 5 e 6 do corrente, o evento que se tornou tradição na cidade: o 4º Open de Golf Aniversário de Londrina. A presença do prefeito de Londrina, Antonio Belinati, do presidente da Confederação Brasileira de Golf, D. Eudes de Orleans e Bragança, e a cobertura por toda a imprensa, em particular a Folha de Londrina/Folha do Paraná, e a TV Londrina atestam a importância do torneio. Agradecemos a colaboração e compartilhamos o sucesso do evento com aqueles que muito nos ajudaram, e ressaltamos que o seu apoio foi fator decisivo para essa conquista. Obrigado.
- LUIS CARLOS MIGUITA, presidente, e EDUARDO INADA, diretor social
Correção
- O partido do deputado federal Fernando Gabeira, citado em ‘‘O que foi dito’’ ontem, na página 2, é PV-RJ.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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