O LEITOR ESCREVE
O país do improviso
O provisório sempre se torna definitivo, ainda mais quando se trata de impostos. E a classe média é quem sempre paga a conta. Outra vez estou escrevendo para este jornal, tentando demonstrar minha indignação (que já se transformou em tristeza) pelos efeitos maléficos do pacote econômico-fiscal anunciado pelo governo. O capitalismo é cruel, sem alma e sem remorso, e para contentá-lo não são poupados meninos, velhos, pobres ou ricos. Tudo é feito e executado em nome de um progresso que só interessa e beneficia a uns poucos. Nascemos e morremos pagando uma enormidade de impostos sem sabermos para onde vai o produto deste verdadeiro ‘‘assalto constitucional’’.
Carecemos de um planejamento sério, bem intencionado e, acima de tudo, eficaz. Quem ouve os ministros justificarem o tal pacote, é capaz de acreditar que o mesmo foi elaborado e reelaborado, estudado e reestudado, sendo portanto a solução para todos os problemas do País. Na realidade, é uma verdadeira colcha de retalhos, capaz até de se contradizer em certos pontos. O brasileiro é assim mesmo: acha que tudo vai dar certo (por isso somos os campeões de acidentes de trânsito). Sempre achamos que vai dar tempo, vai dar certo, vai melhorar. Não é nem questão de otimismo exagerado, creio que somos mesmo é negligentes, imprudentes e até um pouco irresponsáveis.
- ESMERALDINO FRANCO, professor, Santa Mariana
Saudades da inflação
Atualmente dá uma saudade da inflação, aquele tempo em que a gente comprava um Fusca por 2 milhões e vendia no dia seguinte por 2 milhões e meio. Achava que era um bom negócio, mas os economistas de hoje dizem que não. Só que nas ruas centrais da cidade, para não dizer nas periféricas, não se via nenhuma placa de ‘‘aluga-se’’. Em cada porta havia um pequeno ou médio estabelecimento com dois ou três empregados, que não se sabe como, tinham uma pequena caderneta de poupança. Havia um clima de instabilidade sim, mas acho que não pior do que hoje, quando se liga a televisão ou se olha nas manchetes dos jornais e só se vê estampadas notícias de que as coisas vão piorar, que é preciso despedir pessoas, cortar gastos. Emprego não há nem vai haver nunca mais. Durante os primeiros meses do Real houve um certo otimismo, que acabou nisso que aí está. Vivemos de sobressalto, envolvidos com a globalização que aumenta os preços de tudo porque a Bolsa da Rússia ou da Ásia caiu. A inflação era ruim sim, mas pelo menos parecia que o País estava vivo. E agora?
- ORLANDO FERREIRA MARTINS, professor, Marumbi
Pedágio
Usando diariamente as rodovias do Paraná, tenho observado que o nosso sistema de pedágio é muito injusto. Numa simples assinatura, foram construídas praças de pedágio, penalizando as populações próximas que dependiam da rodovia. O pedágio é uma bitributação (ou multi?) escancarada, negada apenas pelo discurso dos governantes. As rodovias que foram pedagiadas fazem parte da história do desenvolvimento do Estado, construídas com nossos impostos, e através destes foram colonizadas povoações para melhor aproveitamento deste patrimônio.
Na maioria das estradas paranaenses, a cobrança é uma completa falta de vergonha, pois apresentam pista simples e muitas curvas. É claro que a sinalização ficou melhor, mas esta maquiagem está apenas evidenciando os problemas estruturais que existem. As placas como: ‘‘Proibido ultrapassar’’, ‘‘Atenção, defeitos na pista’’, ‘‘Lombadas na pista’’, ‘‘Devagar’’, são incabíveis numa estrada que se diz ser de Primeiro Mundo. Para agravar, a tal duplicação foi prometida em cinco anos, foi prorrogada para dez e agora nem sabemos se haverá! Não sei o que fazem as autoridades, os políticos diante dessa situação. (Eles só viajam de avião...)
- DANIEL KIITI TAKAHASHI, engenheiro agrônomo, Londrina
Mutuários inadimplentes
Com o advento da Lei nº 8.078 de 11 de setembro de 90, que instituiu o Código de Defesa do Consumidor, o seu artigo 53 beneficia o devedor inadimplente de imóvel, quando houver resolução ou quebra de contrato, devendo assim, serem devolvidas pelo órgão financeiro, as prestações pagas, corrigidas monetariamente. Na realidade, o que está ocorrendo é que o mutuário inadimplente não está exercendo o seu direito em seu detrimento financeiro e moral, que além da haver a perda judicial de seu imóvel, até a época da restituição do imóvel.
A respeito desse assunto, já há liminar, distribuída nesta Comarca de Londrina, favorável ao mutuário, no sentindo de suspender a retomada do imóvel até que seja julgado o mérito da ação principal. É chegado o momento do Poder Judiciário cumprindo o que determina a Lei, coibir o enfraquecimento indevido dos órgãos financeiros e o crescente empobrecimento do mutuário.
- AIRTON J. A. SACHETIM, advogado, Londrina
Carta aberta ao ministro da Saúde
Estamos vivendo uma triste situação em Londrina. As pessoas portadoras de câncer padecem em virtude da falta de continuidade nas sessões de quimioterapia, administradas e autorizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Até onde se sabe, o motivo desse atraso na liberação da continuidade do tratamento seria o excesso de burocracia praticado pelos responsáveis pelo órgão em Londrina que alegam mudanças no sistema administrativo. A pergunta é, senhor ministro: quantos mais precisarão morrer em virtude da má administração e falta de sensibilidade e vontade praticadas pelo governo? Em tempo: cadê o nosso dinheiro destinado à CPMF?
- LAUDETE VICENTIN DE OLIVEIRA, Londrina
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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