O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Vício mortal
Há poucos dias comemorei uma data importante em minha vida. Completei 30 anos sem fumar. Para quem fumava dois maços por dia, isso representava um acumulado de 432.000 (quatrocentos e trinta e dois mil) cigarros não fumados. Fiquei tão impressionado ao compilar os números que achei que poderia influenciar pessoas divulgando-os, ajudando-as a calcular de forma mais concreta a extensão desse vício mortal. Quem se interessar que confira o cálculo e aproveite para calcular também o prejuízo financeiro.
- CELSO MORENO BIZARRO, Londrina
Grandes árvores
É assombroso o que tem acontecido nas últimas semanas. Quando o coração de um Enio Silveira, um Paulo Francis, um Antonio Callado, um Mário Henrique Simonsen e, mais recentemente, um Darcy Ribeiro deixa de bater, é todo o gênero humano que se sente mais pobre. Esses criadores de universo, que representam o ápice do desenvolvimento intelectual nos mais diferentes ramos da cultura brasileira, jamais serão esquecidos - nunca terão fim. Acredito que a plenitude da vida é um eterno retorno das coisas, e segundo expressão de Freud, tudo o que vive perece, e o Homem não constitui exceção. Sinto-me à vontade em rogar a Deus que pare, reflita e seja sensível com os sentimentos do povo brasileiro - pois quando as grandes árvores tombam, toda a floresta titubeia.
- ANTONIO SERGIO NEVES DE AZEVEDO, Santa Cruz de Monte Castelo.
Demagogia
Tenho passado por burro, vezes muitas, para não ofender o interlocutor, como amiúde finjo não notar o óbvio (nem sempre convém), mas aceitar essa do senador Eduardo Suplicy, de que se sentiu em casa depois de uma noite num barraco fétido, mal arejado e insalubre de um acampamento de sem-terra é demagogia inominável. Vá mentir assim no Pontal do Paranapanema, senador. Um Matarazzo Suplicy, nascido em berço de ouro, educado nos Estados Unidos, sentir-se em casa num barraco dos reginos da vida é chamar a todos nós de asnos. Tenha dó. Nem Lula faria isso. Aliás, ele até que poderia dizer, pois passou fome até os 12 anos ou comeu menos farinha do que precisava. Se tudo que Suplicy diz tiver esse cunho de mendacidade, passarei a duvidar de suas afirmações.
- JORGE BALEEIRO DE LACERDA, Francisco Beltrão
Interesses em jogo
O servidor público deve conscientizar-se de que o seu patrão é o povo brasileiro, ao qual deve respeito, atenção e um bom atendimento. Os governantes são passageiros, não podem gerir a coisa pública por impulsos pessoais e vontade própria. Há que se respeitar as leis e as decisões da Suprema Corte, o STF - Supremo Tribunal Federal. Há muitos interesses em jogo. O desmantelamento da máquina pública trará, sem sombra de dúvida, enormes facilidades às propostas de privatização. Setores públicos que não estiverem funcionando bem o próprio povo pedirá a sua privatização.
O controle inflacionário é o maior desejo de todo o povo brasileiro, contudo não podemos, a despeito de salvar o Plano Real, anular os outros poderes, Judiciário e Legislativo. Decisão judicial não se discute, cumpre-se. Para um orçamento de 432 bilhões, a folha de pagamento a servidores representa 45 bilhões/ano, sendo que quase 232 bilhões irão para amortização da dívida e 28 bilhões para o pagamento do serviço da dívida. Caberia, também, ao povo brasileiro questionar que dívidas são essas, tendo em vista o recente escândalo dos precatórios, e em outras ocasiões as obras superfaturadas, sem contar com a política de juros extremamente desfavorável ao Brasil.
- JOÃO AMBRÓZIO DE OLIVEIRA, Londrina
Economia globalizada
Sede do próximo Fórum Empresarial das Américas, a realizar-se entre os dias 12 e 14 de maio, o Brasil abre espaço, este ano, para novas discussões em torno da Área de Livre Comércio das Américas - Alca. No entanto, longe do glamour que envolve as questões do mercado internacional, do qual muito se tem falado, é preciso que o empresariado brasileiro esteja atento aos perigos de se entrar definitivamente em uma economia globalizada, quando ainda somos subordinados aos interesses de países altamente desenvolvidos, e não temos, sequer, uma estratégia comercial linear.
O processo de integração irá trazer mudanças significativas para o país, portanto, mais do que nunca, é preciso buscar um consenso entre a iniciativa privada, para que seja possível apresentar posições claras durante o Fórum. Não podemos participar do cenário internacional com um investimento científico e tecnológico que está muito além das necessidades do mercado. Dentro desse contexto, tudo que conseguiremos será gerar desemprego e, por consequência, traumatizar o país.
Sem dúvida, negociar é fundamental, mas em nenhum momento nosso país e nossos empresários devem ficar em posições desiguais. Sem demonstrar fraqueza ou inibições, o espaço brasileiro precisa e será defendido diante dos países desenvolvidos. Calar neste momento seria o mesmo que condenar nossas grandes, médias, pequenas e microempresas ao sufocamento, pois não estaríamos dando oportunidade e tempo hábil para que se reestruturassem e conseguissem sobreviver. O resultado? Sem dúvida o caos, iniciando com uma convulsão social, que jamais poderia ser evitada com base apenas na estabilização inflacionária.
- ZULFIRO ANTÔNIO BÓSIO, Curitiba
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