Terminada mais uma campanha eleitoral, encerrada a apuração irrepreensível no segundo turno, é chegado o momento da conciliação e da reflexão. A grande vencedora, no fim de tudo, foi Londrina, fortalecida democraticamente, no Estado e na visão madura de seus políticos. Essa prova de maturidade se materializou na visita do prefeito ao sucessor, abrindo as portas da prefeitura para a equipe que entra, numa demonstração de que o interesse popular está acima de qualquer divergência política. Venceu Antônio Belinati, candidato que evoluiu em seu discurso, não permitindo que se acentuasse nele qualquer divisionismo. A preocupação manifestada com o centro da cidade, nos últimos dias da campanha, foi com certeza decisiva e revelou a visão estratégica dos idealizadores de sua campanha, que souberam conciliar o apelo popular com os interesses mais legítimos de todas as camadas da população, independente da localização.
O que vemos pela frente, agora, é o desafio de materializar as promessas de campanha e isso nos parece muito bem equacionado pelo futuro prefeito, que afirmou que se cercaria de homens competentes para auxiliá-lo no trabalho de administrar o município, em sua entrada no Terceiro Milênio. Unindo a ação ao discurso, nomeou Alex Canziani para a Codel, instituição que será da máxima importância no cumprimento de uma das promessas de campanha mais fortes: a da geração de empregos. Alex dispensa comentários e elogios. Sua vida pública é prova do acerto da escolha. Mário Stamm Júnior na direção do IPPUL e Luiz Meneghel Neto na Secretaria da Agricultura reforçam o desejo do futuro prefeito de cumprir o prometido e se cercar de notáveis para assessorá-lo. E que venham as indústrias, o Centro de Eventos e tudo mais que Londrina e sua população necessitam. De nossa parte só podemos aplaudir, parabenizar pela vitória, desejar sucesso e oferecer, como farão todos os londrinenses, a nossa modesta contribuição para o sucesso dessa administração.
- FÉLIX RIBEIRO, Londrina.

Cheida e o PT

Tenho acompanhado e lido declarações, do prefeito Cheida, que me deixaram com a impressão de que ele pensa que os petistas não sabem interpretar corretamente a realidade. Em declaração veiculada na nossa Folha de Londrina, ele afirma que constituem seu grupo de 300 a 500 ‘militantes’ e o do deputado Paulo Bernardo apenas 30 ou 40 pessoas. Sou petista do tempo em que um ‘militante motivado’ valia por 10 cabos eleitorais pagos. O que me espanta na declaração é que os 300 militantes do prefeito não controlam o Diretório Municipal; não tenham eleito o candidato do prefeito nas prévias internas do partido; não tenham eleito nenhum ex-secretário do prefeito como vereador; e o que é ainda pior, não tenham conseguido eleger o candidato do Cheida e do Fernando Henrique Cardoso no 2º turno em Londrina.
Em resumo, o prefeito e seu grupo de militantes perderam todas. Quanto ao fato de pedir intervenção da direção nacional do PT no Diretório Municipal, esse recurso pode ser utilizado por um outro grupo de filiados que não se sinta capaz de vencer no voto e na discussão política. A intervenção, creio, deveria ser em cima dos que desrespeitam as instâncias partidárias. Quanto ao ‘pito’ do prefeito no deputado Paulo Bernardo, que declarou seu apoio a um candidato fora dos quadros petistas para o Governo estadual em 1988, concordo plenamente. Entendo que o PT devia ter candidatura própria, mas temo que se o candidato ao governo paranaense em 98 não for do agrado de Cheida e dos seus militantes, estes tomarão a postura que tomaram nas eleições municipais de Londrina este ano. Por último, um recado de um humilde petista, feliz por ter carregado a preciosa bandeira vermelha do PT, apoiando a campanha do candidato a vereador Tito Valle: - Prefeito Cheida, venha discutir o PT dentro do partido e não na mídia. Vamos continuar construindo a nossa opção de sociedade, e se por acaso o senhor não quiser continuar conosco, pode sair, mas respeite os verdadeiros militantes e não os cabos eleitorais pagos.
- CÉSAR JOSÉ HARTMANN, Londrina.

Invasão de terras

As autoridades do país vivem um grande problema com a reforma agrária, tão desejada pelo povo pobre e trabalhador que vive no interior, a maioria bóia fria trabalhando com os filhos menores, em época de colheita ou safra para sobreviver. O desespero desse povo é tão grande que ele aventura fazer invasão do dia para a noite, não respeitando o direito de propriedade. Dai surgem conflitos entre proprietários e invasores, só resolvidos pela Justiça através da Polícia. No meio entra o malandro tentando se apoderar, no INCRA, de alguma área de terra. O objetivo é passar para frente e enfrentar outra invasão. As autoridades agrárias deram muitas terras, milhares de alqueires para um só indivíduo e agora estão com esse difícil problema. Por que não fizeram como na colonização do Norte do Paraná? As terras eram negociadas com firmas honestas e trabalhadores organizados. Isso propiciou desenvolvimento maravilhoso no eixo Londrina-Umuarama, graças também à pequena propriedade, com documentação legal, estradas construídas e conservadas, com água, escolas, igrejas, campo de futebol, delegacia de polícia, prefeitura, irmanados num só objetivo: trabalho e perseverança.
Nestas regiões não tem invasão de propriedade. Todo trabalhador é bem intencionado, respeitando a sociedade e os poderes constituídos, pagando seus impostos corretamente, porque sem dinheiro não há progresso. Em 1952 o progresso do Norte do Paraná serviu de modelo para a FAO, órgão da ONU para alimentação e agricultura, e foi empregada em diversas partes do mundo, principalmente na África. Uma das regras para o desenvolvimento é a construção e conservação de estradas.
- ABÍLIO ALVES DA SILVA, Curitiba.

Cumprimento

Cumprimento-os pelo aniversário do grande Jornal do Paraná. Saudações especiais aos seus dirigentes e todos os que fazem, há 48 anos, desse jornal o maior orgulho de Londrina. Grande abraço e votos continuados de sucesso no decorrer de muito anos.
- LUIZ EDUARDO CHEIDA, prefeito de Londrina.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumi-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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