O LEITOR ESCREVE
Aprottel
Li com toda atenção o artigo publicado em 23/2, redigido pelo presidente do Sercomtel, Rubens Pavan, por quem nutro especial admiração e respeito profissional. Evidentemente que, tanto quanto diga respeito às suas considerações quanto ao status tecnológico do órgão que dirige, não há como e nem motivo para, em face da realidade incontestável, elaborar-se qualquer crítica a respeito. O Sercomtel, enquanto autarquia, cresceu sistematicamente ao longo da história, trazendo a Londrina a modernidade em telefonia, a ponto de tornar-se a primeira no sistema móvel digital. É indiscutível, também, o orgulho que cada londrinense possui por essa empresa, uma ilha de excelência.
Entretanto, e aqui iniciam-se as divergências, a visão que a presidência detém é absolutamente equivocada quanto a imprescindibilidade da transformação de autarquia em sociedade anônima, como também, se operada, na destinação das ações a seus verdadeiros titulares. Quanto ao primeiro tema, ou seja, a transformação em sociedade anônima, a razão estrutural estaria em obter melhor alcance fora dos limites territoriais de Londrina, como também para recepcionar os recursos derivados do mercado acionário aberto, com isso logrando capital para outros investimentos tecnológicos.
Os motivos são sofismáticos e insustentáveis. Enquanto autarquia a empresa jamais deixou de crescer, a ponto, repita-se, de prestar-se a exemplo de evolução tecnológica mundial, inclusive detendo controle sobre o sistema digital. Também como autarquia não está impedida, dentro da estrutura jurídica brasileira, de criar formas e sistemas para, sem prejuízo de sua existência autárquica, lograr parcerias e expandir fronteiras. Por outro lado, ainda neste tópico, a visão dos autores populares, assim como de outros com quem discuto, está em que o Sercomtel deverá evoluir cada vez mais tecnologicamente, prestando, ao menor custo, seus serviços aos usuários londrinenses, sem qualquer necessidade de expansão territorial, até porque essa jamais foi a sua finalidade e filosofia de serviço.
Já quanto a captação dos recursos, via mercado de capitais, de sorte ‘‘a trazer recursos para novos investimentos’’, verbis, pergunta-se: onde estão os R$ 33.000.000,00 (trinta e três milhões de reais) já recebidos pelo Município de Londrina? Em que foram aplicados? Qual foi o aporte tecnológico do Sercomtel por conta desse recurso? A propósito, no que toca a esse tópico, soa também sofismático o raciocínio do Senhor Presidente, ao comparar a aquisição de um terminal telefônico a um carro, concluindo que ambos os adquirentes das respectivas unidades não seriam donos das fábricas, só pelo fato.
Não é preciso incomodar qualquer jurista para concluir que a compra de qualquer produto, só por si, não implica na aquisição de qualquer outro bem que lhe exceda. Entretanto - e daí a falácia do argumento - o Sercomtel só foi viabilizado (leia-se construção da empresa) com os recursos provenientes do capital londrinense, por todos os adquirentes dos terminais, que injetaram previamente suas economias, de sorte a lograrem, muito tempo após, o acesso à telefonia, como proprietários e não como simples usuários dos serviços. O Município de Londrina não edificou o Sercomtel e nem investiu, com recursos próprios, na aquisição de seus equipamentos, logo não é dono de coisa alguma e não detém qualquer direito de receber por qualquer ação vendida.
O proprietário do terminal telefônico sim, esse deverá receber em ações que corresponderem ao capital investido, porque através desse recurso, via de planos de expansão, que o Sercomtel realizou-se. O Sercomtel não seria nada sem o prévio investimento. A idéia, aliás, não tem qualquer originalidade, a conferir a Telebrás e a Telepar. Assim, concluindo, ao contrário do que pensa o dirigente, não há mesquinharia e nem egoísmo quando se defende direito próprio, incontestável e assim reconhecido pela opinião pública. Fazer o contrário, isso sim, é o motivo de preocupação e de grandes indagações pela comunidade, que sempre esteve muito atenta com as nossas coisas, e o Sercomtel não é exceção.
- RONALDO GOMES NEVES, advogado em Londrina.
Megamotorista
Ei, você, da perua Ômega, cinza. Ei, vocês que correm perigosamente nas ruas de Londrina, arriscando a vida e as de outros. Gostaria que respeitassem mais a si próprios e àquelas pessoas que, confiando, emprestam um pouco do que têm, às vezes pagando o preço de perder tudo o que pensam que possuem: seus filhos. Estou preocupada com um(a) jovem que na noite de sexta-feira bateu no meu carro, estacionado na rua Belo Horizonte. De dentro ouvi, saí e vi estilhaços. Quero saber se você está bem. Não se machucou fisicamente? Moralmente sim, porque fugir, não encarar de frente uma situação é, no mínimo, covardia. Eu poderia ajudá-lo(a). Está na hora de parar e pensar. Pensar em vocês. E se não fosse uma Caravan que você arrastou, e sim uma pessoa? Ei, você da perua cinza. Vou lhe dar uma chance de reparar o erro, porque errar é humano. Venha, recupere-se, responsabilize-se pelos seus atos. Não é tão difícil assim. Procure-me. Juro que não dou queixa e devolvo o farol do carro GM e a sua dignidade. Se você conhece alguém que age assim, faça alguma coisa. Preste atenção na herança que vamos deixar para gerações futuras?
- MIRA ROXO, Londrina
Sabedoria
As opiniões do sr. Walmor Macarini (‘Os fardos das mochilas’ - Espaço Aberto, 21/2) quanto às funções pedagógicas de nossas escolas merecem algumas ressalvas. Adiantará incluir nas salas de aula as ‘lições de sabedoria’ proferidas pelo missivista e na volta para casa os pimpolhos assistirem seus pais pararem em fila dupla, avançar a faixa de pedestres, buzinar histericamente para que o distraído motorista da frente note que o sinal ficara aberto há alguns milionésimos de segundos atrás, jogar todos aqueles papéis, latas e pontas de cigarro pela janela e - ufa! -, ao chegar em casa escutar seus pais vociferar ferozmente porque alguém esquecera de pagar a conta telefônica?
Pode-se fazer tudo muito bem em duas horas, mas bastam alguns parcos minutos para se constatar o pensamento do filósofo argentino José Ingenieros: ‘a classe média está obcecada em melhorar seu bem-estar material, mas ignora que sua maior miséria é a falta de cultura’. A escola não pode ser encarregada de corrigir em seus alunos a ignorância (re)passada por seus pais.
Em tempo, a ‘violentação dos direitos’ que é acordar seus filhos às seis da manhã deveria ser reconsiderada. Pelo menos enquanto milhares de crianças ainda tiverem que levantar muitas horas antes das seis para trabalhar como semi-escravas em carvoarias, pedreiras, campos e ruas do Brasil afora. E sem café da manhã.
- MARCOS HIDEMITSU IKEDA, Santa Mariana
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