FILO
A Folha de Londrina recebeu do secretário da Cultura do Paraná, Eduardo da Rocha Virmond, a seguinte correspondência:
Na introdução do catálogo do FILO -Festival Internacional de Londrina de 1996, sob o título ‘O FILO não pode parar’, elaborei, como Secretário de Estado da Cultura, o seguinte texto:
‘‘O Governo do Estado do Paraná, por intermédio da Secretaria de Cultura e da Universidade Estadual de Londrina, com a colaboração de outras entidades, está viabilizando o presente Festival Internacional de Londrina, que merece, pela sua tradição, o apoio necessário à sua efetivação, no sentido particular, a nosso ver, de seu aperfeiçoamento, para que as raízes do Paraná tenham a sua vivência integrada em tal realização. Esta afirmação deriva das dificuldades atuais da iniciativa privada em colaborar com o Festival, que constitui uma surpresa, a exibir reação integrada para que esse enorme esforço não perca o seu entusiasmo e encontre novos caminhos, como está sucedendo, com a eficiência de seus organizadores’’.
Não tenho por que divergir agora dessas considerações, embora tenha havido falsa afirmativa de que a Secretaria não iria mais apoiar o Festival. Caberia à direção do Festival, que tem liberdade e o direito, mais que direito a obrigação de constatar se esse boato sem procedência seria verdadeiro. Não o fez, mas pedi para Dora Barnabé, a competente diretora executiva do Festival de Música de Londrina, que comunicasse não ser verdadeira a notícia. Porém essa comunicação não foi aceita (não entendo por que) e verifiquei uma ‘corrente de felicidade’, por cartas sucessivas a este jornal, para combater a idéia de destruição do Festival, que, se ela existe, não é da parte da Secretaria. É preciso, porém, que seja apresentada a proposta final pelo Festival e que não aconteça como no ano que passou, quando tive de solicitar da diretoria do Festival que enviasse o ofício com o pedido concreto. Por mais que se queira que não haja burocracia, as formalidades legais são fundamentais para que as propostas de liberação de dinheiro público sejam veiculadas. É preciso lembrar que foi acentuado por sua diretoria, na abertura dos dois Festivais desta gestão, que o Filo nunca havia recebido valores substanciais do Estado, nos anos anteriores, e que só agora, no ano de 95, foram noventa mil reais e no ano de 96 trezentos mil reais, quase três mil salários mínimos.
Quem considera que essas verbas não sejam significativas? É muito dinheiro. Neste ano, acentuei, era preciso balancear a proposta que não houve com os outros projetos que a Secretaria está dispondo para Londrina, como sejam a biblioteca e o auditório-teatro nos Cinco Conjuntos, o Centro de Estudos Musicais (para a antiga Cadeia), a ampliação da Biblioteca do centro da cidade, o reestudo do Teatro Ouro Verde, a criação de um espaço cultural múltiplo em um dos armazéns de Londrina - ainda não liberado. Temos a obrigação de manter, além do mais, seis Festivais de alto nível no território do Paraná (Maringá, Cascavel, Curitiba-Paranaguá, de Música em Londrina, de Antonina, de teatro amador em Ponta Grossa), além da Trilha da Cultura, programa chave que já perpassou por cento e trinta municípios, além das atividades relativas ao Patrimônio Histórico, as de âmbito literário, entre outras mais. Para todo o Paraná, portanto.
Por fim, lembre-se que abertamente tenho duas divergências com o ‘modus faciendi’ do Festival, manifestadas desde o início de 1995, de que não deveria haver dois Festivais, um de primeira, outro de segunda classe, mas deveria ser reunida a Mostra com o Festival, como grande festa mais abrangente do teatro; a outra divergência é a de que deveria ser aberto o Festival à participação dos vários grupos de Londrina, com o aproveitamento dos atores que precisam de apoio e de alargamentos de sua experiência, através de workshop dos participantes, inclusive estrangeiros - trabalho que sempre exigimos no Teatro Guaíra, com extraordinária receptividade. Como não há interesse nessa abertura, afirmei que o Festival não é realização da Secretaria e sim da Universidade.
Entendo que um Festival tem a finalidade de deixar sedimentos, sementes, para que os seus efeitos floresçam e se realizem no aperfeiçoamento dos participantes artistas da própria comunidade cultural. Não será verdadeira a afirmativa do Domingos Pellegrini Junior de que a organização do FILO ‘é fechada e personalista?’ Pelo menos está sendo impermeável à colaboração e discussão e indiferente ao mundo artístico de Londrina não compreendido por si mesmo.
A Secretaria, apesar das divergências mencionadas, que são normais em uma sociedade democrática - e devem, portanto, ser abertas -, nunca deixou de apoiar o FILO, pelo menos nesta gestão, como é afirmativa de sua diretoria, que não pode negar, antes afirmou-a. Estamos aguardando a resposta real e final (só recebemos um esboço e declaração de intenções - e não somente críticas e campanhas a uma recusa que não houve.
- EDUARDO ROCHA VIRMOND, Secretário de Estado da Cultura
Anchieta
Morreu no dia nove de junho de 1597. Na aldeia de Rerigtiba, hoje cidade de Anchieta, Estado do Espírito Santo. Faz, portanto, quatrocentos anos. Veio para o Brasil com dezenove anos e aqui trabalhou - instruindo, educando, civilizando e cristianizando colonos e indígenas á- por 44 anos seguidos. Morreu santamente - como viveu - aos 63 anos.
O Brasil inteiro - de norte a sul - prepara celebração em louvor de aquele que, no dia de seu sepultamento, já foi apelidado de ‘O Apóstolo do Brasil’. Espantado pela sua grandeza - na pequenês do corpo magríssimo e doente - escrevi-lhe a vida em volume leve e primoroso - livro que será lançado no dia nove de junho do corrente ano, em festiva celebração. Espero e desejo despertar Londrina para os louvores de Anchieta. Louvores que terão como base o conhecimento de sua vida e de seus labores missionários. Desde já arregimento forças muitas e boas para consegui-lo. E tenho a certeza de que Londrina não fugirá ao enorme e sonoro concerto nacional em homenagem ao seu ilustre e querido santo - o bemaventurado José de Anchieta.
- EDUARDO AFONSO, Londrina
Chuva de verão
Como acontece todos os anos, meus pais descem conosco para o litoral. Meu pai, nos seus setenta e poucos anos, toda manhã tomava seu café e dirigia-se para defronte do Supermercado de Matinhos para a compra da Folha. Porém, naquela manhã chuvosa de verão, ao estar próximo da rua para atravessá-la, eis que passa, súbito e rapidamente, um veículo sobre poças de água e dão-lhe um tremendo banho de enxurrada. O condutor do veículo, ao perceber o ocorrido, pára rapidamente em local próximo e foi, no maior gesto de preocupação solidaria, tentando a qualquer custo reparar algo de que ele não teve culpa. Apesar da chuva de verão ser passageira, seria tão boa que gestos assim tão raros não passassem.
- SÉRGIO SIDNEY PIAZAIA, de Ivaiporã
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato. O jornal se reserva o direito de resumí-las, se ultrapassarem 15 linhas.

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