O LEITOR ESCREVE
Os totens
Cerca de 20 dias passados estava circulando por Curitiba e um fato me chamou a atenção. Por todos os cantos encontrava ornamentados totens amarelos, iguais àqueles espalhados na utópica cidade de Gotham City, que eram usados pela população para chamar o Batman em casos de emergência. Ao lado de cada um destes totens, acompanhando a evolução dos tempos, também encontrávamos um veículo da Polícia Militar de prontidão. Desta constatação surgiram algumas dúvidas que até agora não consegui esclarecer.
Será que esta operação foi montada por iniciativa da Polícia Militar para prontamente atender à população? Será que o projeto implantado foi para mostrar que vivemos em uma cidade onde os governantes estão preocupados com a segurança da população? Por que será? Não sei, e até agora não consegui esclarecer minha dúvida. Muito pouco, ou nada, foi falado ou esclarecido pela mídia, isto talvez por contenção de despesas de propaganda. Passado vinte dias percorri o mesmo caminho e notei uma diferença, os totens ainda estão todos lá, mas nem todos os carros de polícia permaneceram. Agora, nem consegui esclarecer minhas dúvidas iniciais surgiram outras.
Será que o serviço começou a ser usado pela população? Será que os carros deixaram seus postos para atender às ocorrências? Será que o número de ocorrências aumentou tanto que o policial não consegue mais guardar o totem? Será que o projeto foi implantado por um período pré-determinado e pré-estabelecido? Também não sei. Mas tudo isso parece coisa para inglês ver. Inglês nos visitou no dia 4 de outubro. Agora que o inglês já passou e temos certeza não vai voltar no meio de novembro, tudo começa a voltar como era antes, ou melhor, quase tudo; os totens ficaram como lembrança de um tempo que aconteceu ‘‘sem se saber o porqu꒒ está desaparecendo.
- CARLOS ALBERTO GANDOLFO, economista e advogado, Curitiba
Invasão armada
Em qualquer nação onde a lei é respeitada os sem-terra teriam sido postos na cadeia. Mas no Brasil eles são chamados de esquerdistas e não de criminosos. Faz tempo que a imprensa vem tentando alertar o governo para o perigo que o crime organizado no campo representa para a estabilidade e as instituições democráticas. Ainda em setembro o ministro-chefe da Casa Militar denunciou o fato de que os sem-terra estão se armando fortemente, preparados para continuar as invasões. Entretanto, em que pesem os alertas que surgem de todos os lados, o governo, longe de usar a força, oferece mais cestas básicas, mais financiamento etc., sempre tentando apaziguar os criminosos.
Afinal, o que pretende, em verdade, o presidente Fernando Henrique Cardoso? Ele não pode mais dizer que não sabe o que está acontecendo no campo. O próprio líder do MST, João Pedro Stédile, não faz mistério de que os sem-terra vão tentar impor pela força a mudança das instituições e a revolução social. Por que, em nome do que, o governo insiste em apoiar essa gente? Como houve ameaça de ataque à fazenda que lhe pertence, FHC mandou para lá forças, armadas, para defendê-la a qualquer custo.
Se um particular fizer isso, o governo mandará imediatamente desarmá-lo e chamará os seguranças de jagunços. Mas no caso do presidente isso não se aplica. Todos são iguais perante a lei. Só que alguns são mais iguais... Os grandes cataclismas frequentemente começam pelo campo. Foi assim na Rússia, no México, na China, no Chile, no Peru e em tantos outros lados. Vamos rezar para que na guerra civil que se aproxima as forças democráticas encontrem um líder à altura de chefiá-las na eterna luta pela liberdade.
- OCIMAR MARTINS, Londrina
Contribuintes esquecidos
Utilizo esse meio de comunicação, de grande prestígio e circulação, para reivindicar junto à Prefeitura de Curitiba a manutenção do antipó das ruas Leonardo Wesolowski e Renato Pollati, no Campo Comprido. Há oito anos tivemos que pagar pela colocação daquela melhoria (e não foi pouco), com a promessa da Prefeitura de mantê-lo. Faz sete anos que ligamos solicitando os reparos necessários e nunca fomos atendidos. O último pedido foi no início de abril deste ano, protocolo 1998014240 (quase sete meses) e nada. Sempre que ligamos para a Regional de Santa Felicidade nos informam que a solicitação está agendada, só que não sabem informar para quando. Gostaria de uma resposta da prefeitura sobre o caso.
- WALTENCIR MARINS DOS SANTOS, Curitiba
Estradas (1)
Gostaria de registrar o meu protesto ao descaso dos representantes do povo paranaense com as nossas estradas, principalmente na região do Norte Pioneiro. A BR-153, que liga Santo Antônio da Platina a Ibaiti, a PR-092, de Santo Antônio da Platina até Jaguaraíva e a rodovia que liga Ribeirão do Pinhal a Nova Fátima, estão quase intransitáveis devido ao elevado número de buracos no asfalto. Durante a campanha política foram gastos milhões de reais em comícios pelo Estado; para divulgar o Anel de Integração, outros milhões; para aprovar a anistia das multas aos motoristas irresponsáveis houve pressa na votação. Mas, para aprovar verbas destinadas à melhoria nas estradas levam meses e alegam não haver dinheiro. Até quando teremos de pagar com vidas e danos ao patrimônio particular além dos impostos que já pagamos?
- RENATO WEEGE, técnico em telecomunicações, Santo Antônio da Platina
Estradas (2)
Entendo que o governador Jaime Lerner deve intervir com rigor na questão das concessionárias de estradas, que devem ser desobrigadas de executar as obras que estão em contrato e sendo pagas pelos usuários. Sem contar que os juízes envolvidos poderiam repensar decisões (notícia ‘‘Juízes voltam a isentar empreiteiras da execução de obras em rodovias’’, de quinta-feira) que não estão contribuindo para o desenvolvimento do Estado e principalmente a segurança de vidas humanas.
- ÁLVARO JOSÉ MANCHINI, Londrina
Correção
Título-chamada correto na capa da Folha Reportagem Paraná de hoje é ‘‘Sorriso metálico - Aparelhos ganham a boca dos adultos’’.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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