O LEITOR ESCREVE
Imagem do Judiciário
Uma das principais representações da Justiça tem uma venda nos olhos e, nas mãos, uma espada e uma balança, que busca o equilíbrio diante das contradições das pessoas e do mundo. Esse ícone de perfeição ocupa, como um modelo a ser seguido, lugares como a Praça dos Três Poderes, em Brasília, onde, representado por uma estátua feita em pedra branca, comunica - deve ter sido essa a intenção de Niemeyer - aos outros poderes da Nação, o Executivo e o Legislativo, uma mensagem que expressa a existência de limites à força, aos ditadores, à corrupção e outros arbítrios. A mesma simbologia está presente nas salas dos juízes, nas capas dos livros de direito e nos espaços dos tribunais em que reina a controvérsia. A estátua, que representa os grandes atributos da Justiça e do Judiciário, é veículo de uma mensagem bonita e simples, como devem ser as mensagens que querem ser rapidamente compreendidas.
A comunicação se tornou um dos pilares da gestão das organizações modernas. E, num ambiente de públicos organizados, é fundamental incorporar no processo de comunicação organizacional valores como transparência, credibilidade e velocidade. A sociedade moderna e democrática sinaliza positivamente frente às instituições que têm nos seus cotidianos respostas claras, palpáveis e imediatas. No século XVIII, uma mensagem enviada de Londres para Nova York, por intermédio de um navio a vela, levava para ser recebida de seis a nove semanas. Às portas do século XXI, uma mensagem com o mesmo destino tem o recebimento imediato.
Frente a uma sociedade cada vez mais cidadã e aparelhada com ilimitadas tecnologias para se comunicar, o Judiciário precisa rapidamente dizer qual é a imagem que ele quer ter.
- PAULO NASSAR, jornalista e secretário-executivo da Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial), Curitiba
Pesquisas
Ao contrário do que diz Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, não foram os eleitores que prejudicaram o PT: foram o Ibope e outros institutos. Estes sabem o poder de manipulação que detêm, sabem que são formadores de opinião e que a grande massa de eleitores despreparados, indecisos, de pouca ou nenhuma formação no Brasil, pendem para o lado dos candidatos com potencial eleitoral. Como disse o jornalista Kido Guerra em artigo dia 9 na Folha, estes detestam desperdiçar seu voto. Aí entram os institutos geralmente ligados a poderosos grupos econômicos ou à grande mídia. Fabricaram Collor, lembram-se? E porque somente a oposição, principalmente o PT, é atingida pelos resultados corrompidos?
O fato de o Ibope ter 56 anos de existência não o qualifica perante a opinião pública, mas o torna suspeito de utilizar metodologias ultrapassadas e falhas. Quando digo que não acredito em pesquisas, refiro-me exatamente a essa manipulação, que apesar das explicações de Montenegro, aconteceram em Brasília, São Paulo e em outras regiões. Pior nas cidades pequenas, onde proliferam institutos pagos pelos governantes, e que influenciam o eleitor sem teto, sem emprego, sem ideologia e sem candidato. Manipular massas insatisfeitas já Hitler sabia com seu Ministério da Propaganda, e deu no que deu.
- CARLOS ALBERTO LARCHER, Rondon
Desencontros do Free Jazz
A iniciativa de Curitiba em participar do Free Jazz Festival não deixa de ser um grande passo. Porém, elogios à parte, tapeações e engodos não são política que faça jus ao bom empreendedor. Quando um espetáculo é proibido para menores não se deve iludir o público na hora da venda dos ingressos com mentiras.
Ao comprar os bilhetes para seus filhos menores para o Free Jazz, organizado por uma produtora de Curitiba, que tem nome de marca de jeans, o comprador era informado que não haveria problemas com a entrada dos menores, desde que acompanhados dos pais ou responsáveis. Mas qual! Na hora de ver o espetáculo, uma desilusão total. Os menores tinham que voltar para casa revoltados, vendo sua ansiosa expectativa ir por água abaixo. Alguns aguardaram por meses a fio a oportunidade de ver alguns dos seus ídolos, guardaram seu dinheirinho do trabalho ou da mesada, convidaram os pais e compraram os ingressos com antecedência.
Mas o pior ainda é a mentira. Na hora de vender, as normas são liberais. Depois de a casa lotar mudam as regras. É a tal da propaganda enganosa. No local do evento, um respeitável espaço da cidade, porteiros e bilheteiros sentiam-se aflitos, desconcertados até. Alguns, menos educados, contorciam-se, segurando o riso ao ver pais com cara de tacho ao ouvir a notícia de última hora. Nas calçadas, os cambistas estavam ávidos por abocanhar os ingressos dos pobres infantes. E assim por diante. Esperamos que a tal organizadora de espetáculos, aparentemente neófita, possa aprender com as mais antigas e descobrir que o maior trunfo de uma organização é a fidelidade com seu público.
- CARMEM CÔRTES KOENTOPP, Curitiba
Idéias
Fernando Henrique Cardoso quer trocar idéias com o PT a respeito de imposto sobre grandes fortunas. Já que o governo está tão aberto a sugestões, aqui vai a minha: começar pelos paraísos fiscais e bancos localizados na Suíça e redondezas. O único problema seria eventualmente o de criar inimizades, mas acredito que vale tudo para salvar o Real. Ou não? Como essa é uma tarefa muito espinhosa, no fim vai sobrar mesmo é para quem tem CPF e conta bancária. Se o nosso presidente se chamasse Fernando Collor de Mello, seria confisco, mas a retórica dominante e a mídia conivente chamam isso de imposto. Infelizmente, não se trata de uma questão de semântica.
- OCIMAR MARTINS, Londrina
Se acontecer
‘‘Conab prevê produção recorde de grãos’’ (Agribusiness de ontem): esta notícia me fez lembrar aquele famoso poema da lingua inglesa ‘‘If’’.
- CARLOS EDUARDO ROSA MILDEMBERG, Campo Mourão
Correção
O primeiro parágrafo da notícia ‘‘Prefeitura dá prêmios para pagar 13º’’, publicada ontem na capa do caderno Folha Cidades, contém erro de digitação. O correto é ‘‘A prefeitura de Campo Mourão lança amanhã a terceira edição da campanha Imposto Premiado, que este ano vai distribuir 14 prêmios - incluindo um carro popular novo - para quem estiver com os impostos municipais em dia.’ (O lançamento da campanha seria ontem).
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]

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