O leitor escreve
Terra prometida
Muito instrutiva e reveladora a primeira página da Folha de quarta-feira:
Caos nos distritos policiais;
Ministro às voltas com os sem-terra;
Lixão a céu aberto recebe chuvas e 300 toneladas de lixo/dia;
Déficit de 1.200.000,00 dólares em uma quinzena;
Empreiteiras podem parar por falta de pagamento.
Por outro lado, dá gosto ver a felicidade e luxo com que os nossos políticos são recebidos em Paris. O curioso, senão chamarmos de trágico, é que justamente estes ricos senhores e espertíssimos comerciantes, descobriram que o nosso Paraná de estradas esburacadas, professorado humilhado e mal pago, policiais indigentes e sem o menor recurso, cadeias vergonhosas, virou nada menos que a terra prometida... dos franceses! O certo seria admitir ser a França a nossa terra prometida, mas acontece que rico só ri quando sente cócegas no bolso, e só a Renault (dizem que é a primeira, outras virão..) já levou uns 200.000.000 em renúncia fiscal de impostos (que nos farão um inferno de falta), fora outro tanto investimento direto. Mas, pela cara e o balanço da carruagem, muito francês esperto vem aí, levar sua casquinha da terra prometida. Só que o lucro, vai para lá... enquanto isso, um prefeito afirma que até é bom abrir indústrias lá no primeiro mundo do Paraná, que os sem-trabalho, se mudam para lá...
Como dizia um amigo: Irmão, nóis merece...
Quem foi que prometeu nossa terra? Não seria melhor falarmos em terra comprometida? Afinal, se sabe, quando pobre come peru, um dos dois está doente. Neste fim de século, pouca coisa mudou, quando vemos políticos e milionários rindo gostoso, em salão dourado, falando em terra prometida. Eu, hein?
- LINCOLN BRASIL E SILVA, de Londrina.
Penitenciária
Iniciando a leitura do artigo A fraternidade e os encarcerados, no Espaço Aberto de 14.02.97, surpreendeu-me a chocante introdução quando, ao retratar o que ocorre no sistema penitenciário brasileiro, diz que a mera vingança da sociedade contra quem lhe infringiu deveria reduzir a pena.
Este é, realmente, o conceito que significativa parcela da população tem com relação ao problema carcerário, pois não vêem sair de trás das grades o detento recuperado para o convívio social.
Para meu alívio, o artigo, na sequência, desenvolve com rara felicidade o tema proposto pela Campanha da Fraternidade, expondo com muita propriedade os anseios de todos que se preocupam com o encarcerado e a sua recuperação. Felizmente, o pesadelo que a sociedade vive e (mais dramaticamente ainda, penso) vivem os prisioneiros há de ter uma solução.
- CLÁUDIO LOT, de Londrina.
Legalização da maconha? Não!
Uma vez mais, vem à tona no cenário político nacional a questão da legalização das drogas, insulfado principalmente pelos consumidores. Aqueles que defendem a legalização centram-se de, uma forma geral, no fato de que o usuário não pode ser tratado como um criminoso, pois precisa é de apoio, informação, prevenção e desintoxicação. Com a legalização, diminuiria o poder econômico e militar dos traficantes de drogas, trazendo um controle industrial sobre a produção de maconha e a cobrança de impostos sobre sua comercialização. Alegam também que na sistemática atual, milhares de consumidores de maconha são vítimas de extorsão institucionalizada pela polícia, e por derradeiro que a proibição induz os adolescentes ao uso de drogas.
Quanto ao aspecto da corrupção na Polícia, realmente esta merece destaque. Ela existe de uma forma muito mais acentuada do que as pessoas imaginam. Há vários casos de pessoas que são pegas com drogas, deveriam ser enquadradas como consumidoras, segundo a lei, mas nas Delegacias, por atos de desonestidade, são inseridas como traficantes, apenas com o intuito da chantagem policial para se obter dinheiro, e com isso as pessoas se veêm obrigadas a pagarem, para então não se sujeitarem ao enquadramento legal como traficantes. De qualquer forma, a legalização não vai alterar esta situação. Alegar que a legalização trará divisas ao Estado também é mais uma idéia que nos parece inapropriada, pois o contrabando continuará existindo.
Portanto, legalizar o mal é patrocinar o incentivo a destruição de novas vidas.
- PAULO GOMES JÚNIOR, Procurador do Estado, Chefe Regional de Foz do Iguaçu
Pisando na Lei
Quero parabenizar o ilustre vereador e professor da faculdade de Apucarana, por seu valioso e indispensável Projeto de Lei, nº 06/97, que trata de manter a moral e a dignidade das famílias, para que tenhamos uma sociedade sadia. Porque do jeito que está indo com essa liberdade sem responsabilidade, estamos construindo uma grande Babilônia, para o bem da famigerada exploração desrespeitosa.
- LUIZ DE SOUZA ROLIM, de Jaguapitã
Walmor Maccarini
Sou assinante há vários anos da Folha de Londrina e confesso que sou macaco de auditório dos artigos do Walmor Macarini. Refiro-me principalmente aos dois últimos que li, Meu Prefeito e Sem terra, sem tudo. Fico muito feliz quando abro o jornal e vejo que ainda há jornalistas de gabarito que sabem discorrer com competência sobre um problema tão polêmico em nossos dias - os sem-terra -, cujos defensores aparecem muitas vezes por pura ideologia ou mesmo por estar na moda.
Lendo atentamente suas palavras voltei ao passado, quando minha família chegou ao Paraná em 1948, como formadores de café. Com muita luta e sacrifício meu pai e nós todos conseguimos levar adiante nosso compromisso. Porém, hoje, graças ao conhecimento que adquiri nesses anos todos na lavoura, consegui alguns hectares de terra no município de Pitanga.
Estamos todos preocupados com essa mal direcionada política agrária, pois em nossa região, o que sabemos é que só este mês de janeiro evadiram-se do campo para os grandes centros mais de quinze famílias vizinhos de minha propriedade. Isso prova que o governo está fazendo uma reforma agrária as avessas: não auxilia com preços justos aquele que já está na lavoura.
- CLEUZE ARAUJO, de Campo Mourão
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