O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Praça Rocha Pombo 1
A Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids - ALIA não tem como objetivo incentivar a prostituição e a propagação da Aids e outras doenças, como afirmou a leitora em carta publicada por este jornal dia 8. Por sinal, objetivo que nenhuma instituição possui, e nem precisaria, pois, antiga profissão, a prostituição sempre existiu em todas as épocas históricas da nossa cultural ocidental. Geralmente, em nome da moral e dos bons costumes a prostituição sofreu inúmeras regulamentações de ordem política e sanitária, confinamento e tentativas de afastamento para a periferia das cidades ou para territórios menos visíveis aos olhos sensíveis dos bons cidadãos, filhos e maridos da nossa sociedade.
Houve tentativas de disciplinar o espaço público, com argumentos hipócritas que defendem a manutenção da prostituição para aliviar as necessidades orgânicas dos homens. Tais políticas nem sempre vingaram, justamente por força da demanda dos cidadãos em relação a esta profissão. Aliás, em um passado bem recente, os pais incentivavam e, inclusive, conduziam seus filhos para sua iniciação sexual com prostitutas. Vários trabalhos de prevenção de Aids demonstram que, atualmente, mais de 50% dos clientes de travestis são homens casados. A Alia vem trabalhando há mais de 8 anos, em Londrina, com muitas dificuldades, mas também com criatividade, respeito e com reconhecimento de seu trabalho por parte das políticas municipais de Aids, Ministério da Saúde e Banco Mundial (através dos projetos e convênios firmados). Seu objetivo não é tirar as prostitutas daquela vida, apresentar alternativas, como sugeriu a leitora, e sim colaborar na prevenção da Aids. Infelizmente, os sintomas da crise mundial dão indício de que as desigualdades sociais só tenderão a aumentar, aguçando, ainda mais, problemas com os quais nos deparamos. Temos que enfrentá-los e não apenas afastá-los dos nossos olhos.
- LEILA SOLLBERGER JEOLÁS, professora universitária e membro voluntária da ALIA, Londrina
Praça Rocha Pombo 2
Em carta enviada a este jornal, dia 8, uma leitora parabeniza os autores de uma decisão judicial que proíbe as prostitutas de permanecer na Praça Rocha Pombo. Entre outras coisas, justifica seu posicionamento alegando que tal decisão preserva a moral e os bons costumes. Gostaria de fazer uma reflexão, tanto para os olhos da signatária da carta citada, quanto para aquelas pessoas afeitas a julgar precipitadamente. Valho-me, para tanto, de um trecho da Bíblia. Um fariseu convidou Jesus para comer com ele. Enquanto estavam à mesa, uma prostituta, sabendo do paradeiro de Jesus, trouxe um vaso com perfume, prostrou-se aos pés do Convidado e chorou. Suas lágrimas banhavam os pés de Jesus e ela Os enxugava com os cabelos enquanto Os beijava e ungia com o perfume. Vendo tal cena, o anfitrião (na época os fariseus eram os guardiões da lei, moral e bons costumes), num julgamento apressado, dizia consigo mesmo: se este homem fosse profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que o toca; pois é pecadora. Então, após fazer uma reflexão sobre o perdão, Jesus falou: Vês esta mulher? Entrei em tua casa e não me deste água para lavar os pés; mas esta, com suas lágrimas, regou-me os pés e enxugou-os com os seus cabelos.
Não me deste o ósculo: mas esta, desde que entrou, não cessou de beijar-me os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta com perfume ungiu-me os pés. Finalmente, em consequência do grande amor e fé da mulher/prostituta, Jesus perdoa seus pecados. Ou seja, apesar da lei, moral e bons costumes da época que exigiam que Jesus nem mesmo se deixasse tocar, ele não ignorou a mulher, não deu as costas para ela. Volto, agora, aos nossos dias e pergunto: Devemos concordar em expulsar as mulheres/prostitutas da Praça Rocha Pombo como se faz com cachorros vadios? Onde devemos jogá-las? Talvez em terrenos vazios da cidade? Talvez exportá-las para bem longe? Como fazer para tirá-las de nossas vistas? Vamos enterrar a cabeça na terra? Assim pode ser que elas desapareçam. Devemos dar as costas a uma atividade social (milenar) complexa sem ao menos tentar compreender os porquês? Quais os caminhos a seguir? São estas as questões que instituições como a ALIA ou a LBV enfrentam corajosamente. Finalmente, o que mais me espanta em tudo é que passados dois mil anos, fariseus continuam fariseus.
- LUDOVIKO C. DOS SANTOS, Londrina
Flanelinhas
A idéia de um vereador de Londrina, de cadastrar e uniformizar os cuidadores de carro, na tentativa de resolver este grande problema, foi muito infeliz. As vias públicas deveriam ser livres e é dever do poder público garantir a nossa segurança e o direito de estacionarmos onde quisermos, embora já tenhamos Zona Azul instalada na maioria das ruas centrais. Na tentativa de se resolver um problema, não se pode criar outro. Tem-se que, através de estudos, viabilizar maneiras de se aproveitar estes garotos em outros meios de subsistência. Cada dia que passa, mais e mais guardadores estão aparecendo. Cada quarteirão passa a ser controlado e explorado por um deles. É preciso um estudo profundo e rápido desta situação, antes que mais tarde fique muito difícil qualquer ação nesse sentido.
- MARINILCE FERREIRA DOS SANTOS, Londrina
Moralidade
O Londrina Esporte Clube na segunda divisão do Campeonato Paranaense de 1999. Muita coisa foi falada sobre este problema que o LEC tem para 1999. No momento a boa atuação da equipe no Campeonato Brasileiro da série B tem ofuscado este fato e desviada a atenção dos torcedores e da mídia, com raras exceções, para este fato. Poucas não são as especulações sobre uma virada de mesa, que envergonharia nossa região.
Conclamo desde já os responsáveis pela mídia e aqueles que administram o LEC a criar um movimento para impedir que essa virada de mesa venha a ocorrer. Seria o Movimento Moralidade Já. Entendo não haver motivos para que o LEC dispute a primeira divisão do ano que vem no campeonato paranaense, já que legitimamente perdemos nossa condição este ano. Convites por parte da federação, torneios paralelos como essa Copa Paraná, ou outros com o artifício de levar o time à primeira divisão podem ser tentados, mas não poderão jamais ser aceitos por parte do LEC.
- FÁBIO CHAGAS THEOPHILO, torcedor do LEC
Errata
- Por erro de montagem, foram trocadas as fotos da edição de segunda-feira, da Folha2, página 1 (matéria Humor e Poesia no Fio da Navalha). A foto que aparece ao alto, do lado direito da página, é de um personagem da coluna social e não de mobiliário, como estava previsto.
- A tabela de classificação do Campeonato Brasileiro da Série A, publicada na edição de segunda-feira da Folha Esporte, apresenta uma incorreção: a Portuguesa, com 34 pontos, ocupa o terceiro lugar e não o quarto. Quem está na quarta posição é o Corinthians com 33 pontos.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





