A Associação Paulista dos Municípios vem denunciando há bastante tempo a grave situação das finanças municipais, provocada pela progressiva transferência de responsabilidades de outros níveis de governo para as prefeituras. O debate eleitoral fez com que o assunto ficasse relegado a um segundo plano, sufocados pelas contendas locais. As eleições porém, já passaram. Cada novo prefeito faz as contas do tamanho do problema financeiro que encontrará - e, infelizmente, a crise não poupou nenhuma prefeitura. Se a população achava que as contas apresentadas pelos candidatos durante as campanhas eram pura munição eleitoral, vai ver a partir de agora que a situação é, efetivamente, grave.
Se a crise atinge a todas as prefeituras, é de se ressaltar que apenas uma parte dos atuais prefeitos têm alguma parcela de culpa na situação. O grande entrave fica mesmo com o abandono a que os municípios estão relegados pela União. Não foi reservado espaço ao poder municipal dentro do Plano Real, e todos os efeitos contrários trazidos pela política econômica não foram neutralizados quando surgiram. Isso tudo ocorreu ao mesmo tempo em que cada nível foi abandonado suas responsabilidades, sendo o prefeito cada vez mais chamado para assumir serviços públicos, sob pena de deixar a população abandonada à própria sorte, como eles próprios estão. O quadro é esse mesmo, muito grave. Os atuais prefeitos estão se preparando para deixar os cargos, enquanto os eleitos planejam a próxima administração. Por outro lado, os municipalistas não estão de braços cruzados.
Já estamos mobilizando uma grande manifestação em Brasília para o início do ano. O movimento se faz necessário, pois os municípios estão ingovernáveis e é preciso mostrar às autoridades econômicas o grande erro que cometem ao abandonar as prefeituras e que, sendo mantido, terminará por comprometer até mesmo o Plano Real, pois não existe desenvolvimento social longe do município - a verdadeira base de sustentação da Nação. É nele que a população mora e qualquer ação ou falta dela nos limites do município têm um efeito real, medido na esperança ou no desespero da população. Em janeiro, pois, Brasília será sacudida pelo grito dos Municípios, hoje sufocados pela falta de recursos até mesmo para cumprimento das suas mínimas necessidades administrativas. Pensemos nisso!
- WILSON JOSÉ, presidente da Associação Paulista de Municípios-APM.

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