O leitor escreve
Darcy Ribeiro
Darcy Ribeiro foi um brasileiro ímpar. Sempre genial, às vezes polêmico, tinha um jeito lúdico de levar a vida, capaz que era de brincar com as nossas cabeças, como Garrincha brincava com a bola. Podia fazê-lo porque tinha, como poucos, a dimensão dos estadistas que vislumbram o futuro e a generosidade dos velhos professores que ensinam com amor, sem arrogância.
Velho Darcy, sempre daquele jeito! A morte batendo à sua porta e ele repetindo o drible, mandando-a esperar mais um pouco porque tinha ainda muito o que pensar, muito o que sonhar. Foi, como ninguém, o mercador do sonho da tolerância entre os brasileiros, porque assim previa uma nação mais harmoniosa, reconciliada com suas grandes possibilidades, livre das crueldades que marcaram o seu fazimento, como gostava de mostrar e denunciar. Como se vê, era mais conciliador que radical, como muitos o imaginavam.
Criador de universidades, respeitado no mundo, nem sempre pôde ser compreendido em seu país, tantas vezes perseguido que foi. Mas isso se confunde com a história, que ele, também como poucos, sabia tão bem interpretar. Talvez por isso, mas sobretudo pela generosidade de sua alma, sabia perdoar e esquecer as injustiças que sofreu. Não se conformava era com o atraso que, no seu entendimento, elites mesquinhas impõem a grandes contingentes da população, sem saber que, feito bumerangue, tamanha mesquinhez um dia vai se voltar contra suas cabeças. Daí a sua luta santa em favor da educação.
Tudo isso, a maioria sabemos sobre Darcy. O que talvez não possamos saber ainda é a dimensão da falta que ele vai nos fazer.
- JAIME LERNER, governador do Paraná
Perdas irreparáveis
Fevereiro será lembrado como um dos mais tristes meses da história recente do Brasil. Em poucos dias fomos privados do convívio, da sabedoria, da grandiosidade de três dos maiores brasileiros deste século. Paulo Francis com seu estilo agressivo, destemido e contestador, ainda que a muitos desagradasse, fará muita falta ao jornalismo brasileiro. Mário Henrique Simonsen, brilhante consultor e mestre da geração de economistas que ditam nossa política econômica. E, por último, o imenso Darcy Ribeiro, escritor, etnólogo, antropólogo, senador e, o mais importante, um baluarte na incessante luta pela educação do povo brasileiro. São dele as mais singelas, porém melancólicas, constatações sobre a educação no Brasil: A escola pública, nos moldes atuais, é feita para a criança fracassar e há um pacto de mediocridade e condescendência no ensino: o professor mal remunerado finge que ensina, o aluno finge que aprende e um não reclama do outro. Seu desaparecimento deixa uma lacuna, um vácuo que talvez jamais será preenchido. Para nosso consolo, as idéias e os ideais de Darcy vão perdurar e influenciar gerações. Sem dúvida, foram três grandes perdas.
- ARTUR HUMBERTO PIANCASTELLI, Londrina.
Viagem de FHC à Europa
Se arrependimento matasse, a esta hora estaríamos sendo governados por Marco Maciel, porque o presidente FHC deve ter voltado com uma úlcera nervosa depois de receber mais um título de Honoris Causa na Universidade de Bolonha, entregue pelo reitor Flávio Roversi Monaco, que fez um desagravo velado ao presidente pela política fundiária no Brasil. O pior de tudo é que durante a entrega foi distribuido um manifesto de 60 membros e intelectuais italianos de outras universidades para suspender a concessão da Laurea, mas foram voto vencido, FHC foi coroado com manifesto e tudo. Outra gafe foi o Ministro das Relações Exteriores ao comentar que a Itália seria a entrada dos interesses do Brasil na Europa quando ali na entrevista estavam vários repórteres portugueses, ficou como aquele parlamentar de outras épocas, disse... não disse, seria cômico se não fosse trágico.
- JOSÉ PEDRO NAISSER, de Curitiba
Sem-terra
Razão assiste ao advogado José Bolivar Bretas, autor do artigo O Império da lei e da ordem, publicado em 16/02. Está na hora de acabar com essa bagunça das invasões dos sem-terra. Não há que se falar em direito à vida no caso, porque quando os sem-terra se tornam invasores, eles perdem o direito, ou melhor, renunciam o direito à vida. É de se ver, também, que não existe direito contra direito. O direito à vida invocado pelos sem-terras, vai até onde começa o direito de defesa dos fazendeiros.
- ROSELI GOLARTE DE PAULA, Londrina
Câmara via cabo
Achei super interessante a idéia da Câmara de Vereadores de Maringá de transmitir suas sessões ao vivo, pela TV a cabo. Primeiro, porque leva ao domínio público parte dos bastidores da produção das leis e da política. Além disso, substitui as pressões das galerias pelo olho eletrônico, que pode até não fazer barulho, mas tudo vê.
- MARIA LUZIMAIR SILVA, de Maringá
Pró-egresso
Muito interessante a matéria publicada pela Folha de Londrina de terça-feira sobre o Pró-egresso. Esse trabalho desenvolvido pela Universidade Estadual de Londrina merece, realmente, destaque, não só por seu lado humano, mas principalmente por sua importância para a sociedade.
- LOURIVAL MILTON FERREIRA, de Londrina
Teatro
Depois de um longo e tenebroso período de paradeira, que deixaram os londrinenses que não foram viajar quase sem opção do que fazer, a vida cultural da cidade está ressurgindo. E quem está abrindo o ano, finalmente, é o grupo de teatro Armazém com a peça Out Cry. Espero que seja um bom início e que o ano seja bastante movimentado, para compensar.
- LUCIA GUMIERO SALLES, de Londrina
Agradecimento
No período de divulgação das inscrições para o Curso Vestibular de 1997 desta Univesidade, a participação desse órgão de comunicação foi importante e decisiva, resultando para a instituição êxito completo. Em vista do exposto, agradecemos a divulgação e enaltecemos o profícuo trabalho. Sendo o que nos apresenta para o momento, renovamos nosso apreço.
- CARLOS ALBERTO GOMES, diretor da Universidade Estadual do Centro-Oeste, Guarapuava.
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