O leitor escreve
A vale e as pilhas
A desinformação do brasileiro médio sobre o que produz a Companhia Vale do Rio Doce é impressionante. Para essas pessoas, pobres ignorantes sobre o assunto que abordam, a Vale deve ser privatizada a qualquer preço. O Estado deve ficar fora de tudo, entregar tudo por dinheiro podre. Meu interlocutor não sabia, por exemplo, que da Mina Azul, na Serra dos Carajás, vem o bióxido natural com teor de 76% a 81% de Mn 02, que é apropriado para a fabricação de pilhas eletrolíticas. Carajás abastace todo o mercado brasileiro e ainda exporta. A gatinha de walkman não sabe que a pilha de seu som ambulante é de óxido de manganês, nem que milhares de toneladas de fertilizantes do solo como o ácido fosfórico, o super fosfato triplo (TSP), o fosfato de monoâmonio (MAP), o ferro silício são produzidas pela Companhia Vale do Rio Doce a preço acessível. Como ficarão os preços desses produtos quando o manganês, por exemplo, ficar nas mãos de duas multinacionais, a nível mundial?
É lamentável que o governo não possibilite o debate sobre a Vale do Rio Doce, para que o povo saiba que estão entregando o que vale trilhões de dólares por meros 6 bilhões de reais. Para quê?? O que está por trás de tudo isso? Para que tanta pressa? Por que gente como Celso Furtado, Darcy Ribeiro, José Aparecido de Oliveira, Leo de Almeida Neves, Luís Fernando Veríssimo, Osny Duarte Pereira, Hélio Fernandes, Nélson Werneck Sodré, José Sarney mantém posição firme contra esse crime de lesa-pátria e FHC permanece irredutível? Que diabo de informação ultra-secreta ele tem que nós não temos. Tudo prova que vender a Vale é um crime contra o Brasil.
- JORGE BALEEIRO DE LACERDA, Francisco Beltrão.
Superliga de Vôlei
O delicado momento vivido pela equipe - Londrina/Ametur -, a luta para fugir do rebaixamento na Superliga de Vôlei, leva-nos a refletir sobre um fato: quando a professora Farid Beraldo e suas jovens atletas conquistaram o direito de participar da Superliga de Vôlei, colocando-se entre as 10 melhores equipes brasileiras, houve um clima de alegria e de ufanismo. No momento da vitória, como não poderia deixar de ser, autoridades, empresários e a imprensa exaltaram, com muitos elogios, a equipe pela brilhante conquista. Com a sucessão de derrotas, que leva ao risco do rebaixamento, começaram a surgir críticas e um certo isolamento do grupo, exatamente no momento em que todos deveriam estar presentes, com objetivo de ajudar a superar as dificuldades. No entanto, na medida em que se ignora os pontos positivos conquistados, surgem ameaças de dispensas e subistituições, bem comuns no meio futebolístico, mas inadmissíveis na atual conjuntura do vôlei londrinense.
Superando obstáculos, Farid conseguiu apresentar muita vontade, força de luta e o destemor com que conseguiu estruturar a equipe. E isso é qualidade construída no seu cotidiano, mesmo sem recursos e com dificuldade intransponíveis. Farid, continue a luta, pois precisamos de você para continuar avançar. Depois de uma grande conquista, a continuidade torna-se mais difícil com as novas exigências de essencial qualidade. E você preparada para manter e ampliar o espaço já conquistado no cenário do vôlei brasileiro. Você está no caminho certo. Conte comigo.
- JOÃO BOSCO DA SILVA, Londrina.
Recado
Semana passada Aninha, aquela minha filha de inocentes 7 anos (mas que não é burra), que lê, escreve e as vezes ouve, novamente me detonou com a seguinte questão: a tia lá da minha escola contou que toda vez que muda o prefeito ele escolhe um tio novo para cuidar dos problemas do nosso trânsito. Um dia desses o tio novo disse no jornal que para resolver o trânsito de nossa cidade seria preciso alargar ruas, mudar a direção de algumas ruas, enfim montar um tal de projeto. Disse ainda que é um projeto grande e que vai demorar bastante para ser executado.
Pergunta: Pai, não seria muito mais simples, antes de fazer o tal projeto, fazer com que todo motorista cumprisse as leis, ou seja, não passar em sinal vermelho, não estacionar em local proibido, não estacionar em fila dupla, não correr mais do que é permitido, não parar sobre as faixas para pedestres, não andar na contra-mão? Se depois disso tudo os tios guardas de trânsito não conseguissem melhorar o trânsito e diminuir os acidentes, aí sim, deveriam fazer o tal projeto. Tentei explicar para a Aninha que esse é um problema delicado, pois envolve obras, e obras envolvem licitações e concorrências, e licitações e concorrências envolvem comissões, superfaturamentos, caixinhas, etc. Sem mais nem menos Aninha virou-me as costas e saiu resmungando com sua inseparável boneca, que por coincidência ela batizou de Corrupta. Coisas de Aninha, que com seus 7 anos é pura inocência (mas não é burra).
- EDGARD DE OLIVEIRA, de Londrina.
Direito
Li, como leitor assíduo da Folha de Londrina, os dois artigos de domingo, pág. 3. Não gostei do ponto de vista do sr. Francisco Urbano Araújo Filho, presidente da CONTAG. O artigo do advogado José Bolivar Bretas, meu conterrâneo, é duro, porém, verdadeiro. Já o artigo do presidente da CONTAG é terno, porém, falso. Ele sofisma em cima do direito à vida. Parte de uma premissa verdadeira, entretanto, com conclusão falsa. É aquela estória do avião voa; do mosquito voa (premissas verdadeiras); logo o mosquito é um avião (conclusão falsa). O direito à vida todo mundo tem. Agora, quando renunciamos esse direito ao entrar na esfera do direito alheio, não podemos falar no nosso direito, porque o nosso direito vai até onde começa o direito do outro. Dessa forma, o direito de defesa dos fazendeiros, conforme bem falou o advogado, é legítimo. Chega de baderna.
- PAULO ROBERTO DA SILVA, Assis Chateaubriand/PR.
Filo
Soube que o secretário da Cultura do Paraná quer cortar as verbas para o festival de teatro amador de Londrina e queria pedir-lhe que não faça isso, pois o festival é muito importante para a cultura do teatro amador do estado. Contamos com a compreensão dele.
- SANDRA MARA DA SILVA, Londrina.
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