O leitor escreve
O LEITOR ESCREVE
Luta pela terra (1)
Lendo a Folha do último domingo, não pude deixar de ver a enorme reportagem a respeito da luta pela terra, em que o MST e os invasores de propriedades são tratados como verdadeiros heróis e mártires. Será que este jornal não poderia dedicar também o mesmo espaço e importância aos proprietários que tiveram suas propriedades invadidas, saqueadas, seu gado roubado e seus tratores e implementos apropriados por estes heróis? E também um espaço para os que ainda não foram invadidos, mas vivem em clima de terror e medo, graças a este movimento terrorista? E também um espaço para aqueles assentamentos onde quase todos arrendaram os seus lotes, pois a grande maioria não tem a menor vocação para a lida no campo?
Quanto ao Sr. Ildo Perondi (artigo publicado também no domingo): será que ele esquece ou quer esquecer que uma das principais condições para vivermos em uma verdadeira democracia é o respeito à lei e a Constituição? Em uma democracia, os grupos sociais podem e devem lutar pelos seus direitos, mas nunca desrespeitando os direitos dos outros. Se estes grupo desejam mesmo alguma conquista social para quem eles dizem que representam, deveriam pleiteá-las dentro da lei e da ordem.
- EDMUNDO TREIN, agropecuarista, Paranavaí
Luta pela terra (2)
A manchete da Folha de domingo (Cresce disputa pela terra no Paraná, sobre caderno especial) é mais um exemplo de como as questões sociais são tratadas no Brasil. Essa manchete poderia ser veiculada em 1912, 1950, 1957, 1975 ou mesmo, como foi, em 1998. Em 1912, tivemos no Paraná um dos principais conflitos de terra do Brasil: a Guerra do Contestado, na região de fronteira com Santa Catarina; em 1950, os conflitos de Porecatu e de Campo Mourão; em 1957, as disputas de terras no Sudoeste, que se prolongaram por mais de vinte anos; em 1975, o início dos conflitos no Pontal do Paraná, principalmente em Querência do Norte, não resolvidos até hoje; agora, as lutas do MST, disseminado por todo o Estado.
Poderiam ser evidenciados outros 30 episódios tão importantes como estes. Como bem frisou a reportagem, esse sem dúvida foi um século de conflitos. Os anos passam mas o problema continua o mesmo.
De certa forma, esses conflitos mostram a falência do Estado e a incapacidade da elite dirigente em resolver um problema que na Europa foi solucionado no século XVIII e nos EUA no século XIX. A reforma agrária era uma necessidade do Estado burguês moderno. É inconcebível que um país como o Brasil, onde seus governantes berram aos ventos a propalada modernidade, tenhamos uma infinidade de latifúndios improdutivos e mais de 1 milhão e meio de pessoas querendo terra para trabalhar.
- ÂNGELO PRIORI, Maringá
Luta pela terra (3)
Parabéns à Folhae, principalmente, à equipe que realizou o suplemento Terra, a questão agrária no Paraná no último domingo. A reportagem é fundamental para o exercício diário do jornalismo.
- RUTH BOLOGNESE, jornalista, Curitiba
Eleições sem clima
Há muitos brasileiros desentusiasmados com esta eleição, e com razão. Os políticos estão colhendo o que plantaram durante anos, com retórica enganosa, na base do troca-troca dentro do Congresso, isto visto todos os dias pela imprensa, que fiscaliza muito bem os seus movimentos.
Eu viajarei 540 quilômetros para votar, juntamente com minha esposa. É uma questão de cidadania e respeito ao Brasil, mas não espero dos políticos nenhuma razão para isso. Prova disso é que o presidente da República vem rogando para a reforma da Previdência e nada acontece.
Vejo prefeitos, deputados, governadores vangloriando-se pelas obras que fizeram, mas a educação, o atendimento ao salário dos professores é uma aberração. Constróem salas de aulas, mas não preparam professores com cursos de aperfeiçoamentos e salários dignos. Assim não tem clima. Vota Brasil.
- EMÍLIO ARAÚJO COSTA, Chapecó (SC)
Custo benefício
Deixo meu protesto pelo uso que vem sendo feito dos dados referentes aos gastos com publicidade do governo Lerner. Os críticos afirmam que a publicidade teve como objetivo a promoção dele, mas omitem que o valor diz respeito a todos os gastos com publicidade, na sua maioria relacionados a áreas de utilidade pública, como saúde e educação, importantíssimo para as campanhas de prevenção de doenças e contribuindo para a redução em 34% da mortalidade infantil e 17% da mortalidade materna no Paraná no mesmo período.
Também omitem que como resultado da divulgação, o Paraná tornou-se um dos recordistas em atrair investimentos. Só na área de industrialização, mais de 600 novas indústrias foram implantadas, com um investimento de R$ 15 bilhões e geração de 480 mil empregos diretos e indiretos. Será que o custo-benefício não se fez valer?
- TONI REIS, Curitiba
Correção
- Ao contrário do que foi publicado no texto O tesouro que o Brasil despreza (Folha 2, edição do último sábado), o órgão que está retomando o trabalho de digitalizar as obras dos grandes compositores brasileiros é a Funarte.
- A notícia Remédios falsos chegam a 30% em todo o mundo (edição do último sábado) contém erro: o setor movimenta, anualmente, US$ 300 bilhões no mundo, e não US$ 30 bilhões.
- As cartas devem ser datilografadas e assinadas e vir acompanhadas da fotocópia de documento de identidade, endereço e telefone para contato e profissão/ocupação do remetente. O jornal poderá resumi-las conforme disponibilidade de espaço. Correspondência via Internet deve conter: nome completo, cidade de origem, telefone, documento de identidade e endereço eletrônico e profissão/ocupação. E-mail Folha do Paraná/Folha de Londrina: [email protected]





