No final da tarde de ontem a notícia chegou explosiva: a pedido do próprio governo do Paraná, o leilão da Copel - marcado para hoje, às 10 horas - foi adiado. O anúncio é de que o prazo para entrega dos depósitos de garantia para habilitação ao leilão foi prorrogado até o dia 6, mas não há uma data para o próprio leilão. O governo afirma que será o mais breve possível.
O presidente da Copel e também secretário da Fazenda do governo, Ingo Hubert, garantiu ontem pela televisão que ''há continuidade de interesse por parte dos consórcios inscritos'' e que eles necessitam de mais prazo para ''elaborar com segurança'' os seus procedimentos para habilitação ao leilão - e um deles é o depósito de R$ 400 milhões cada, o que nenhum deles fez.
O pedido de adiamento foi formulado ao governo paranaense pelos próprios consórcios interessados na compra - os grupos Votorantin e Vale do Rio Doce, Tractebel e Gerasul, e a Altere Participações. Mas o que soa estranho é esses consórcios haverem declarado, ontem após o adiamento, que ''a atual conjuntura não é favorável para o negócio''. Isto seria uma desistência, e se o momento não é bom agora não o será nos próximos dias.
Cerca este leilão uma enxurrada de ações populares, no Paraná e em vários Estados onde a Copel tem empresas ou participação acionária em outras, e também no Distrito Federal. As ações judiciais se tornaram a única alternativa do Fórum Contra a Venda da Copel. Mas o que acaba de ocorrer independe das ações populares, porque é uma contingência dos próprios consórcios.
Neste momento as expectativas não são de eventuais liminares prorrogando a venda, o que o governo veio administrando bem, porque colocou de plantão procuradores especiais para cuidar do caso e assim esses recursos judiciais eram imediatamente derrubados. A decisão agora está nas mãos dos potenciais compradores, que ontem não tiveram caixa para o depósito inicial exigido.
O fato pegou de surpresa o governo, que já considerava como favas contadas o arremate. Mas o fatídico Dia das Bruxas, que ocorre hoje e é festejado em vários países do mundo e um pouco também no Brasil, não haveria de ser favorável para a expectativa governamental; ao contrário, contempla, ao menos por enquanto, a população paranaense, que é totalmente contrária à venda da Copel.

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