O legado de Zilda
Milhares de pessoas se reuniram no último sábado, em Curitiba, em uma cerimônia pedindo a beatificação da médica sanitarista Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança. O evento, realizado no estádio do Atlético, a Arena da Baixada, contou com a presença de católicos de todo o País. Durante a cerimônia, o bispo auxiliar dom Rafael Biernaski, que responde interinamente pela arquidiocese de Curitiba, recebeu um documento com 200 mil assinaturas coletadas em todo o Brasil pedindo abertura do processo de beatificação de Zilda Arns. Ela morreu durante o terremoto que devastou o Haiti, no dia 12 de janeiro de 2010. A médica havia viajado justamente para apresentar aos católicos daquele país a metodologia da Pastoral da Criança para o combate à desnutrição.
A Pastoral da Criança nasceu em 1983 na cidade de Florestópolis, no Norte do Paraná. A proposta era combater, de maneira simples e eficaz o alto índice de mortalidade infantil daquele município. Voluntários da própria comunidade foram treinados para orientar seus vizinhos sobre prevenção de doenças, principalmente a desnutrição. O índice de mortalidade infantil diminuiu rapidamente e, a partir daí, a Pastoral ganhou visibilidade e os voluntários foram se multiplicando em todo o território nacional e no exterior.
Um processo de beatificação só pode ser aberto cinco anos após a morte do candidato. Pelas regras da Igreja Católica, para uma pessoa ser proclamada beata, ela precisa ser reconhecida pelo seu caráter de santidade, ou seja, os beatos precisam ter vivido as virtudes do cristianismo com excelência.
Uma das principais qualidades da fundadora da Pastoral da Criança era justamente a simplicidade nas atitudes, a dedicação ao próximo, a fácil comunicação com pessoas de todas as idades e o amor ao trabalho da Pastoral da Criança. Sobreviventes do terremoto que acompanhavam a visita de Zilda Arns ao Haiti contaram que uma de suas últimas ações foi justamente ensinar aos voluntários como se preparava o soro caseiro.
A mobilização de tantos católicos que vieram para Curitiba e lotaram um estádio em homenagem à médica mostra o reconhecimento dos brasileiros para com o trabalho dela. É preciso reconhecer: Zilda Arns deixou um grande legado ao País.





