O legado de quem doa
A campanha Setembro Verde é dedicada a sensibilizar a população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos para transplantes
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segunda-feira, 07 de setembro de 2026
A campanha Setembro Verde é dedicada a sensibilizar a população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos para transplantes
Folha de Londrina 
A decisão da doação de órgãos é uma das poucas que são capazes de transformar uma tragédia em esperança. Em meio à dor irreparável da perda de alguém querido, uma família pode dizer “sim” e, com esse gesto de generosidade, permitir que outras pessoas tenham a oportunidade de continuar vivendo.
A história do bombeiro militar Luiz Flávio Inácio da Silva é um exemplo contundente dessa dimensão humana da doação. Aos 40 anos, ele morreu depois de um grave acidente de trânsito, quando se preparava para o casamento e ainda tinha muitos planos pela frente. Como havia manifestado em vida o desejo de ser doador, sua família autorizou a retirada dos órgãos. Seu fígado, coração, rins e córneas beneficiaram cinco pessoas.
O gesto da família de Luiz de respeitar a vontade do rapaz ganha um significado ainda maior se considerarmos que um homem que dedicou a vida a salvar pessoas, como bombeiro, acabou tendo a oportunidade de fazê-lo também depois da morte.
No outro lado dessa história está Adriele Bueno, que recebeu um transplante de pulmão em 2019, depois de anos convivendo com uma doença grave que havia retirado sua autonomia e ameaçava sua vida. O novo órgão não representou apenas a cura: devolveu a ela a possibilidade de fazer planos, estudar, trabalhar e sonhar com o futuro.
As duas histórias são contadas em reportagem da Folha de Londrina nesta segunda-feira (7), quando o jornal lembra que a campanha Setembro Verde é dedicada a sensibilizar a população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos para transplantes. A iniciativa também busca estimular as pessoas a conversarem com seus familiares sobre a aspiração de serem doadoras, já que o procedimento só é realizado mediante autorização da família.
A reportagem mostra também o importante trabalho da OPO (Organização de Procura de Órgãos), que realiza ações próprias ao longo de todo o ano, intensificando-as neste mês. A organização localiza, capta, retira e transporta os órgãos. Ela é notificada por hospitais da abertura de protocolos de morte encefálica, avalia a possível doação e presta suporte à família para esclarecer dúvidas e obter a autorização legal.
São histórias que ajudam a traduzir em vidas concretas aquilo que os números das filas de transplantes muitas vezes tornam abstrato. No Paraná, milhares de pessoas ainda aguardam por um órgão e cada número representa uma pessoa, uma família e uma expectativa.
Londrina tem motivos para se orgulhar dos resultados alcançados. A recusa familiar à doação está abaixo da média nacional e o trabalho da OPO é fundamental para que a vontade de potenciais doadores possa ser transformada em transplantes. Mas ainda há espaço para avançar e sabemos que o principal caminho é a informação.
É preciso conversar sobre o tema enquanto estamos vivos, manifestar aos familiares a vontade de ser doador e compreender que, no Brasil, a autorização da família é indispensável para que a doação ocorra.
Obrigado por ler a FOLHA!


