A semana termina com a gasolina pesando forte no orçamento dos brasileiros. O sábado (19) terá o quinto reajuste diário seguido, com a Petrobras elevando os preços do diesel em 0,80% e os da gasolina em 1,34% nas refinarias. Com os reajustes, os preços dos combustíveis irão a novas máximas dentro da política em vigor desde julho. No acumulado da semana, a gasolina teve alta de 6,98% e o diesel, de 5,98%. Somente nos últimos 45 dias, o reajuste passou de 25% para os dois produtos.
A escalada no preço dos combustíveis preocupou até mesmo o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco. "Está subindo demais", afirmou nesta sexta-feira (18). E anunciou que o governo quer discutir a política de preços dos combustíveis – desde outubro de 2016, a Petrobras acompanha as cotações internacionais e a variação do câmbio.
O mínimo reajuste no combustível tem impacto na inflação e no preço de quase toda a cadeia produtiva. Isso acontece porque grande parte dos produtos consumidos no Brasil depende do transporte rodoviário. A questão tributária tem um reflexo importante no custo da gasolina, representando cerca de 50% do preço.
Um ingrediente amargo, consequência dessa disparada de preço, pode ser sentido a partir de segunda-feira (21), com a ameaça da Associação Brasileira de Caminhoneiros de iniciar uma paralisação geral nacional. A entidade cobra providências do governo federal para diminuir o impacto do aumento do diesel, como a isenção de tributos.
O diálogo entre governo e transportadores autônomos é de extrema importância nesse momento. Muitos se lembram do último protesto em âmbito nacional promovido pelos caminhoneiros em 2015, quando reivindicavam a redução de custos com combustível, pedágios e tabelamento de fretes. A paralisação demorou vários dias e fechou rodovias em todos os Estados. Mesmo que a categoria considere apenas parar as atividade e não bloquear estradas, haverá grande prejuízo nos setores produtivos de um país em que o transporte de cargas se faz quase totalmente por rodovias.

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