Verdadeira praga do mundo moderno, a disseminação de notícias falsas ganhou espaço nesta semana com o julgamento da legalidade do polêmico inquérito das fake news, no STF (Supremo Tribunal Federal). Nesta quarta-feira (17), com oito votos, o Supremo formou maioria a favor da continuação do inquérito. Os ministros Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes votaram a favor da investigação. Nesta quinta-feira (18), quando for retomado o julgamento, votarão Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Dias Toffoli, presidente do tribunal.

São suspeitos de integrar o esquema de fake news deputados, empresários e blogueiros ligados ao presidente Jair Bolsonaro. O julgamento, cuja origem é uma ação da Rede Sustentabilidade, teve início na semana passada, quando Fachin, relator do processo, proferiu seu voto.

Há mais de um ano o inquérito foi aberto, provocado pelas críticas e ataques sofridos pelo STF nas redes sociais. No entanto, juristas e políticos contestaram a ação por ter sido instaurada, de ofício, por Dias Toffoli, sem a provocação da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Nove dias depois do inquérito ser aberto, o partido Rede Sustentabilidade pediu a extinção do processo. Mas depois que bolsonaristas foram alvo de uma operação da PF (Polícia Federal), no âmbito do inquérito das fake news, a sigla recuou do pedido de extinção afirmando que embora tenha apresentado "inquietantes indícios antidemocráticos" no começo, a investigação "se converteu em um dos principais instrumentos de defesa da democracia".

Também nesta quarta-feira, o STF negou, por 9 votos a 1, habeas corpus ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, para que o nome dele fosse retirado da investigação.

É um momento grave e delicado. A forma como o processo surgiu ainda causa muitas críticas. Os envolvidos, por exemplo, não são acusados oficialmente pelo Ministério Público.

Mas há muito o que ser esclarecido. É preocupante constatar tentativas organizadas de enfraquecimento das instituições democráticas. Não há liberdade de expressão em acusações infundadas, agressões verbais e desinformação generalizada.

Há um método de desinformação muito bem aplicado em várias esferas da sociedade que precisa ser desmontado. As notícias falsas sobrevivem em um submundo que precisa ser desvendado, pois representa um lado obscuro e criminoso da internet.

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