A pandemia do novo coronavírus trouxe vários desafios para as famílias brasileiras e um deles é a educação domiciliar das crianças e adolescentes. Com a suspensão das aulas presenciais praticamente em todo o País, coube aos pais a tarefa de conciliar o trabalho formal, o serviço doméstico e a supervisão da rotina escolar dos filhos. Quando as crianças são pequenas, supervisionar não é suficiente. É preciso participar mesmo. Isso porque as aulas presenciais deram lugar ao ensino à distância.

Segundo dados do Censo Escolar, publicados recentemente pela Agência Brasil, em 2019 havia 47,9 milhões de alunos matriculados na educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) em todo o País, nas redes pública e particular. O problema é que a pandemia não trouxe um manual sobre como os pais e estudantes podem adaptar a rotina da escola para a sala de casa. O desafio impõe organização, foco e descoberta de novos conteúdos. A vantagem é o aprendizado mútuo.

Na edição da última quinta-feira (7), a FOLHA mostrou a rotina da família de Bruna Norato, 28, cinco filhos, três na idade escolar. A SME (Secretaria Municipal de Educação) de Londrina envia kits com materiais de estudo para todos os alunos da rede a cada 15 dias e, por meio de um grupo de WhatsApp, pais, professores e alunos se comunicam por meio de vídeo, áudio, texto para efetuar as tarefas a distância. Com isso, a mãe passa as tardes ensinando, alternando horários de uso do único celular com acesso à internet da casa.

Norato é auxiliar de cozinha, mas foi dispensada do emprego durante a crise causada pelo novo coronavírus. O marido está afastado do serviço depois de um acidente de trabalho. O casal vive com as cinco crianças no conjunto Vista Bela (norte). O relato mostra a persistência e as dificuldades de quem precisa ajudar os filhos a levarem adiante o conteúdo escolar. A mãe contou que teve dias que chegou a chorar por não conseguir ajudar as crianças.

Para os professores, também é um desafio, afinal não se aprende na faculdade a produzir conteúdo em vídeo e a se colocar em frente a uma câmera e a um microfone para falar com desenvoltura para crianças e adolescentes. Não é só produzir o conteúdo para uma nova ferramenta, mas também atender os alunos a distância, corrigir os exercícios, gravar áudios. Todos estão tendo que desenvolver novas habilidades. O que é um aspecto positivo.

Uma das consequências da pandemia é a mudança de cultura e de costumes. O mundo não será o mesmo e certamente mudará também as relações familiares. O isolamento domiciliar é uma fase difícil, mas trata-se de uma oportunidade de reforçar os laços de quem está confinado dentro de casa: país e filhos. O momento é de incerteza, mas não se pode perder a oportunidade de uma convivência mais rica e harmoniosa.

Obrigado por ler a FOLHA!

mockup