O lado bom do churrasco estilo Requião
Depois de a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná haver admitido a suspeita de febre aftosa em rebanhos paranaenses e o ministro Roberto Rodrigues dar força a essa possibilidade numa insistente campanha anti-Paraná que já dura três meses o governador Roberto Requião está propondo fazer uma churrascada aproveitando carne de bovinos que eventualmente venham a ser abatidos, como medida sanitária, na fazenda Cachoeira de São Sebastião da Amoreira. O desafio do governador uma atitude bem do seu estilo pode resultar em repercussão positiva, porque ele quer que estejam presentes (e comam da carne, se o desejarem) os técnicos do Ministério e os integrantes de um grupo de observadores do exterior que vem ver de perto o que há nessa história da aftosa. A investida de Requião visa diretamente o Ministério da Agricultura e Pecuária, que vem sustentando o impasse e parece desejar, a qualquer custo, encontrar a moléstia que procura. Os brasileiros não deixaram de consumir carne bovina só porque ocorreram surtos em Mato Grosso do Sul e porque foi levantada a suspeição de que a doença houvesse chegado a estas paragens. Porque o consumo de carne eventualmente contaminada não prejudica o organismo humano. Mas os consumidores estrangeiros de carnes brasileiras não pensam assim não por desconfiança mas por desinformação. Na verdade, o embargo internacional nem é por isso e sim pela possibilidade de partes ósseas de animais afetados levarem o vírus. Na hipótese de o abate sanitário ocorrer e de todos os 1.800 animais da fazenda serem destinados à festa (o que, nessas proporções, as autoridades sanitárias não irão permitir, mesmo que em ambiente restrito da propriedade), eles dariam para reunir e saciar 1 milhão e 500 mil pessoas. Seria um recorde digno do Guiness Book. Mas, mesmo um churrasco com pequeno número de comensais despertaria a atenção dos veículos de comunicação, do Brasil e do exterior, e arderia como um braseiro na pele do ministro e seria capaz até de despertar a atenção do presidente Lula, que dorme em sono letárgico quanto ao problema, e por isso não sabe das estripulias que um agente do seu Governo vem aprontando. Se o abate obrigatório vier a acontecer, a realização da churrascada terá efeito benéfico, que não apenas a suculência do acepipe, e se for necessária a aprovação do proprietário da fazenda e de alguma instituição, será preciso isto acontecer. Quanto mais disponibilização de carne e mais convidados, tanto melhor, de preferência que seja gente carente, que não costuma ter à mesa um bife. Porque, o que não está sendo possível obter pela sensatez e por medidas mais enérgicas, poderá se dar por via de um evento como esse. Todos os recursos devem ser empregados, incluindo o inusitado banquete.





