A concessão de facilidades para a agricultura é sempre uma boa notícia, por isso é bem recebida a decisão do Governo de beneficiar os pequenos produtores com linhas baixas de crédito, anunciadas para 2% ao ano. Esse programa - que será oficialmente lançado quarta-feira em Curitiba pelo presidente Lula - foi anunciado parcialmente em Londrina pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Reinhold Stephanes, que veio para a comemoração dos 36 anos do Instituto Agronômico do Paraná e para o ato de lançamento, por esse centro de pesquisa, de duas variedades de trigo.
  A meta do juro baixo para financiamento àquela categoria de agricultores visa contribuir para o aumento da produção de grãos e de bovinos, sem invadir áreas de preservação. Na questão da pecuária, o objetivo é aumentar o número de animais nas pastagens, por via da recuperação das áreas degradadas. Com toda a certeza, juro baixo é um dos fatores que estimulam o plantio, por acréscimo num momento de mais ânimo no setor agropecuário por conta da melhoria dos ganhos com a produção. No pacote figura também o plano de continuidade na renegociação das dívidas agrícolas, que têm sufocado o produtor e gerado intranqüilidade quando ocorreram quedas de safras e outros fatores, como o aumento do custo dos insumos. O ministro disse em Londrina que ‘‘a política agrícola no Brasil está se consolidando e que irá estimular o produtor a investir mais’’. Se há aumento de incentivo, como o agora anunciado, isto tenderá naturalmente a ocorrer. E se o Governo contribui com sua parte, não apenas no setor do crédito mas também com as demais políticas garantidoras da atividade rural, o produtor dará sua resposta, que será sem dúvida generosa. O testemunho é o aumento constante das colheitas, mesmo com entraves ainda existentes.
  A outra boa informação é o lançamento das novidades do Instituto Agronômico: as duas espécies de trigo, com maior potencial de produtividade e teor de proteína e adequadas às regiões norte e oeste do Paraná, ao sul de São Paulo e a Mato Grosso do Sul. Outras vantagens são o ciclo médio de 120 dias, plantas mais baixas e um resultado especialmente bom para as panificadoras.
Num país que importa trigo, é fundamental incentivar a produção nacional do cereal, e novas variedades - mais rentáveis e de melhor qualidade - dão sua contribuição para esse meta. Se o Brasil, a cada ano, aumenta seus recordes de produção e produtividade no setor da agricultura e da pecuária, graças ao empenho dos produtores e a adoção da tecnologia, novos apoios ao setor e novas descobertas da pesquisa serão ainda mais estimuladores e robustecerão cada vez mais esse formidável status brasileiro na produção de alimentos.

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