Vinte e quatro de janeiro é um dia decisivo para o futuro político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, será julgado o recurso do líder do Partido dos Trabalhadores no processo em que foi condenado a nove anos e seis meses de prisão – é o caso do triplex do Guarujá. O julgamento é um fato de extrema importância, pois vai interferir de maneira muito impactante no cenário político nacional, já que o petista, o primeiro ex-presidente do Brasil condenado por corrupção, pode se tornar inelegível e ser preso. A prisão, se acontecer, não seria imediata, conforme afirmaram juristas ouvidos pela reportagem da FOLHA na edição deste fim de semana. O julgamento vai transformar a cidade gaúcha. A expectativa é que Porto Alegre receba cerca de 100 mil pessoas na próxima quarta-feira. Do Paraná, cerca de 1.500 pessoas irão por conta própria acompanhar a sessão do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), que cuida dos processos da Lava Jato em segunda instância. Trezentos jornalistas brasileiros e estrangeiros estão cadastrados para cobrir o julgamento, que será transmitido ao vivo pela internet. A reportagem da FOLHA analisa o histórico de reformas das sentenças do juiz Sérgio Moro, titular da Lava Jato em Curitiba, pela 8ª Turma do TRF4, que julgará o recurso. Lembrando o caso, em julho de 2017, o ex-presidente foi condenado por Moro a seis anos de prisão pelo crime de corrupção passiva e três anos e seis meses pelo crime de lavagem de dinheiro no processo do triplex. Em entrevista nessa sexta-feira (19) à imprensa internacional, Lula afirmou que o processo não conseguiu provar que o apartamento é dele e anunciou que vai brigar até o último recurso. O julgamento vai mexer com o cenário político nacional porque se condenado, o petista, que é o pré-candidato a presidente mais bem avaliado pelas pesquisas, ficaria impedido de disputar as eleições de 2018, que acaba de ganhar mais uma novidade para apimentar ainda mais o processo: o senador Fernando Collor (PTC-AL), o ex-cassador de marajás que renunciou à Presidência em 1992 pouco antes do seu processo de impeachment, anunciou que é pré-candidato à Presidência da República. É impossível prever ainda o que as eleições de outubro reservarão para o país.

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