O jornalismo e a importância do diálogo
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segunda-feira, 06 de janeiro de 2020
Folha de Londrina 
Embora ficção, o filme “Dois Papas”, do diretor brasileiro Fernando Meirelles, traz a relação entre o conservador Joseph Ratzinger e o progressista argentino Jorge Mario Bergoglio. O roteiro, tema de reportagem da FOLHA neste fim de semana, mostra a aproximação de duas correntes antagônicas dentro da Igreja Católica nas figuras dos papas Bento XVI e Francisco.
Em um mundo cada vez mais polarizado, em que cada um carrega sua verdade absoluta, a difícil tarefa de compreender o outro é um exercício a ser estimulado diariamente. No meio deste terreno árido e espinhoso que separa conservadores e liberais, esquerda e direita, e muitas outras divisões da complexa sociedade moderna, está o jornalismo.
O papel da imprensa não é tomar partido ou divulgar notícias para agradar a determinado grupo em detrimento a outro. O jornal é uma ferramenta que estimula o pensamento e o senso crítico. É impossível passar incólume ao noticiário sem alguma reação. Se o conteúdo da manchete de hoje agrada, o de amanhã pode provocar sentimentos inversos. Outro leitor pode comemorar a primeira e lamentar a segunda. É a pluralidade irreversível de nossos tempos.
Não se pode brigar com a notícia. O rigor da apuração jornalística continua a ser fundamental e deve se sobrepor aos conteúdos fantasiosos e nocivos daqueles que semeiam inverdades com interesses escusos. A reportagem calcada em fatos, por mais que não seja tão atraente ou extraordinária como a corrente das redes sociais, ainda é a fonte mais confiável de informação.
Em sua coluna em homenagem aos 145 anos do jornal O Estado de São Paulo, neste sábado (4), o escritor e jornalista francês Gilles Lapouge escreveu: “Jornais são objetos passionais, despertam desejo, repulsa, cólera, vergonha, admiração e amor... Temos o direito de criticá-los, às vezes desprezá-los, mas não podemos negligenciá-los, negar a influência que exerce sobre nossas mentes. Sem eles o mundo não seria o mesmo. Seria menos brilhante, menos legível, menos respeitoso pela pessoa humana, menos tolerante. Sem eles, as sombras lentamente venceriam”.
Em todo o mundo, leis de combate às fake news se proliferam. Apesar de relevantes na essência, acabam por não surtir efeito. Assim, o grande desafio dos jornais é construir pontes de diálogo entre os diferentes setores da sociedade e contribuir no fortalecimento da democracia.
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