O alerta feito na quarta-feira pela Associação Brasileira de Produtores e Exportadores de Frangos (Abef), de que a União Européia pretende sobretaxar em 75% a carne de frango importada do Brasil, faz acender mais uma luz vermelha na País. A exemplo do que vem sendo adotado sistematicamente pelo governo dos Estados Unidos, que amplia os subsídios internos para proteger os agricultores e produtores americanos, agora a Europa mira seus mecanismos contra o Brasil.
A mecânica, em ambos os casos, é muito simples. Para ‘‘combater’’ os produtos brasileiros, que conseguem combinar qualidade com preço competitivo, apela-se para a sobretaxação. Ou seja, coloca-se um imposto excedente sobre a importação, tornando os preços impraticáveis. Assim, elimina-se o concorrente que vem da América do Sul.
Ocorre que essas práticas ferem dois preceitos elementares. O primeiro é o conjunto de leis da Organização Mundial do Comércio (OMC), responsável por promover o equilíbrio entre forças econômicas internacionais tão diferentes.
O outro – muito claro no caso das exportações de frango – é tirar dos produtores brasileiros as condições de sobrevivência. Se a sobretaxa for implementada, o Brasil perderá uma grande fatia de seu mercado de exportação de produtores, cerca de um terço. Será uma meia sentença de morte para os granjeiros. E o Paraná é o segundo maior produtor do País.
A ameaça que vem da Europa exige do governo brasileiro uma ação imediata e enérgica no campo da diplomacia. Os boatos de que resíduos de nitrofurano (antibiótico proibido pela União Européia) teriam sido encontrados na carne de frango brasileiro precisam ser investigados também pelo Brasil para que não seja pretexto para um boicote criminoso.
Roberto Francisco

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