O Jardim Botânico de Londrina
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de outubro de 2003
Agnaldo Kupper 
Em uma economia mundial baseada na busca do lucro, a questão ambiental, em especial nas décadas de 70 e 80 do século passado, ficou para trás. Hoje, percebemos o que perdemos. Hoje, percebemos o quanto esta perda nos afeta. O pau-brasil, é raridade; o jacarandá está em extinção. Pouco nos resta dos quatro milhões de hectares originais cobertos por araucárias; apesar dos gritos, a vegetação de mata atlântica míngua; o pantanal se vê assustado com rios assoreados e atingidos pelo mercúrio.
São apenas exemplos, mas que nos levam a uma conclusão: a história humana não possui significado claro de progresso. Mas chega de lamentos e discursos. Em meu otimismo natural e adepto da exploração racional, enxergo na figura de D. Pedro II um grande exemplo: determinou a reimplantação de toda a floresta da Tijuca (RJ), após vê-la devastada. Da mesma forma, e com boa vontade, também podemos agir. E alguns organismos e organizações o vêm fazendo.
Quando o governo do Estado do Paraná, na figura do atual secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Luiz Eduardo Cheida, acena com a estruturação do Jardim Botânico de Londrina e convoca uma comissão que determinará as diretrizes do concurso público para tal projeto, só tenho a aplaudir. Prova de que os compromissos assumidos, nem sempre são esquecidos, em que pese nosso tradicional ceticismo com as autoridades. Refiro-me à 1 Conferência do Meio Ambiente, realizada em 2001, quando centenas de representantes eleitos na comunidade londrinense (e com apoio do prefeito Nedson Micheleti), resolveram estabelecer a Agenda 21 de Londrina que, entre outros, decidiu criar o Jardim Botânico na cidade.
Uma ação como esta, que agora parte para sua concretização, deve nos deixar felizes, para não dizer eufóricos, pois a obra será contínua, devendo ser erguida por e para gerações.
O que dizer de um Maurício de Nassau, idealizador do primeiro Jardim Botânico do Brasil, em 1643? O que dizer de D. João VI (em que pese sua duvidosa clareza), que determinou a implantação do Jardim da Aclimatação e a fundação do Jardim Botânico do Rio de Janeiro considerado, na atualidade, um patrimônio de extrema importância?
Existem no Brasil cerca de trinta jardins botânicos, alguns consolidados, outros em formação. Considerando a extensão do território nacional e a grande diversidade de ambientes que resistem, a contribuição brasileira em nível de jardins botânicos é, definitivamente, pequena. Porém, conforme brotam estruturas como as que Londrina e região receberá, novas iniciativas vão tomando corpo em todo o país.
E um jardim botânico não possui função decorativa. Claro que não. Além de preservar a flora, propicia desenvolvimento científico, educação ambiental, lazer. É como um museu vivo, mas disseminador de espécies em todo o mundo. Londrina ganha com isto, dada a premência, nos dias atuais, de uma postura de recuperação e preservação das espécies como forma de garantir a qualidade e a manutenção da vida. Um projeto que apenas está sendo iniciado, mas que nos dá esperança.
Parabéns ao governo estadual, parabéns à secretaria estadual do Meio Ambiente, parabéns à Prefeitura de Londrina, parabéns à comunidade que decidiu pela obra. Partamos, sem imposição de obstáculos, ao trabalho maior.
AGNALDO KUPPER é escritor, professor de história e coordenador da comissão que elabora normas para projeto de concurso público do Jardim Botânico de Londrina


