O irônico apelo de Bush ao desarmamento
É uma desfaçatez o presidente George Bush pedir ao mundo que junte esforços e convença Irã e Coréia do Norte a desistirem de seus programas nucleares. O inverso é que deveria ocorrer, ou seja, as nações não-guerreiras e que são a maioria entre os 189 países apelar primeiro aos próprios Estados Unidos e aos demais povos armamentistas para conterem seus gigantes investimentos em armas e não fomentarem as guerras. Por não-guerreiras deve-se entender as nações que não têm exércitos e nem fabriquem e exportem armas.
Bush é um homem de guerra e segue a tendência da maioria de seu povo, porque são grandes os interesses econômicos e de dominação por trás dos conflitos armados que a poderosa nação promove e alimenta. Não há um cidadão de bom senso no mundo que deseje a disseminação das armas nucleares e de qualquer tipo de armamento, mas não é o presidente Bush e nem a numerosa porção radical da comunidade norte-americana que têm autoridade para um apelo ao desarmamento. Porque deveriam eles próprios serem os primeiros a tomar essa medida.
Mesmo depois do desmantelamento da União Soviética, a guerra-fria continua pela presença constante, por um lado, dos EUA armados até os dentes (e não são apenas eles) e, de outro, o temor inquietante do que pode fazer o terrorismo. O pedido de Bush é procedente sob a perspectiva da busca da paz no mundo, mas falta-lhe a moral para formular apelos pacifistas. Os Estados Unidos têm hoje 2,1 milhões de soldados e o maior orçamento militar do planeta: 440 bilhões de dólares anuais. Seus aviões F-15 de combate somam 1.000 (ocorrendo agora um investimento mais pesado nos eficientes F-22 e em armamento robótico espacial), mais aeronaves de apoio e algumas ultra-sofisticadas que não permitem detecção por radar, e helicópteros, misseis de longo alcance apontados para o mundo, aeronaves não tripuladas, porta-aviões, submarinos, tanques e toda a gama de armas manuais. Os EUA usam essas armas e também as vendem. Têm armas nucleares e foram os primeiros a usá-las. Porque a humanidade não esquece que os norte-americanos explodiram as duas bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, matando no ato e como conseqüência posterior (pela radiação) 240 mil pessoas, 90% civis. E tantas mais vidas dizimaram nas guerras da Coréia, do Vietnã, do Iraque e nas suas inúmeras outras intervenções armadas.
Os americanos também podem fazer combates cibernéticos e destruir sistemas de defesa de outros países a partir das salas secretas do Pentágono, da CIA e do FBI. Eles sublimam ao máximo a violência e são hoje o grande centro de perigo para a paz.





