O inferno de Dilma
Nove meses depois de assumir o seu segundo mandato consecutivo na Presidência da República, a presidente Dilma Rousseff (PT) vive o seu período mais crítico na administração do País. A classe empresarial e os trabalhadores sofrem com a instabilidade econômica e política. O que mais assusta a sociedade é a falta de capacidade de reação do governo federal ante a crise. Para tapar o buraco nas contas públicas o orçamento da União em 2016 prevê deficit superior a R$ 30,5 bilhões -, Dilma fez o ajuste fiscal onerando com mais impostos o setor produtivo do País.
A conta salgada do ajuste econômico desagradou até mesmo partidos da base aliada, entidades sindicais e até a Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT. A fundação divulgou em seu site um documento ("Por um Brasil Justo e Democrático") no qual propõe mudanças imediatas dos rumos da política econômica adotada por Dilma.
Mas a oposição mais sistemática surge justamente do partido que deu sustentação ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao mandato anterior de Dilma: o PMDB do vice-presidente Michel Temer. O mais ferrenho defensor de ruptura com o PT é o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O acirramento cresceu após o lobista Júlio Camargo, um dos delatores da Lava Jato, acusar Cunha de ter recebido propina de US$ 5 milhões em contratos de aluguel de navios-sonda da empresa Sansumg para a Petrobras. O engenheiro João Augusto Rezende Henriques, suposto operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras, também afirmou à Polícia Federal que fez uma transferência ao exterior para uma conta de Cunha. E é Cunha o responsável pela tramitação das chamadas pautas-bombas, tão temidas pelo governo. Por sorte, na última semana 26 dos 32 vetos presidenciais foram mantidos pelo Congresso. Resta ainda o tão temido veto ao reajuste dos servidores do Judiciário. Se for derrubado pelos parlamentares, o governo prevê um impacto de R$ 36,2 bilhões nas finanças públicas até 2019. Há ainda a polêmica proposta que recria a CPMF, alvo de críticas da sociedade em geral e de aliados do governo.
E até a propalada reforma ministerial de Dilma emperrou. A presidente viu-se obrigada a adiar o anúncio de mudanças depois de disputas internas no PMDB. O episódio mostra que há muito a ser vencido pelo governo para agradar os peemedebistas e alcançar o apoio necessário no Congresso Nacional, sem o qual a governabilidade estará ameaçada.





