Você reclama da qualidade do serviço público: falta de médicos nos postos de saúde, falta de segurança, escolas públicas preteridas, educação decadente. Não é de hoje que os governos federal e estadual transferem obrigações básicas para os municípios. Mas abusam das contratações. Só o governo Lula contratou até o ano passado mais de 63 mil funcionários. É muito. Sem dúvida. Haja espaço nas repartições públicas para tanta gente. Se você acha que é muito, saiba que o mesmo governo Lula pretende encerrar o mandato neste ano de 2010 com 100 mil novos cargos. Haja espaço, haja serviço e haja receita para uma máquina administrativa tão pesada. Aliás, receita não é problema porque o Brasil é o terceiro país em que se paga mais impostos e continuará sendo. Mas não se deve reclamar do imposto quando ele retorna através de um serviço público de qualidade. Com toda certeza, não é ocaso.
 Além desse exagero, o péssimo exemplo. Prefeitos e governadores, principalmente os populistas, seguem o modelo de Brasília. E o inchaço administrativo se espraia por todo o País. Ainda não é só isso. Sempre que podem prefeituras e Estados, principalmente prefeituras, terceirizam serviços. Basta verificar na sua cidade a quantidade de serviços terceirizados. A terceirização implica em dupla sacanagem (há exceções, é claro). A primeira sacanagem das terceirizações é que o município terceiriza, mas não enxuga o quadro da administração direta. A segunda é o tipo de contrato feito com as empresas terceirizadas. São preços exageradamente altos por serviços de relativa importância e nenhuma complexidade.
Os governos, em todas as esferas, devem estar nadando em dinheiro para tanto desperdício. É ingênuo achar que temos um problema de gestão na aplicação do dinheiro público. Muitas dessas contratações têm interesse eleitoreiro.
Por conta dessa farra nas contratações, as despesas com pagamento de pessoal e encargos sociais no Poder Executivo subiram 41% entre 2002 e 2009. Mas os maiores aumentos estão no Poder Judiciário e no Ministério Público. Esses dois setores têm autonomia para estabelecer suas remunerações. O resultado é que no mesmo período as despesas nesses dois setores avançaram 270%, no Judiciário (muito para uma instituição que tem 70% de desaprovação em pesquisa), e 285% no Ministério Público.

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