O império desafia o mundo
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de maio de 2003
Selma Schons 
O desrespeito norte-americano em seguir decisões da ONU não deve assustar ninguém. O assustador é existir gente que ainda considere a potência do Norte como um modelo a ser seguido. Seja na economia, na política ou na organização social interna e externa.
Engana-se quem imagina que os Estados Unidos sejam uma nação preocupada com os interesses mundiais. A preocupação deles está voltada em fortalecer os interesses de uns poucos conglomerados norte-americanos. É para isso que servem as demais nações ao redor do planeta e os inúmeros acordos internacionais firmados.
Basta lembrar da declaração de Bush no começo deste seu governo em relação ao tratado sobre desenvolvimento industrial e meio ambiente feito em Kyoto, no Japão. Bush afirmou que jamais assinaria qualquer acordo prejudicial aos interesses industriais da América. Mesmo que esse parque industrial esteja destruindo a camada de ozônio, elevando a temperatura da Terra e derretendo as geleiras dos pólos.
Quando falam em defender a democracia em outros países, à qual democracia eles se referem? À dos países com grande potencial econômico ou que ocupem geograficamente posição estratégica.
Ao invadir o Iraque, uma das principais alegações dos norte-americanos era a de restabelecer a democracia naquele país. Ninguém está aqui a defender a ditadura imposta por Sadan Hussein ao povo iraquiano ou qualquer outro tipo de autoritarismo.
Entretanto, pergunta-se, por que este arroubo democrático também não se desenvolveu em relação a Cuba, bem embaixo do nariz dos Estados Unidos? Se os cubanos tivessem petróleo em quantidade, com certeza, a história de Cuba já seria outra há muito tempo.
Depois do Iraque, qual será a próxima democracia a ser defendida? É bom não esquecer que o Brasil tem a Amazônia e 12% de toda a água doce do mundo.
Não faz muito tempo os ''defensores mundiais da democracia'' andaram comentando que nosso País não tinha condições de proteger adequadamente a riqueza da Amazônia. Sugeriram, então, que ela fosse declarada patrimônio da humanidade e gerenciada pela ONU. Até quando a democracia brasileira será aceitável para os americanos? É bem possível que o limite esteja relacionado com a reserva de água deles. Quando esta chegar no ponto crítico como hoje chegou a reserva de petróleo, a nossa ''democracia'' possivelmente será inaceitável. Esteja quem estiver dirigindo o Brasil.
SELMA SCHONS é professora licenciada do Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Ponta Grossa e deputada federal do PT/PR.


