O velho ditado que diz "o combinado não custa caro" não parece servir quando o tema é o Aeroporto Governador José Richa, de Londrina. Inaugurado em 1936, o aeródromo teve seus áureos tempos no auge da economia cafeeira, nos anos 1950. Mas há pelo menos 30 anos, a segunda maior cidade do Paraná luta para ter um aeroporto com infraestrutura condizente com a sua importância.

Uma dessas batalhas diz respeito à instalação do ILS, motivo de dor de cabeça para quem precisa chegar ou sair de Londrina por avião em dias de tempo fechado por chuva intensa.

A princípio, a questão do ILS deverá ter um final feliz no dia de 10 dezembro deste ano, quando Londrina completará 91 anos. A instalação do equipamento que auxilia pousos e decolagens naquela data foi garantida pelo ministro da Defesa, José Múcio, no mês passado, em reunião com lideranças locais.

Mas há uma outra questão que causa preocupação. O impasse é sobre a ampliação da pista do aeroporto. Uma audiência de conciliação entre o município e a União foi realizada esta semana, mas não houve definição sobre o cumprimento do termo de cooperação técnica firmado em 2016 entre Londrina e a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária).

Há quase dez anos, o combinado era que o município iria desapropriar áreas próximas ao aeroporto - o que de fato ocorreu, ao custo de R$ 50 milhões - e a Infraero ampliaria a pista em 600 metros e construiria uma pista de taxiamento, para melhorar a manobra das aeronaves. Em 2021, o aeroporto foi concedido à iniciativa privada, com a CCR assumindo a administração. Obras foram feitas no local e ampliaram a pista em apenas 150 metros.

Em dezembro de 2024, o município entrou com uma ação civil pública contra a União para garantir o cumprimento do acordo de 2016, argumentando que fez sua parte com as desapropriações. A primeira audiência ocorreu no dia 17 de março, mas nada de concreto foi colocado na mesa. Agora, no encontro realizado nesta semana, ficou acordado que a SAC (Secretaria Nacional de Aviação Civil) e a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) farão estudos para apontar a viabilidade técnica e econômica das melhorias no aeroporto.

A FOLHA teve acesso à ata da audiência de conciliação, que indica que caberá aos órgãos do governo federal indicar qual a destinação das áreas desapropriadas pelo município e quais são as “implicações negativas e positivas” da ampliação da pista de pousos e decolagens. O documento fala em apontar, inclusive, o que a ampliação representaria no futuro e quais os eventuais prejuízos dela não sair do papel.

Entidades ouvidas pela reportagem cobraram o cumprimento, pela União, do acordo estabelecido com o município 10 anos atrás. É consenso que esse ciclo de modernização do aeroporto precisa ser concluído para que ele possa realmente dar conta das demandas da região, não só agora, mas no futuro. São essas melhorias de infraestrutura que tornarão o aeródromo apto a receber um número maior de voos, beneficiando passageiros, empresas e o transporte de cargas.

Obrigado por ler a FOLHA!

mockup