Os cortes de financiamento público em bolsas de estudo nas universidades brasileiras afetará, além do ensino, pesquisa e extensão, a economia nas cidades que abrigam as instituições. Em Londrina, o impacto deverá ser importante, como mostrou reportagem da FOLHA na edição do último fim de semana (14 e 15). Segundo a reportagem, os projetos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado da UEL (Universidade Estadual de Londrina) resultam em uma renda de R$ 2,2 milhões para os municípios da região. São 1.502 bolsas concedidas atualmente na instituição. É mais do que a folha de pagamento da maioria das empresas da cidade, alcançando quase metade do total de salários pagos pela Sercomtel Telecomunicações.

Em entrevista à reportagem, o pró-reitor de Pós-Graduação, Amauri Alfieri, disse ainda que boa parte dos insumos usados nos projetos de pesquisa são comprados na região. Mais uma prova de que a suspensão das bolsas terá consequência além das salas de aula e laboratórios, afetando comércio regional e empresas fornecedoras.

A UEL estima que vai fechar 2019 com 25% menos recursos para bolsas vindos do âmbito federal. Mensalmente, são mais de 500 mil que deixarão de circular. As bolsas variam de R$ 400 para alunos de graduação até R$ 4.400 para os de pós-doutorado. Além da Capes e do CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a UEL conta com 338 bolsas da Fundação Araucária.

Faltam três meses para o fim do ano e a economia não se recuperou como se esperava. O orçamento para o ano que vem está apertado, mas cortes drásticos na educação são muito dolorosos em um país que aposta na melhoria do setor para alcançar o tão sonhado desenvolvimento social e econômico.

É o futuro da pesquisa e da ciência que pede hoje uma atenção da sociedade e do poder público. É fato que a maior parte da produção científica brasileira é produzida na pós-graduação e a descontinuidade de recursos para bolsas pode desarticular a produção, desmontando grupos de pesquisa. Perde-se tempo e recursos. Começar novamente do zero ficará ainda mais caro.

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