O impacto da guerra já chega preço do combustível
Em Londrina, aumentos no diesel e na gasolina começaram a aparecer nas bombas dos postos espalhados pela cidade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de março de 2026
Em Londrina, aumentos no diesel e na gasolina começaram a aparecer nas bombas dos postos espalhados pela cidade
Folha de Londrina 
A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no fim de fevereiro, já demonstra como conflitos geopolíticos distantes podem produzir efeitos imediatos na vida cotidiana de países que não participam diretamente do confronto. Onze dias após os primeiros ataques, o impacto já é sentido no Brasil, principalmente no preço dos combustíveis. Em Londrina, aumentos no diesel e na gasolina começaram a aparecer nas bombas. O episódio evidencia a forte interdependência da economia global e expõe, mais uma vez, fragilidades estruturais do setor energético brasileiro.
Como mostra reportagem da FOLHA, as distribuidoras com bandeira começaram a remarcar os preços no dia 28 de fevereiro, primeiro dia de conflito no Oriente Médio. Desde então, o Procon em Londrina, órgão de proteção e defesa dos direitos do consumidor, identificou alta de R$ 0,10 no preço do litro da gasolina e de R$ 0,40 no diesel S-10, mas o aumento registrado em alguns postos foi maior, especialmente no diesel, que já chega a R$ 0,90, com o litro sendo vendido a mais de R$ 7.
A Petrobras tenta segurar os reajustes, mas analistas avaliam que isso não será possível por muito tempo em razão da disparada do preço do petróleo. O Estreito de Ormuz, por onde escoavam diariamente cerca de 20 milhões de barris do produto, foi fechado pelo Irã. O volume representa cerca de 20% do consumo mundial de petróleo e com a oferta menor no mercado, o preço subiu.
Em 27 de fevereiro, véspera da eclosão da guerra, o preço do petróleo Brent era cotado a US$ 72,48 por barril. A partir do início do conflito, a cotação começou a aumentar dia a dia e, na última segunda-feira (9), disparou e atingiu o ápice até o momento, com o preço do barril chegando aos US$ 120, acréscimo de quase 70% desde o final do mês passado. Nesta terça-feira (10), houve recuo para US$ 99, mas ainda assim, a alta se mantém acima dos 35%.
Embora as distribuidoras afastem o risco de desabastecimento em curto prazo, fontes ouvidas pela FOLHA apontam a redução da oferta de combustíveis no mercado e preocupação com uma possível falta.
Esse cenário reforça uma contradição conhecida: embora o Brasil seja um importante produtor de petróleo, ainda depende da importação de parte relevante dos combustíveis que consome. Estima-se que cerca de 30% do diesel e 10% da gasolina comercializados no país venham do exterior. A limitação da capacidade de refino torna o mercado nacional vulnerável a oscilações internacionais, fazendo com que crises externas sejam rapidamente transferidas para o consumidor brasileiro.
O problema ganha dimensão maior quando se considera o papel estratégico do diesel na economia. Em um país cuja matriz logística depende majoritariamente do transporte rodoviário, qualquer elevação significativa desse combustível provoca um efeito em cadeia. O custo do frete aumenta, pressionando os preços de alimentos, insumos agrícolas, produtos industrializados e praticamente tudo o que depende de transporte para chegar ao consumidor.
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