O impacto causado por Alckmin no debate
Geraldo Alckmin surpreendeu pelo seu tom contundente, no debate com Lula, e saiu-se bem estrategicamente se o apelo era bater forte no adversário, no caso mais vidraça que pedra, porque ocupante do poder. Os eleitores do candidato tucano devem ter apreciado, porque Alckmin já começou detonando. Melhor seria se propostas de governo tivessem prioridade numa oportunidade como esta, mas o discurso pesado do candidato oposicionista robusteceu ânimos entre os seus companheiros de campanha e deve ter entusiasmado também o seu eleitorado, que já havia se colocado de pé e confiante após o resultado do primeiro turno. Lula foi apanhado de surpresa, pois esperava fazer a louvação de seu governo mas ficou acuado e em posição de defesa, sem muito espaço para respirar. O próprio petista Jaques Wagner, governador-eleito da Bahia, admitiu não esperar o acontecido e certamente imaginava um oponente de fala mansa abrindo brechas para o Presidente/candidato dizer que fez céus e terra e sair-se triunfante. A bordo e de volta a Brasília, Lula declarou que daqui por diante falará a mesma linguagem, ou seja, partirá também para os ataques. Não se sabe de que filão se valerá. Muito provavelmente enfocará o governo de FHC, do mesmo PSDB do adversário, ou buscará histórias dos tempos de Alckmin vereador, prefeito de Pindamonhangaba, deputado federal e governador de São Paulo. Se Lula safou-se do debate no primeiro turno, agora não poderá mais fazer o mesmo. Seus agentes de campanha precisam ensiná-lo a ouvir - o que não é um de seus atributos - e saber defender-se sem perder a compostura. Ele terá de representar dois papéis: o de candidato, sem esquecer que é também o presidente da República e tem de prestar contas ao povo. É mais cômoda a posição de Alckmin, que tem em mãos o trunfo de poder mostrar as falhas dos quatro anos do Governo Lula, e este nem conta com a credibilidade para anunciar programas revolucionários, porque isto - o anúncio - ele já fez quatro anos atrás e quase nada cumpriu. Se nem tudo piorou no Brasil, os méritos disto não são do Governo mas da própria dinâmica da vida nacional, alavancada pela garra das classes produtoras. O Governo foi um espectador diante dos avanços que aconteceram e não um agente desse processo. No debate Lula mostrou-se nervoso em certos momentos, porque estava sendo posto à prova como um comum candidato, frente a frente e sem espaço para fugas e sem a blindagem que a investidura de presidente lhe permite. Analistas acham que Alckmin causou impacto e pode ganhar pontos entre os eleitores indecisos.





