O Enem, com todas as suas deficiências, ratificadas este ano e logo depois da eleição (o que poderia ter efeitos catastróficos bem próximos daqueles cometidos pela ministra Erenice Guerra se ocorressem um pouco antes), é a prova de que ele está longe de constituir-se na parte visível do iceberg e sim de praticamente representá-lo na inteireza.
  Nossos índices, embora alguma melhora ocorrida, apontam que toda a parte social, ainda que tão decantada, é o calcanhar de Aquiles do sistema: a segurança está aí para confirmá-lo com o Brasil vivendo uma Guerra Civil em que os bandidos se mostram mais bem armados que o governo e a saúde é algo que nos coloca na extrema periferia com as derrotas sofridas em guerras bem mal sustentadas como a estabelecida contra a dengue, isso para não deter-se no caos da rede hospitalar em frangalhos.
  O incrível é que o governo se jacta de suas políticas compensatórias como a das bolsas, enquanto setores sociais como os referidos mostram a absoluta inocuidade do assistencialismo que não alcança as questões fundamentais.
  Na edição de domingo desta FOLHA, e essa uma questão específica de traço regional, ficou amplamente demonstrado que 40% dos alunos da rede pública não chegam ao Ensino Médio no Paraná, um corte naquilo que só a educação pode fazer pela mobilidade social. Os refenciais são de um órgão insuspeito, o Conselho Estadual de Educação: cerca de 100 instituições não podem certificar alunos e mais de 230 apresentaram nota inferior a 4 no Ideb, Índice de Desenvolvimento da Educação Básica no Estado. O reconhecimento da situação precária está na média 6 com objetivo para o país até 2.021, depois da Copa e das Olimpíadas, convites ao sonho em meio a tão dura realidade.

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