Colocar o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) na agenda administrativa do governo. Identificar seu potencial e a excelência dos serviços que pode oferecer. Requisitar esses serviços. Reconhecer a qualidade técnica do quadro de pesquisadores e a eficiência dos funcionários. Entrar pela porta da frente da instituição conferindo-lhe a importância merecida, como órgão de pesquisa de resultados.
  Se o governador Beto Richa pretende fazer uso do conhecimento acumulado do Iapar - como demonstra ao escolher dirigentes comprometidos com a ciência e tecnologia - estará dando mais uma prova de sua visão avançada como administrador. Tratar o Iapar como fizeram os últimos governos é abusar do desperdício e recusar uma prestativa ferramenta tecnológica que nenhum estado pode prescindir, tampouco o Paraná, produtor de alimentos, mas ainda carente de base tecnológica no âmbito oficial.
  O Iapar acumulou conhecimento capaz de dar suporte tanto para ações pontuais como projetos de longo prazo que precisam de embasamento seguro. Criou variedades resistentes, apontou alternativas para redução de custos, cuidou do zoneamento agroclimático. Fez muito mais. O importante é o que o instituto tem, hoje, para oferecer, nesse ponto de maturidade. Sua reinserção, por assim dizer, ocorre num momento crucial em que a eficácia da produção quantitativa e qualitativa de proteínas animal e vegetal e de fibras vegetais será insistentemente cobrada diante de uma demanda, talvez sem precedentes.
O que está na iminência de acontecer na cadeia alimentar - e os sinais são claros - é um colossal desafio à produtividade. Haverá mais demanda sim, mas a competitividade no campo e a concorrência no mercado serão implacáveis. A propriedade agrícola, na ponta dessa cadeia, nunca mais será a mesma. Já não há lugar para amadores. Este é apenas um desafio para os governos, que terão de enfrentá-lo com ferramentas adequadas.

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